sonhando, escrevendo e imaginando

sábado, 5 de maio de 2012

Quero sim, não quero não...


Tão depressa um milhão,
Tão depressa um tostão…

Tão depressa, o mundo inteiro,
Como logo a seguir, nada na mão…

E cantar e rir,
Em alegre folia,
Perdida anónima no meio da multidão.
Ou chorar e sofrer durante todo o dia,
Sem quase conseguir sentir bater o coração.

Viver desta maneira, é viver?
Talvez sim, ou talvez não…

É não saber distinguir o real da ilusão.
Porque um se agarra, e a outra não…
Um guarda-se connosco no bolso,
Outra segue-nos bem dentro do coração.

Talvez sim, talvez não…

Ás vezes podia vir tudo com um pouquinho mais de mansidão.
Para não apanhar de surpresa, para não magoar…
“- Vai com calma, apreende a esperar”
Não abrir as portas á imaginação…

Mas eu gosto de ir atrás da primeira sensação…
Aquela que nos bate quando olhamos alguém e logo gostamos…
Ou quando conhecemos um lugar que nos provoca emoção.
Ou quando nos tocam de um jeito que sem nada ser,
Nos deixa moles, nos dá tesão,
Só porque sim,
Sem saber porque não…
Prazer que consola quando se põe a mão…

Tão depressa um milhão,
Tão depressa um tostão…

Feliz sem saber porquê,
Miserável sem opinião,
Vendo aquilo que só eu vejo, mais ninguém vê.

Sem meios termos de comparação…
A vida sempre me veio assim…
Em golfadas.
Rápidas, apressadas,
Sem tempo para nenhuma explicação.
Como um orgasmo violento,
Que faz o mundo parar e vem sem avisar,
E espalha os cabelos ao vento.

Que mal me dá tempo para gostar,
Que quando consigo começar a respirar,
Me deixa a impressão
De que pode sempre voltar
A cada caricia que o mundo teima em me dar.
A cada vez que deixo que alguém me ponha a mão.

Talvez sim, talvez não…
Tão depressa um milhão,
Tão depressa um tostão…

Tão depressa com o corpo,
Tão depressa com o coração…
Viver embalada ao sabor da imaginação.

Quero sim, não quero não…


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