sonhando, escrevendo e imaginando

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Essa sou eu...


Essa sou eu…
Como sempre fui,
Do jeitinho em que sempre me reconheço…

Apressada,
Impaciente,
Sem saber esperar…

“-Espera, calma, Glórinha,
Aprende a esperar…”
E eu, puxava a mão, não… agora… já podemos!

“-Reveja o seu teste antes de entregar…”
E eu, de olhos na rua,
No sol,
Não… tenho a certeza…

“- Mas deixa-me explicar….”
Nem meias explicações,
Ansiedade de sair do que não me parecia claro…
Curiosidade de ver o que vinha a seguir…

“- Um dia, quem sabe… algumas melhorias….”
Um dia… dali a anos, dali a uma vida…
Sem conseguir ter calma,
Sem conseguir acreditar…

“- Desta vez prometo, desta vez vou deixar…”
Cansada, tão cansada de confiar…
O pensamento longe,
numa ânsia de voar…

“-Cura não, manutenção talvez… bom se não piorar…”
O coração a bater num reprise triste,
Num bis que teimou em ecoar…

Essa sou eu…
Como sempre fui…
Do jeitinho em que sempre me reconheço…

Apressada,
Impaciente,
Sem saber esperar…

Sempre a fugir do que me faça chorar,
Sem prever,
Sem calcular…
Sem querer fazer mal,
Mas sempre a magoar…

“-Pareces uma adolescente com um brinquedo novo…”
Engano teu…
Talvez uma adolescente que não sabe brincar…

Que passa a vida a sonhar…

“-Porque já não tens cinco anos!…”
E é como se não os soubesse contar…
Porque no fundo ainda procuro um lugar
Um sitio aonde pertença,
Aonde possa ficar…

Essa sou eu…
De saltos altos na praia,
De cara lambuçada de chocolate,
De unhas pintadas de vermelho,
E o hábito estupido de corar…
O corpo na areia a escaldar,
A querer, a desejar…
E na mão,
Um livro com histórias de encantar…


Nunca encontrei quem me consiga decifrar…
Muito mais fácil é apenas fazer-me gostar…

Não aprendi, papá…
Não aprendi a esperar…



sexta-feira, 25 de maio de 2012

Foi como reencontrar um velho amigo...


Ontem abri um livro…
Peguei,
Mexi,
Li…

Há tanto tempo que não…
Tantas saudades que tinha!

Como reencontrar um velho amigo,
Como rever um grande amor…

Parecido com a sensação boa de uma caricia,
Tão semelhante a um abraço saudoso…

E bateu-me com força…
Assim como bate um charro de boa qualidade
Na boca de um apreciador…

Quase que tinha vergonha,
Tinha receio
De que os livros já não me quisessem mais,
Que me tivessem apagado da sua lista de amigos…

Há tanto tempo que não…

Mas foi bom!
As letras…
As páginas,
A história…
O viajar sem sair do lugar…

A magia que sempre fez a minha vida ser mais bonita.
Quando o mundo desabava lá dentro,
E eu fugia de livro na mão
Para um cantinho com sol,
Na mais completa solidão…
Eles pensavam que eu estava só…
Eu sabia que não.

Estive zangada com eles…
Com os meus livros do coração.
Prometiam muito,
Mostravam tanto,
No fim,
Deixaram-se sozinha…
Deixaram-me sem capítulos,
Sem notas introdutórias,
Abandonada á procura do epílogo feliz…

Da história que eu mesma fiz.

Mas ontem fizemos as pazes,
Os livros e eu…
A areia e eu,
O bikini pequenino e eu…

Tantas saudades que eu tinha de todos eles…

Ler,
Deitada na areia,
De bikini vestido…

A saborear,
A apreciar,
Só,
A deixar estar…

Um capitulo,
Um sonho,
Uma personagem,
Uma promessa,
Um olhar guloso de quem passava,
Um sorriso na alma…
A areia a escaldar debaixo do corpo,
Saudades…

O livro um bocadinho de lado,
O telefone a chamar…
“- Só para dizer que gosto de ti…”
E a voz gostosa do outro lado
“-Sim? Eu também!”
Assim,
quase divertido, natural,
Sem versos decorados,
Sem comentários estudados.

Eu,
O livro,
O bikini e a areia…
Ele…
Do outro lado.

