sonhando, escrevendo e imaginando

sábado, 28 de julho de 2012

E se eu não for como tu pensas?...


Será que se conseguisses ler dentro de mim,
Ainda ias dizer que me adoras?
Será que se soubesses mais de mim,
Não tudo,
Nem precisavas saber tudo,
Mais um pouco,
Só mais um bocadinho,
Ainda ias dizer que me queres?

Será que se me tirasses a roupa com mais vagar,
E estivesses atento á minha pele,
Não ias ver as marcas e as cicatrizes?
Não por cima.
Por cima está bonito,
Está tentador,
Sabe bem, faz calor…
Mas lá em baixo de tudo o que não se vê,
No fim de tirada toda a roupa da alma…
Lá está escondido o que ninguém consegue ver,
Lá está o corpo em que homem nenhum consegue mexer.

Será que se prestasses atenção quando gemo,
E quando suspiro,
E quando me entrego,
Não ias perceber outras palavras,
Ditas,
Sussurradas
Num idioma que mais ninguém percebe?
Numa linguagem primitiva e angustiada
De loba só e esfaimada.
Palavras crivadas de saudades e de solidão.
Ainda me ias querer mesmo assim?

Será que o teu amor sobrevive á chama que vem do meu coração?
Será que é capaz de não congelar durante o Inverno da minha alma?
Porque também tenho a estação das chuvas,
E a dos vendavais,
Ás vezes tudo junto com os dias de Verão
Ás vezes sem conhecer Primavera,
Num Outono desconsolado de folhas pelo chão…
Vais continuar a abraçar-me quando me souberes assim?
Vais continuar a procurar-me,
A esperar-me?
A querer saber de mim?

Se eu não for como pensas que sou…
Se eu for o oposto,
O inverso,
Um pouco de cada coisa,
Um cocktail de coisa nenhuma,
Um misturado de mulheres loucas numa só…
Se não me conseguires alcançar
Quando vieres atrás de mim?
Se eu deito a correr por algum atalho e me perdes de vista?
Se eu me perco até de mim,
E não dou com o caminho para voltar a ti?

Ainda assim…
Vais querer ficar comigo?
Vais pôr o braço á volta de mim
E vais-me dizer que está tudo bem?

Acredita quando te digo que não sou mulher para qualquer um.
Pára de me ver como a uma menina sorridente…
Porque eu sorrio e sou menina,
Mas choro quando viro mulher,
E sou carente e insegura quase todos os dias da vida…
Nos outros dias,
Vivo perdida num caleidoscópio de cores e de fantasias,
De sonhos e de esperanças,
De paragens e correrias…

Pensa bem antes de vires comigo,
Antes de caminhares a meu lado…
Posso amar-te, posso querer-te
Posso-te fazer sentir o mais feliz dos homens,
E logo a seguir largar-te no degredo,
Podes nunca descobrir o meu segredo,
Podes nunca conseguir que eu deixe de ter medo…

Vale a pena arriscares tanto,
Quando o que podes levar é tão pouco?
Não te vou falar muitas mais vezes assim…
Tenho receio que reconsideres,
Que duvides,
Que desapareças de mim…

Não sou má rapariga… só sou desta forma insana…
Corpo bonito com alma estranha
vais ainda querer gostar de mim?

domingo, 22 de julho de 2012

Só porque sim...


É mesmo preciso saber porquê?
São mesmo necessárias razões?
Só porque sim,
Só porque é bom,
Nunca chega?
Nunca é suficiente?

“Não te percebo… porque és assim?”
E eu não sei como sou.
Sei apenas que não preciso cobrar.
Nem exigir,
Nem resgatar
O que um dia dei por amor.
Porque me apaixonei,
Porque soube bem…

E não sei odiar alguém a quem amei.
E não gosto de ficar de mal com quem um dia gostei…
Dentro do meu coração,
Cada amor continua vivo.
Cada beijo,
Cada caricia,
Cada toque quente…
Tudo, tudo
Revive de vez em quando
No sossego da noite. 

