sonhando, escrevendo e imaginando

sábado, 12 de maio de 2012

Homens... ainda não percebem nada de mulheres


Chegou…
Com o mesmo sorriso maroto,
Os mesmos olhos meigos,
O mesmo olhar triste.
Gravata a esvoaçar de um lado para o outro…
Casaco desabotoado…

O rosto bonito.
A barba macia,
O cabelo aparado, bonito, prateado…
O sorriso franco, aberto, bem-humorado…
Falar despreocupado…

Como se nada fosse…

Sem saber,
Sem imaginar sequer
Quantas vezes eu já tinha, na minha cabeça, começado,
Acabado,
Adiado…

 E ele sorria!
Como sempre.
Enchia o meu mundo, estava presente…
Da mesma forma do costume…
Feliz, contente…
A olhar-me de lado,
Num olhar apaixonado,
Que me deixa sempre o coração a bater acelerado.
Que me faz engolir em seco,
Sentir o corpo molhado…

Como se nada fosse…

Trazia aquele cheiro gostoso que não é de colónia,
Não é de perfume…
É só dele.

É primitivo e é delicioso.
E fica colado,
E vai comigo no corpo, para todo o lado…

Como se nada fosse…

Como se o tempo não tivesse passado.
E fosse a coisa mais natural do mundo
Ter-me telefonado,
Ter-me chamado,
E fitar-me com o seu olhar profundo…
E estar ali…
Outra vez…
Como sempre fez.

Ele nem sonhava sequer
Que na minha imaginação
Eu já me tinha deitado com cada homem que me desafiou na rua…
Que já não me julgava sua…
Que tinha chorado,
Achado
Que ele era só mais um sonho acabado…

E que já o julgava perdido!
E que já o supunha esquecido
De mim.
De tudo!

Como se nada fosse…

Os homens não sabem,
Não imaginam,
Que de cada vez que não voltam,
Que não dão noticias,
Nós nos sentimos abandonadas,
Esquecidas,
Trocadas,
Desprezadas…

Nem fazem ideia das noites em que adormecemos
De telefone na mão, ligado,
Á espera de uma mensagem,
De um carinho demorado.
Ou só de um “olá”,
Ou só de um “abraço apertado”,
Apenas um “beijo molhado”…

E que quando outros homens nos cobiçam na rua,
Nos dá uma vontade louca de ir,
Não porque queremos trocar,
Nem porque queremos experimentar,
Mas porque queremos magoar,
Quem de nós se anda a rir…

Mas ele não sabia de nada disso.

Nem de todas as alturas em que em sonhos
Eu tinha sido de quem me queria.
E tinha gemido
Nos braços de qualquer um que me oferecesse companhia.
Só para ele ver,
Para ele saber
Que não podia ser
Como ele queria.

Mas para ele,
Sempre esteve tudo bem
Tudo em paz,
Sem nostalgia…

Tudo, como se nada fosse…

Os homens nem sonham
Quantas vezes estão tão perto de nos perder…

E quando me encostou a si,
Quando me beijou,
Quando me viu tão rendida,
Tão entregue,
Quando me olhou e sorriu de alegria,
Não sabia,
Porque eu sei que ele não sabia,
Que se tivesse demorado mais um bocadinho,
Já não me encontrava,
Já não me via…

Mas abraçou-me
E beijou-me
E fez amor comigo

Como se nada fosse…

Homens…
Não percebem nada de mulheres :))))



5 comentários:

  1. Poema com um ritmo alucinante, que eu li de um só fôlego. E gosto.

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    1. Olá, Hugo Nofx
      Obrigada! Ainda bem que gostou!
      Beijinho para si

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  2. Excelente poema que termina com chave de oiro: HOMENS...
    NÃO PERCEBEM NADA DE MULHERES.))))
    Parabéns, Glória Vibro. Não te conhecia esta faceta de poetisa.
    António Almeida

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    1. Olá, António Almeida!
      E eu não sabia que apreciavas poesia:)) Não sou nada poetisa, escrevo assim umas coisitas e nada mais. Obrigada!Beijinhos para ti!

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    2. Olá,Glória Vibro :
      Embora não tenha mesmo jeito nenhum para a poesia, gosto muito da mesma.
      Mais uma vez parabéns.
      Beijinhos do António Almeida

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