História real de um romance inacabado…

Um livro que é tão simples,
Que quase tenho medo de folhear,
Não vá ficar complicado…







sexta-feira, 18 de maio de 2012

Estava com tantas saudades!...


Eu tinha saudades de tudo…
Não só dos beijos, mas também…
Não só das caricias, mas também…
Não só do mexer gostoso, mas também…

Eu tinha saudades da forma de olhar.

Da maneira de colocar o rosto, da maciez da barba…
Tinha saudades da gargalhada bonita,
Do sorriso luminoso…
Da forma escandalosa de me tocar,
do jeito delicioso que ele tem de me beijar!

E tinha saudades da voz, macia, baixinho no meu ouvido.
Das palavras sussurradas juntinho ao meu pescoço…

Saudades de o ouvir perguntar se me está a magoar,
Se está tudo bem, se estou a gostar…
Saudades de me deixar ser sempre a primeira,
De saber esperar…

Saudades da forma doce que ele tem de me agarrar…
Com loucura e com meiguice,
Com paixão e com carinho,
Sem me apressar…

Tinha saudades de o ouvir gemer,
De o sentir estremecer,
Da certeza que me dá de que está a ter prazer,
De que também ele está a gozar.

Estava com tantas saudades,
Mas tantas,
Que só percebi,
As saudades que tinha,
Quando ele sorriu ao ver-me chegar!

E só entendi o quanto já gosto dele
Quando ele me beijou na boca,
E me segurou na mão,
Como se tivesse receio de que eu me fosse afastar.

Não sei até quando
Durará o encantamento
Que brilha nos olhos meigos dele
Quando me está a olhar.

Nem sei até quando vou sentir saudades,
Vou querer esperar…

Mas sei que está a ser muito bom,
Faz-me muito feliz
E estou a gostar!

E assim que nos separámos
Comecei a ficar com saudades
De o ver voltar.

Sem compromisso é assim?
Simples, fácil,
Sem cobrar?
Por onde andou tantos anos,
Esta gostosa forma de amar?

Porque eu já tinha saudades de só sorrir!
De um sentimento que não me fizesse sofrer…
E tinha-me esquecido do bom que é
Gostar só por gostar,
Sem chorar,
Sem ter medo de perder.

Se tivéssemos um bocadinho mais de tempo,
Entre um beijo e outro,
Havia tanta coisa que lhe queria dizer…

Mas gosto dele,
E tenho saudades.
E isso,
porque não sei calar,
Já tive que lhe contar, e ele ficou a saber…

E gostei da maneira simples que arranjou para me responder.
Porque me soube a verdade,
Porque me mitigou a saudade,
Porque me fez fechar os olhos,
E me deu vontade
de outra vez querer.




sábado, 12 de maio de 2012

Homens... ainda não percebem nada de mulheres


Chegou…
Com o mesmo sorriso maroto,
Os mesmos olhos meigos,
O mesmo olhar triste.
Gravata a esvoaçar de um lado para o outro…
Casaco desabotoado…

O rosto bonito.
A barba macia,
O cabelo aparado, bonito, prateado…
O sorriso franco, aberto, bem-humorado…
Falar despreocupado…

Como se nada fosse…

Sem saber,
Sem imaginar sequer
Quantas vezes eu já tinha, na minha cabeça, começado,
Acabado,
Adiado…

 E ele sorria!
Como sempre.
Enchia o meu mundo, estava presente…
Da mesma forma do costume…
Feliz, contente…
A olhar-me de lado,
Num olhar apaixonado,
Que me deixa sempre o coração a bater acelerado.
Que me faz engolir em seco,
Sentir o corpo molhado…

Como se nada fosse…

Trazia aquele cheiro gostoso que não é de colónia,
Não é de perfume…
É só dele.

É primitivo e é delicioso.
E fica colado,
E vai comigo no corpo, para todo o lado…

Como se nada fosse…

Como se o tempo não tivesse passado.
E fosse a coisa mais natural do mundo
Ter-me telefonado,
Ter-me chamado,
E fitar-me com o seu olhar profundo…
E estar ali…
Outra vez…
Como sempre fez.

Ele nem sonhava sequer
Que na minha imaginação
Eu já me tinha deitado com cada homem que me desafiou na rua…
Que já não me julgava sua…
Que tinha chorado,
Achado
Que ele era só mais um sonho acabado…

E que já o julgava perdido!
E que já o supunha esquecido
De mim.
De tudo!

