sonhando, escrevendo e imaginando

sábado, 18 de fevereiro de 2012

“- Mas do que é que estavas á espera?”

“- Mas do que é que estavas á espera?”

E eu nunca sei responder…
De mais, de muito mais!
Para além do óbvio,
Para lá do que consigo sentir…
Quero sempre mais,
Espero sempre demais.!

Depois,
Quando me perguntam do que estava á espera…
Quando não percebem o brilho de desconsolo nos meus olhos,
O retrair do corpo passado o momento,
Nunca sei responder…
Nem vale a pena.
Nenhum deles teria a capacidade de perceber.

Sei que não é só isso que quero.
Calor, aperto, bom, prazer, ardor…
Passa.
Acaba logo, esfria depressa.
Sei,
É gostoso…
Faz suspirar,
Faz gemer,
Faz arquear o corpo á procura de mais,
Á procura de tudo.
Pouco, mas é tão pouco…
Passa o ultimo suspiro,
Passa o ultimo tremor,
Some, desaparece,
Muito aquém do amor…

“- Mas do que é que estavas á espera?”

Um homem,
Uma mulher…
Sozinhos,
Perto, juntinhos…
Mãos, abraços,
Bocas, beijos molhados,
Uma mão, um afago,
Um dá-me calor,
Um faz-me sentir…
Não chega,
Não satisfaz,
Não faz querer mais do que fechar os olhos,
Mexer o corpo, pedir…
Não toca o coração.
Não acaricia a alma.
Não é amor.

Ou palavras quentes,
Frases que molham o corpo,
Que aceleram a respiração,
Expressões que quase tocam sem mexer,
De que quase se sente a mão…
Um prazer que é quase solitário,
Que é quase só na imaginação,
Compensação,
Substituição…
Carência remediada por segundos apenas,
Tão insuficiente,
Tão menos,
Tão pequenino…
Muito falho de ternura,
Muito pouco de carinho.

“- Mas do que é que estavas á espera?”

E eu nunca soube responder!
Nem aos dezasseis anos,
Nem tão pouco sei agora…
E a confusão fica nos olhos deles,
Num não entender do porquê…
Se é simples,
Se é óbvio,
Se está logo ali…
E no entanto o que está logo ali,
Guardado no meio do corpo,
Embrulhado por entre o calor,
Entre as pernas,
Entre um prazer e um gemido
não é nada perto do que procuro.
Do que eu preciso.
Muito mais do que contacto
De dois corpos que se buscam numa fome de sentir.
Muito mais do que gemer e suspirar,
E sentir e gostar.
Muito mais do que só ser bom e deixar-me ir
E querer mais, e roçar, esfregar, e pedir…

O que eu procuro e não sei dizer,
O que eu mais gostava de sentir,
O que realmente podia entrar em mim,
Em mim toda,
Não só no mais óbvio e fácil acesso a mim,
Era um olhar,
Um sorriso,
Um “está tudo bem”
Ou um “eu protejo-te, nada te vai acontecer”
Talvez um “ não saio mais de perto de ti”
Quem sabe um “encosta a cabeça, deixa-te estar. Eu estou aqui”
Até um “quando acordares, vou estar contigo.”
Mas isso ninguém diz,
Isso ninguém consegue perceber,
Isso ninguém sabe entender…

Disso só eu é que preciso,
Isso só a mim me dá prazer.
Orgasmos múltiplos…
Talvez sejam assim..
Os que vêm depois do resto acontecer…
Os que continuam a dar gozo
Mesmo sem ninguém nos mexer,
Palavras de carinho,
Gestos de ternura…

E pensam que me deixaram feliz,
Satisfeita,
Preenchida,
E não percebem porque estou esmorecida…
Porque eu estou ali,
Perto,
Juntinho,
E beijo,
E deixo,
E suspiro…
Rendida, pensam,
Submissa, julgam…
Pois não sabem
Que não sou eu que me rendo,
Nem sou eu que gemo,
É só o meu corpo que é fraco e namoradeiro..
Eu permaneço
Escondida dentro de mim.
E não me tocam,
Não deixo.
Nem me têm, nem me domam…

Só me consolam,
Só me distraem
Entre um dia e outro,
Entre um gemido e um suspiro.
Não me possuem, não ficam em mim,
Enquanto não me fizerem sentir amor,
Mais do que molhado,
Mais do que tesão,
Mais do que ardor…

            Tu… não te preocupes… é quase tudo ficção. Sabes que tu entraste fundo em mim, não ficaste por ali, chegaste até ao meu coração.

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