sonhando, escrevendo e imaginando

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Não era para ser...

Espera…
Não era para ser…

Porque é que estou a pensar em ti?
Porque é que me dá vontade de sorrir quando lembro de ti?
Não devia…
Espera…
Não era para ser…

Só de passagem…
Não era?
Foi o que combinámos…
Não, nem falámos!
Não deu tempo…
Foi muito louco!
O tempo era pouco…
Nem chegámos a conversar…
Foi só chegar perto,
Tocar, queimar,
Deixar incendiar…

Mas era para ser leve, solto,
como uma aragem…
Coisa maluca
Sem motivo…
Porque é que ainda não te tirei do pensamento?
Que estás afazer no cantinho do meu olhar?
Não te chamei…
Não te ouvi bater para entrar…

De mansinho…
Entraste sem eu dar conta?
Vieste misturado num abraço apertado?
Ah, já sei!
Vieste junto com um beijo molhado!
Não me apercebi!...
Deste com o caminho
Ou fui eu que pedi?

És só uma imagem…
Não és?
Um rosto atraente,
Um olhar…
Que eu gosto de reparar.
Meigo, triste, guloso…
Uma boca gostosa
Aonde me apetece beijar.
És só uma loucura,
Uma aventura,
Uma paixão,
Um desejo forte, tesão…
Calor entre as pernas, excitação.

Prazer é no corpo.
Lá em baixo,
Mais em cima,
Por todo o lado, mas cá dentro não…
Porque é que te sinto a roçar no coração?

Então…
Porque é que estou a pensar em ti?
E a falar contigo?…
Nem era para falar…
Ou era?
Não sei…
Nem tu sabes.
Espera…
Devia querer ir só por ir.
E dar-me e ter-te,
E ir e sair
Sem querer saber do “a seguir”…

Espera…
Não era para ser…
Ou quem sabe até era…
Ou quem sabe se no fundo do teu olhar, posso encontrar os olhos meus…
Castanhos… não são, os teus?
Meigos,
Tristes,
Desconsolados…
Mas não era para reparar nisso!…
Bastava que os teus olhos estivessem acesos de paixão,
Verdes, azuis, ou negros.
Meigos, tristes, isso é que não…
Isso é ver com olhos de coração!

Também não devia acontecer
aquele abraço depois,
O sentir bem,
O querer encostar…
O ficarmos os dois.
Era fazer, chegar e andar,
Gostar vá!...
Gostar é bom!
Mas aconchegar,
Descansar,
Querer ficar?
Saber-me bem ouvir-te respirar?

Ah,
Outra coisa que não era para ser…
A festinha no rosto!
Mas porque é que fui fazer?
Porque é que não deixei a mão lá em baixo,
Ou á volta do pescoço,
Por baixo da camisa…
Mas nunca, nunca no rosto!
Macia a tua barba…
Bonita…
Grisalha…
O cabelo…
O olhar…

Não tinhas que te importar em saber
Se alguém me tinha magoado,
Se eu estava a gostar de estar contigo,
Se ia olhar para o outro lado…
Era só porque sim!
Porque fazemos o que queremos,
E somos grandes e resolvidos,
Adultos maduros no mundo dos crescidos.
E estávamos os dois tão sós, tão perdidos!
E tu atraíste-me de uma forma louca,
Mexeste nos meus sentidos,
Beijaste-me ainda antes de me chegar á boca…

Primeiro eu,
Tu ficas para o fim…
Antes de ti,
Pensas em mim…
O tempo que for…
Mas isso é perto demais de fazer amor!…
É perigoso!…
Desejo, excitação, é tudo cego
É só tesão…
Mas tu preocupas-te comigo…
E isso é carinho misturado com paixão!...

Eu não ouvi mal, ouvi?
Desta ultima vez,
Quase no fim…
Quando estavas tão perto de mim…
Eu sei que se diz muita coisa!
Não sou tão tola assim!
Quando o mundo arde todo em chama,
Diz-se o que nem se sabe que se disse,
Como se mais ninguém ouvisse…

Como se mais ninguém existisse,
Mas no meio de todo o ardor,
Como se num lamento,
Como se num desabafo de dor,
Eu sei que tu me chamaste “meu amor”…
E depois olhaste como quem pede desculpa,
E eu fiquei sem saber que te dizer,
Como se tivéssemos culpa
De trazer amor para o prazer…

Espera…
Não era para ser…
Ou era, sim?

            Se ainda estiveres na corrida… não fiques para trás…Ainda não... tudo... mas faltou mais.

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