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A mostrar mensagens de Maio, 2012

Essa sou eu...

Essa sou eu… Como sempre fui, Do jeitinho em que sempre me reconheço…
Apressada, Impaciente, Sem saber esperar…
“-Espera, calma, Glórinha, Aprende a esperar…” E eu, puxava a mão, não… agora… já podemos!
“-Reveja o seu teste antes de entregar…” E eu, de olhos na rua, No sol, Não… tenho a certeza…
“- Mas deixa-me explicar….” Nem meias explicações, Ansiedade de sair do que não me parecia claro… Curiosidade de ver o que vinha a seguir…
“- Um dia, quem sabe… algumas melhorias….” Um dia… dali a anos, dali a uma vida… Sem conseguir ter calma, Sem conseguir acreditar…
“- Desta vez prometo, desta vez vou deixar…” Cansada, tão cansada de confiar… O pensamento longe, numa ânsia de voar…
“-Cura não, manutenção talvez… bom se não piorar…” O coração a bater num reprise triste, Num bis que teimou em ecoar…
Essa sou eu… Como sempre fui… Do jeitinho em que sempre me reconheço…
Apressada, Impaciente, Sem saber esperar…
Sempre a fugir do que me faça chorar, Sem prever, Sem calcular… Sem querer fazer mal, Mas sempre a magoar…
“-Pareces uma a…

Foi como reencontrar um velho amigo...

Ontem abri um livro… Peguei, Mexi, Li…
Há tanto tempo que não… Tantas saudades que tinha!
Como reencontrar um velho amigo, Como rever um grande amor…
Parecido com a sensação boa de uma caricia, Tão semelhante a um abraço saudoso…
E bateu-me com força… Assim como bate um charro de boa qualidade Na boca de um apreciador…
Quase que tinha vergonha, Tinha receio De que os livros já não me quisessem mais, Que me tivessem apagado da sua lista de amigos…
Há tanto tempo que não…
Mas foi bom! As letras… As páginas, A história… O viajar sem sair do lugar…
A magia que sempre fez a minha vida ser mais bonita. Quando o mundo desabava lá dentro, E eu fugia de livro na mão Para um cantinho com sol, Na mais completa solidão… Eles pensavam que eu estava só… Eu sabia que não.
Estive zangada com eles… Com os meus livros do coração. Prometiam muito, Mostravam tanto, No fim, Deixaram-se sozinha… Deixaram-me sem capítulos, Sem notas introdutórias, Abandonada á procura do epílogo feliz…
Da história que eu mesma fiz.
Mas ontem fizemos as pazes, Os l…

Estava com tantas saudades!...

Eu tinha saudades de tudo… Não só dos beijos, mas também… Não só das caricias, mas também… Não só do mexer gostoso, mas também…
Eu tinha saudades da forma de olhar.
Da maneira de colocar o rosto, da maciez da barba… Tinha saudades da gargalhada bonita, Do sorriso luminoso… Da forma escandalosa de me tocar, do jeito delicioso que ele tem de me beijar!
E tinha saudades da voz, macia, baixinho no meu ouvido. Das palavras sussurradas juntinho ao meu pescoço…
Saudades de o ouvir perguntar se me está a magoar, Se está tudo bem, se estou a gostar… Saudades de me deixar ser sempre a primeira, De saber esperar…
Saudades da forma doce que ele tem de me agarrar… Com loucura e com meiguice, Com paixão e com carinho, Sem me apressar…
Tinha saudades de o ouvir gemer, De o sentir estremecer, Da certeza que me dá de que está a ter prazer, De que também ele está a gozar.
Estava com tantas saudades, Mas tantas, Que só percebi, As saudades que tinha, Quando ele sorriu ao ver-me chegar!
E só entendi o quanto já gosto dele Quando ele …

