sonhando, escrevendo e imaginando

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Erotismo das palavras


Palavras…
Sussurradas,
Mal ditas,
Lambidas,
Molhadas…

Escritas ou faladas,
Mornas e peganhentas,
Escarradas em mim.

Falsas,
Inventadas…
Quentes e gostosas
Como um orgasmo sem fim…

Palavras que provocam…
Parecidas a gemidos,
Roçando sensuais arrepiando os sentidos…

Palavras como mãos que acariciam um peito dorido,
Dedos na humidade de um desejo perdido,
Como línguas que lambem e afagam,
E deixam o corpo vencido…

Palavras…
Já me disseram tantas!
Já as ouvi tão bonitas!

Já me disseram palavras que me fizeram chorar,
Já me disseram palavras que me fizeram sonhar…
Já me deixaram acesa, molhada, só assim… a falar.
Já tive muito prazer… apenas a conversar.

Palavras mais lindas que ouvi,
As que não chegas a falar…
Quando eu digo que te amo,
E tu tens medo de confessar…
E eu ouço-te sem nada dizeres,
E eu percebo que me queres mesmo sem quereres…

Porque palavras,
Por si só,
Não são capazes de falar.

E eu sei que tu jogas com elas,
Da mesma forma escandalosa que eu sei jogar.

Concede-me a honra desta dança…
Vamos gozar a falar…
Fazer amor num tango sensual de raiva sem esperança,
Como só nós os dois sabemos dançar!

Põe-te em mim com palavras,
Entra em mim devagar…
Chegamos lá, ao mesmo tempo… enquanto estivermos a conversar.

E eu ponho-te um like, sinal de que estou a gostar.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

... mas não sabia aonde era...


Fui lá e não sabia aonde era…
Todas as ruas são iguais naquela cidade,
Naquela terra…

Lembrava-me vagamente.
Sempre em frente…
Eternamente…

Mas não sabia aonde era…
“- De que é que estavas á espera?”
“- Deixa a pequena, toda a gente erra…”

Levei rosas brancas.
“- continua sem jeito, sem graça!”
“- calma… com o tempo passa.”

Sem letras, sem inscrição.
Só a voz do coração.
Dentro das vozes sumidas
Do resto da multidão.

Palavras ralhadas,
Palavras contidas…
Até as saudades escondidas…
Até as almas perdidas…

Não sabia aonde era…

E todo o mundo estava á espera.
Tudo o que foi a minha Primavera…
“- Um dia vais ser a desgraça desta casa”
Não fui nada, não era!

Estive lá! Estive lá!

Mas não vi nenhum anjo, nenhuma quimera…
Nem nenhum colo de Pai protector, quem me dera!!!
Também não descobri em nenhum manual de filosofia
Sequer um pensamento que fosse redentor,
Nem tive prova alguma que negasse o Amor…

Errados os dois!
Estavam errados os dois!
Perdidos de mim…
Nas ruas frias de mármore sem fim…

Tantas cruzes,
Tantas flores,
Tantas urzes,
Tantos amores!…

Tantos anos repletos de dores.

Nunca aprendi a atravessar a estrada sozinha.
Nunca fui plebeia,
Nunca fui rainha…

“- Não te dizia que estragavas a miúda?”
“- Vai ser sempre a minha princesinha.”

Levei rosas brancas.
Mas não sabia aonde era.

Vim de longe sozinha!
Parem de me querer sempre certinha!

“- Vá, vai com ela! Nem sabe andar sem mão…”
“- Não. A minha menina aprendeu a seguir o coração.”

Perdida sem saber como.
A remar contra um turbilhão.



domingo, 23 de setembro de 2012

É como sou, é o que faço...


Sou um fogo sem fim a arder,
Aonde os outros são pequena fogueira…
Sou uma tempestade que vem e que arrasa,
Que destrói estátuas,
Que rasga bandeiras…

Perco-me sem pé no espaço,
Caio num fim sem rede,
Ainda que me ponham a mão por baixo,
Mesmo que não me encostem á parede…

É como sou…
É o que faço.

“O que faz na vida?”
E rio-me e não respondo…

Não faço nada.
Não sou nada.
Sou centelha de luz perdida…
De coito danado nascida.
Existo entre a noite e o dia,
O meu lugar é a realidade fingida…

Como vão perceber?
Como vou explicar?
Se viver
É tudo o que faço na vida…

Dizem que não chega,
Que é pouco…
Precisa fazer planos,
Estabelecer metas,
Traçar objectivos…
Ver passar os anos,
Seguir linhas rectas,
Sonhar sonhos vivos…

Ná, não sou assim!

Os meus planos,
São os que me nascem a cada dia,
As minhas metas são as que me apetecem atingir.
E os meus objectivos são só meus,
E mais ninguém os quer…
Porque eu sonho em ser feliz
E chego lá por caminhos
Que só eu me atrevo a escolher.

Porque vou pelo que vier,
Por onde mais ninguém mais quer ir.
E as minhas estradas são por fazer…
E os meus mapas não são conhecidos,
E os passos que dou são passos perdidos,
Mas sou eu quem os faço.
E porque me perco e gozo
A cada vez que escolho dar um abraço…

“O que faz na vida?”
Vou ao café, vou á praia…
E rio de quem me julga perdida…


domingo, 16 de setembro de 2012

Não me prendas as asas...