Como se nada fosse…

Os homens não sabem,
Não imaginam,
Que de cada vez que não voltam,
Que não dão noticias,
Nós nos sentimos abandonadas,
Esquecidas,
Trocadas,
Desprezadas…

Nem fazem ideia das noites em que adormecemos
De telefone na mão, ligado,
Á espera de uma mensagem,
De um carinho demorado.
Ou só de um “olá”,
Ou só de um “abraço apertado”,
Apenas um “beijo molhado”…

E que quando outros homens nos cobiçam na rua,
Nos dá uma vontade louca de ir,
Não porque queremos trocar,
Nem porque queremos experimentar,
Mas porque queremos magoar,
Quem de nós se anda a rir…

Mas ele não sabia de nada disso.

Nem de todas as alturas em que em sonhos
Eu tinha sido de quem me queria.
E tinha gemido
Nos braços de qualquer um que me oferecesse companhia.
Só para ele ver,
Para ele saber
Que não podia ser
Como ele queria.

Mas para ele,
Sempre esteve tudo bem
Tudo em paz,
Sem nostalgia…

Tudo, como se nada fosse…

Os homens nem sonham
Quantas vezes estão tão perto de nos perder…

E quando me encostou a si,
Quando me beijou,
Quando me viu tão rendida,
Tão entregue,
Quando me olhou e sorriu de alegria,
Não sabia,
Porque eu sei que ele não sabia,
Que se tivesse demorado mais um bocadinho,
Já não me encontrava,
Já não me via…

Mas abraçou-me
E beijou-me
E fez amor comigo

Como se nada fosse…

Homens…
Não percebem nada de mulheres :))))



quinta-feira, 10 de maio de 2012

Hoje estou triste...


Hoje estou triste.
E estou cansada.
E sinto-me pequenina…
Miserável…
Sem vontade de nada.

E queria poder fechar os olhos e descansar.
Ter um ombro aonde me encostar,
Alguém com quem falar.

Alguém que me deixasse só ficar.

Tudo tão estranho!
Tudo tão confuso!
O mundo tão grande,
De tão enorme tamanho!
E eu tão triste…
E eu tão perdida…

Não era para mais nada.
Só para encostar…
Ficar quietinha até a tempestade passar.

E sentir-me protegida,
Preciosa, querida.
Sem ter que retribuir,
Sem ter que pagar.

Queria alguém que me guardasse num abraço,
Não me deixasse chorar…
E me cuidasse…
Afugentasse
Todos os medos
Que gostam de me atormentar.

E dissesse
vai ficar tudo bem, tudo vai passar…
e não fosse embora,
depois, antes de o dia chegar.

Porque hoje estou triste,
E me sinto tão sozinha!
Queria alguém que me beijasse os cabelos,
Não a boca.
Que me afagasse o rosto, não o colo.
Que me apertasse num abraço gostoso,
Não num abraço apaixonado.

Que me rodeasse os ombros com o seu braço forte,
Que não descesse com a mão,
Que não me provocasse…
Não me mexesse…

Hoje eu queria só alguém que gostasse de mim.
Não só de vez em quando,
Não só quando se lembrar.
Mas todos os dias e todas as noites,
Todo o tempo que a vida teima em passar.

E queria tanto alguém de quem gostar….
Em quem depositar esperanças,
Em quem acreditar.

E a rua parece tão convidativa lá fora…
Tantos caminhos novos para experimentar…
Muitas portas que nunca vi
E que parecem abrir,
Para eu entrar.
Muitos convites estranhos,
Que nunca me fizeram antes
Que me conseguem tentar…
Que me deixam a pensar…

Mas eu só queria alguém de quem gostar
E nesses sítios sei que não vou encontrar…
Parecem felizes os que lá estão…
Mas eu só queria amor no coração…

Melhor fechar bem a porta.
Não me vá apetecer sair…
Aceitar…
Ir…

Estou tão triste hoje…
começava a pensar que contigo podia contar..
antes de te tirar do cantinho esquerdo do meu texto,
e te levar para o centro,
aonde está o meu coração.

O meu coração é um lugar muito confuso…
Quem sabe…
Talvez faças bem em não querer ficar…



domingo, 6 de maio de 2012

Famílias, tantas famílias foram ver o mar!!!


Pessoas barrigudinhas,
Trigueiras,
Pequeninas.