E aí, são tantos os abraços que me vêm abraçar!
Tantos os carinhos que me vêm afagar…
Olhos de várias cores,
Vozes com vários sons…
Beijos com vários sabores a língua molhada…
Tão bom!
Tão melhor quando ficamos assim,
De bem
Em paz com todos os amores,
Com todas as paixões.

E é tão fácil fazerem-me chorar!
Tão simples fazerem-me ficar triste,
Deixarem-me mal!...
Sempre fui piegas,
Chorona a troco de nada…
Sensível até ao tom de voz que soa diferente…
Sensível até á brisa que sopra menos quente…
E foi tanta sorte que tive!
De todos a quem amei,
De todos por quem me apaixonei,
Nunca nenhum me falhou,
Nunca nenhum me magoou…
Trago um bocadinho da cada um deles,
Comigo,
Para sempre,
Num lugar bonito do meu coração.

Que só continuem a cruzar o meu caminho pessoas boas…
Amores carinhosos…
Paixões abrasadoras…
Preciso tanto de todos eles,
Quando o escuro fica ainda mais escuro,
E o relógio perde os minutos no frio molhado do nevoeiro…

Se algum dia um dos meus amores ressuscitar, reaparecer?
Como?…
Se nem um único chegou a morrer…
Se todos ficaram comigo sempre, por inteiro.
Da maneira gostosa e de graça que sempre me dei,
E que sempre recebi.
Da maneira de amar que é minha, e que eu inventei.

            Não é preciso perceber, só é preciso sentir, mesmo sem entender…


terça-feira, 3 de julho de 2012

Um dia, se puder ser...


Eu quero um homem que me chame sua…
Que me ponha o braço por cima,
Que me aconchegue a si,
Que me aperte,
Que me beije na rua.
Que mesmo sem ser dia de nada,
Me ofereça uma flor…
Que me faça sentir o coração cheio de calor,
Mesmo sem estarmos a fazer amor.

Quero um homem que diga que me ama,
Que se sinta feliz por me ter consigo.
Que não me mande embora sempre que ficar triste,
Que não me peça tempo
Sempre que estiver amargurado.
Que não se esqueça de mim no meio da rua,
A cada altura que o sinal tiver mudado.

Quero que me dê a mão, quando eu não souber o caminho,
E que me ajude a levantar se eu tropeçar,
Sem me ralhar…

Quero que rie,
Mas que também chore comigo,
Quero que me beije, me abrace,
Mas que também procure o meu ombro para descansar.
E me proteja quando eu estiver perdida no escuro,
Ainda que eu não o consiga enxergar.
Mesmo que eu não encontre as palavras certas para agradecer,
Depois quando o tempo melhorar…
Que me entenda só porque sim, mesmo sem eu ter que falar.

Quero um homem que não se assuste com as minhas cicatrizes,
As que mais ninguém vê,
Mas que de vez em quando começam a doer,
Começam a sangrar…
E que tenha paciência com as minhas esquisitices,
Que compreenda que não sou sempre um sol a brilhar…
Que fique mesmo se eu quiser partir,
Que não canse de me esperar…
Eu sei…
Não é coisa que se peça,
Não está certo,
Não é justo…
Mas sou só eu…
Pequenina, indefesa, insegura…
E um mundo inteiro tão grande para me assustar…

Quero um homem que me faça sentir molhada,
Mesmo sem precisar de se encostar,

Só de o imaginar… só de o pensar
E que faça com que eu sorria de cada vez que dele me lembrar.
Não quero um amor que me faça chorar.
E quero ter vontade de ser dele,
Mesmo sem cama para me deitar.
E quero sentir prazer
Mesmo que fique com o corpo a doer.
Faz parte de amar,
Faz parte de crescer…

Só quero ser feliz… um dia, se puder ser…