Não me prendas as asas,
Não me impeças de voar.
Tu não sabes o que pedes,
Quando me pedes para ficar…

Sou feiticeira
Que corre a terra inteira.
Pobre sem eira nem beira…
Imaginação traiçoeira…
Por que me queres para companheira?

Não tenho muito para dar.
Sou igual a um violão cansado de tocar.
Como uma história que já não sabe encantar.
Boca seca de tanto beijar.

Julgas que consegues.
Achas-te capaz de tentar.
Não és o primeiro que percebe,
Que por trás do meu riso eu estou a chorar…

Mas isso não faz com que consigas aguentar…

Beija-me,
Tem-me,
Fica perto, não vás.
Isso podemos,
Isso eu sou capaz…

Mas mais…
Define mais para mim!
Define o que está para lá do fim!

Com que abraços lá chegar?
Com que caricias lá tocar?

Tenho medo.
Muito medo de arriscar.
Sigo sozinha há tanto tempo…
Para que me queres acompanhar?
Não sei acertar o meu passo com outro caminhar…

E se também tu não fores a sério…
E se também tu fores a brincar…
Se fores mais uma miragem das que vejo no deserto,
Se fores mais uma aragem das que desaparecem no ar?

Se também tu vieste para me fazer chorar?

Melhor só me quereres,
Melhor só me amares,
Fazeres-me gemer…
Deixares-te perder…
Assim sei com o que posso contar.

Mexe em mim com carinho.
Deita comigo mais um bocadinho
Antes de ires.
Antes de desvaneceres.
Antes de também tu já não seres.

Não me peças mais do que aquilo que pode ser.
Não é por eu não querer,
É porque não sei como fazer.

E porque és bom demais para me estares a acontecer.


terça-feira, 4 de setembro de 2012

Criaturas iguais, almas antigas...


Cruzámo-nos,
Cheirámo-nos,
Reconhecemo-nos…

Podíamos estar os dois perdidos num milhão,
Ainda assim nos íamos distinguir na multidão,
Ainda assim eu ia sentir a tua mão.

Porque eu posso parecer um anjo,
E tu podes parecer uma perdição,
Eu posso ser cor de laranja,
E tu negro de escuridão,
Mas nenhum de nós jamais será cinzento…
E ambos somos senhores do jogo da sedução…

E a tua pele clara
Faz contraste com a minha pele morena,
E os teus olhos azuis frios completam os meus,
Castanhos, ardentes…
E tu és alto, forte e inteligente,
E eu sou pequenina, impetuosa e feita só de sentimento…

E eu vivo num mundo de risos e festas,
E tu vens da calada do desconhecido,
E eu faço amor com o sol e a areia da praia,
E tu gozas no silêncio e na quietude das sombras…

E o prazer que temos é tão intenso que faz chorar,
Tão forte que não dá para acreditar…

Não podíamos ser mais diferentes nós dois!
Tão distintos e tão afastados,
Que nos tocamos nos extremos que nos separam,
E que são afinal os elos que nos mantêm ligados…

E eu sou tua enquanto o sol não se põe,
E tu entras em mim, antes da lua ir dormir…
Em breves momentos que fundem os nossos dois universos,
E que são explosões de prazer e de paixão,
Orgasmos febris que só nos deixam
Esgotados, mas nunca saciados…

Criaturas diferentes das demais…

Quem pode dizer aonde começa o paraíso?
Quem pode dizer aonde acaba o Inferno?
O que separa as criaturas de luz,
Daquelas que vivem nas trevas?
Quem sabe distinguir o bom do mau?

Somos como almas antigas,
Velhas de séculos,
Que vagueiam perdidas…

Mau? Não, tu não és mau!
Nem eu sou boa, perfeita!
Tu tens o mesmo frio na alma que eu trago comigo.
Tentas cobri-lo com carinho que não sabes devolver,
E eu tento cobrir o meu frio,
Com amor que não sei receber.

Iguais no fundo,
Criaturas de tempo sem fim, almas parecidas,
Diferentes das outras,
Sofridas…
Perdidas…

Que deus cruel se esqueceu de nós dois no limbo?
Tu perdoaste-O, eu não…

Por tudo isso te reclamo como meu,
E me dou como tua.
E sinto o teu corpo em mim, muito depois de teres saído.
E procuro o teu calor em todos os abraços,
Em todos os beijos.

Por isso tu não te perdes de mim,
Por isso ficas sempre por perto,
Agonizamos, mas nunca temos fim…

E ficamos os dois em extremos afastados,
Sem conseguirmos ir para longe,
Mas sempre separados.
Numa dança doentia de desejo, loucura e fantasia.

Por isso te amo, meu homem complicado.

Porque nos cruzámos,
Nos cheirámos e nos reconhecemos.
Criaturas diferentes das outras,
Seres perdidos durante milénios…

            Relação saudável…. Isso não foi feito a pensar em nós…