sonhando, escrevendo e imaginando

sábado, 10 de março de 2012

De vez em quando...

De vez em quando entro num atalho,
Convidativo, enigmático, apetitoso.
Saio da estrada.
Sigo pelo cascalho misterioso,
Ou pela terra batida enlameada.
Sem querer saber,
linda, leve, solta…

De vez em quando deixo-me tentar,
Ou seduzo a tentação.
Gosto do perigo,
Gosto do charme de cercar, envolver chamar.
De vez em quando esqueço-me de ser eu,
E volto a ser pequenina,
Desobediente,
Traquina,
E ainda procuro ser feliz…

Ás vezes dou-me bem,
e divirto-me mais do que pensava!
Rio, canto e choro,
Mas sem me importar muito,
Sem de envolver demais.
Sem magoar, sem ferir,
Nunca deixando ninguém para trás.

Outras vezes estou lá tão perto,
Quase a encostar,
Prestes a agarrar, pegar…
Bastava estender uma mão,
Bastava querer realmente ficar.
Ou bastava haver alguém para me segurar no braço,
Para me fazer desistir de andar.

Desta vez foi diferente.
Desta vez acabei mesmo por me magoar…

E não planeei,
Não procurei.
Só estava.
Não fugi, fiquei.
Mas acreditei…
E enquanto sonhava
Fui mais feliz do que sabia poder-se ser.

E quando acordei
O mundo era outro.
Nada mais me contentava,
Nada mais se comparava….

Tudo o que me possam dizer,
Fazer,
Mostrar,
Nada tem o mesmo brilho
Que tinha
Enquanto eu sonhava.

Uma má viagem,
Como diriam os meus amigos antigos…
Produto de péssima qualidade….
Muito má viagem,
Ou muito boa…
Produto excepcional, ou só falsidade…
Os extremos tocam-se,
Não sei…
Sei que fiquei assim, triste, sem chão, á toa…

E sei que tudo o que existe
Agora,
Para mim,
Não tem o mesmo gostinho de coisa boa
Que tinha,
Antes desta vez acontecer.

Quem vê o céu azul nunca mais o consegue esquecer.
Mesmo que tenha sido só um pano de cenário
A encobrir uma tempestade.

            Não sei ao certo o que fizeste, não sei se fizeste… Mas sei que nunca te vou odiar…

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