Pela mão,
As barulhentas criancinhas…
Pela trela o cão,
Irrequieto,
Que enche a areia de chichi,
Que espalha porcaria por ali…

Vêm aos magotes!
Vêm em multidão!
São as famílias!
As irrepreensíveis famílias,
Que vêm saborear o domingo em amena confusão.

Uns mais velhos,
Outros mais novos…
Cruzam-se sem se olharem,
Desviam-se sem se falarem,
Seguem olhos no chão…
Tantas famílias!

Tanta gente respeitável,
Que circula nesta tarde quase bonita,
Quase de Verão!

E apetece-me gritar-lhes que saiam da minha praia,
Que deixem o meu mar!…
Que vão falar de comida,
De contas,
De doenças,
Para casa,
Que não me venham perturbar!

Que levem com eles as criancinhas gorduchas
Traquinas, sujas
Que não param de berrar!
E puxem pela trela os cães insuportáveis,
Que não param de ladrar!
E se enfiem dentro dos automóveis novinhos,
Brilhantes,
Lavadinhos,
E se ponham a andar!

Como fazem barulho!...
Como não param de falar!…
Aqui é para estar em silêncio, aqui vem,
Quem quer ver o mar…
Voltem para o lado de lá…
Não estejam a incomodar!

Uns mais idosos,
Vêm devagar…
Resmungam com quem os trouxe,
Não gostam de andar…
Os namorados,
Que fariam melhor em namorar,
Insistem em dar voltinhas
De mão dadas,
Para baixo e para cima,
Sempre sem parar.

As matronas gordas, anafadas,
De cabelos armados,
E olhos a chispar,
Bochechas vermelhas de tanto abanar,
Ladeira sobe,
Ladeira desce,
Sacos de comida na mão,
A balançar
Restos de almoços de praia,
Que ninguém quis almoçar.

Bebés,
Enfiados em carrinhos,
Alcofas,
Saquinhos..
Criaturas pequeninas que não param de gritar…
E mães jovens,
Inexperientes,
Aflitas,
Que não os conseguem calar..
Papás a fumar…
Afastados,
Enfastiados,
Fartos de um domingo que não mais quer acabar.

Que bom que amanhã é segunda-feira!
Que bom que vão todos trabalhar!
E eu fico com a minha praia para mim, todinha,
Com o meu chocolate,
A ver o mar…




sábado, 5 de maio de 2012

Quero sim, não quero não...


Tão depressa um milhão,
Tão depressa um tostão…

Tão depressa, o mundo inteiro,
Como logo a seguir, nada na mão…

E cantar e rir,
Em alegre folia,
Perdida anónima no meio da multidão.
Ou chorar e sofrer durante todo o dia,
Sem quase conseguir sentir bater o coração.

Viver desta maneira, é viver?
Talvez sim, ou talvez não…

É não saber distinguir o real da ilusão.
Porque um se agarra, e a outra não…
Um guarda-se connosco no bolso,
Outra segue-nos bem dentro do coração.

Talvez sim, talvez não…

Ás vezes podia vir tudo com um pouquinho mais de mansidão.
Para não apanhar de surpresa, para não magoar…
“- Vai com calma, apreende a esperar”
Não abrir as portas á imaginação…

Mas eu gosto de ir atrás da primeira sensação…
Aquela que nos bate quando olhamos alguém e logo gostamos…
Ou quando conhecemos um lugar que nos provoca emoção.
Ou quando nos tocam de um jeito que sem nada ser,
Nos deixa moles, nos dá tesão,
Só porque sim,
Sem saber porque não…
Prazer que consola quando se põe a mão…

Tão depressa um milhão,
Tão depressa um tostão…

Feliz sem saber porquê,
Miserável sem opinião,
Vendo aquilo que só eu vejo, mais ninguém vê.

Sem meios termos de comparação…
A vida sempre me veio assim…
Em golfadas.
Rápidas, apressadas,
Sem tempo para nenhuma explicação.
Como um orgasmo violento,
Que faz o mundo parar e vem sem avisar,
E espalha os cabelos ao vento.

Que mal me dá tempo para gostar,
Que quando consigo começar a respirar,
Me deixa a impressão
De que pode sempre voltar
A cada caricia que o mundo teima em me dar.
A cada vez que deixo que alguém me ponha a mão.

Talvez sim, talvez não…
Tão depressa um milhão,
Tão depressa um tostão…

Tão depressa com o corpo,
Tão depressa com o coração…
Viver embalada ao sabor da imaginação.

Quero sim, não quero não…