Homens... ainda não percebem nada de mulheres

Chegou… Com o mesmo sorriso maroto, Os mesmos olhos meigos, O mesmo olhar triste. Gravata a esvoaçar de um lado para o outro… Casaco desabotoado…
O rosto bonito. A barba macia, O cabelo aparado, bonito, prateado… O sorriso franco, aberto, bem-humorado… Falar despreocupado…
Como se nada fosse…
Sem saber, Sem imaginar sequer Quantas vezes eu já tinha, na minha cabeça, começado, Acabado, Adiado…
E ele sorria! Como sempre. Enchia o meu mundo, estava presente… Da mesma forma do costume… Feliz, contente… A olhar-me de lado, Num olhar apaixonado, Que me deixa sempre o coração a bater acelerado. Que me faz engolir em seco, Sentir o corpo molhado…
Como se nada fosse…
Trazia aquele cheiro gostoso que não é de colónia, Não é de perfume… É só dele.
É primitivo e é delicioso. E fica colado, E vai comigo no corpo, para todo o lado…
Como se nada fosse…
Como se o tempo não tivesse passado. E fosse a coisa mais natural do mundo Ter-me telefonado, Ter-me chamado, E fitar-me com o seu olhar profundo… E estar ali… Outra vez… Como sempre fez.
Ele …

Hoje estou triste...

Hoje estou triste. E estou cansada. E sinto-me pequenina… Miserável… Sem vontade de nada.
E queria poder fechar os olhos e descansar. Ter um ombro aonde me encostar, Alguém com quem falar.
Alguém que me deixasse só ficar.
Tudo tão estranho! Tudo tão confuso! O mundo tão grande, De tão enorme tamanho! E eu tão triste… E eu tão perdida…
Não era para mais nada. Só para encostar… Ficar quietinha até a tempestade passar.
E sentir-me protegida, Preciosa, querida. Sem ter que retribuir, Sem ter que pagar.
Queria alguém que me guardasse num abraço, Não me deixasse chorar… E me cuidasse… Afugentasse Todos os medos Que gostam de me atormentar.
E dissesse vai ficar tudo bem, tudo vai passar… e não fosse embora, depois, antes de o dia chegar.
Porque hoje estou triste, E me sinto tão sozinha! Queria alguém que me beijasse os cabelos, Não a boca. Que me afagasse o rosto, não o colo. Que me apertasse num abraço gostoso, Não num abraço apaixonado.
Que me rodeasse os ombros com o seu braço forte, Que não descesse com a mão, Que não me provoc…

Famílias, tantas famílias foram ver o mar!!!

Pessoas barrigudinhas, Trigueiras, Pequeninas.
Pela mão, As barulhentas criancinhas… Pela trela o cão, Irrequieto, Que enche a areia de chichi, Que espalha porcaria por ali…
Vêm aos magotes! Vêm em multidão! São as famílias! As irrepreensíveis famílias, Que vêm saborear o domingo em amena confusão.
Uns mais velhos, Outros mais novos… Cruzam-se sem se olharem, Desviam-se sem se falarem, Seguem olhos no chão… Tantas famílias!
Tanta gente respeitável, Que circula nesta tarde quase bonita, Quase de Verão!
E apetece-me gritar-lhes que saiam da minha praia, Que deixem o meu mar!… Que vão falar de comida, De contas, De doenças, Para casa, Que não me venham perturbar!
Que levem com eles as criancinhas gorduchas Traquinas, sujas Que não param de berrar! E puxem pela trela os cães insuportáveis, Que não param de ladrar! E se enfiem dentro dos automóveis novinhos, Brilhantes, Lavadinhos, E se ponham a andar!
Como fazem barulho!... Como não param de falar!… Aqui é para estar em silêncio, aqui vem, Quem quer ver o mar… Voltem para o lado d…

Quero sim, não quero não...

Tão depressa um milhão, Tão depressa um tostão…
Tão depressa, o mundo inteiro, Como logo a seguir, nada na mão…
E cantar e rir, Em alegre folia, Perdida anónima no meio da multidão. Ou chorar e sofrer durante todo o dia, Sem quase conseguir sentir bater o coração.
Viver desta maneira, é viver? Talvez sim, ou talvez não…
É não saber distinguir o real da ilusão. Porque um se agarra, e a outra não… Um guarda-se connosco no bolso, Outra segue-nos bem dentro do coração.
Talvez sim, talvez não…
Ás vezes podia vir tudo com um pouquinho mais de mansidão. Para não apanhar de surpresa, para não magoar… “- Vai com calma, apreende a esperar” Não abrir as portas á imaginação…
Mas eu gosto de ir atrás da primeira sensação… Aquela que nos bate quando olhamos alguém e logo gostamos… Ou quando conhecemos um lugar que nos provoca emoção. Ou quando nos tocam de um jeito que sem nada ser, Nos deixa moles, nos dá tesão, Só porque sim, Sem saber porque não… Prazer que consola quando se põe a mão…
Tão depressa um milhão, Tão depressa u…