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A mostrar mensagens de Setembro, 2012

Erotismo das palavras

Palavras… Sussurradas, Mal ditas, Lambidas, Molhadas…
Escritas ou faladas, Mornas e peganhentas, Escarradas em mim.
Falsas, Inventadas… Quentes e gostosas Como um orgasmo sem fim…
Palavras que provocam… Parecidas a gemidos, Roçando sensuais arrepiando os sentidos…
Palavras como mãos que acariciam um peito dorido, Dedos na humidade de um desejo perdido, Como línguas que lambem e afagam, E deixam o corpo vencido…
Palavras… Já me disseram tantas! Já as ouvi tão bonitas!
Já me disseram palavras que me fizeram chorar, Já me disseram palavras que me fizeram sonhar… Já me deixaram acesa, molhada, só assim… a falar. Já tive muito prazer… apenas a conversar.
Palavras mais lindas que ouvi, As que não chegas a falar… Quando eu digo que te amo, E tu tens medo de confessar… E eu ouço-te sem nada dizeres, E eu percebo que me queres mesmo sem quereres…
Porque palavras, Por si só, Não são capazes de falar.
E eu sei que tu jogas com elas, Da mesma forma escandalosa que eu sei jogar.
Concede-me a honra desta dança… Vamos gozar a falar…<…

... mas não sabia aonde era...

Fui lá e não sabia aonde era… Todas as ruas são iguais naquela cidade, Naquela terra…
Lembrava-me vagamente. Sempre em frente… Eternamente…
Mas não sabia aonde era… “- De que é que estavas á espera?” “- Deixa a pequena, toda a gente erra…”
Levei rosas brancas. “- continua sem jeito, sem graça!” “- calma… com o tempo passa.”
Sem letras, sem inscrição. Só a voz do coração. Dentro das vozes sumidas Do resto da multidão.
Palavras ralhadas, Palavras contidas… Até as saudades escondidas… Até as almas perdidas…
Não sabia aonde era…
E todo o mundo estava á espera. Tudo o que foi a minha Primavera… “- Um dia vais ser a desgraça desta casa” Não fui nada, não era!
Estive lá! Estive lá!
Mas não vi nenhum anjo, nenhuma quimera… Nem nenhum colo de Pai protector, quem me dera!!! Também não descobri em nenhum manual de filosofia Sequer um pensamento que fosse redentor, Nem tive prova alguma que negasse o Amor…
Errados os dois! Estavam errados os dois! Perdidos de mim… Nas ruas frias de mármore sem fim…
Tantas cruzes, Tantas flores, Tant…

É como sou, é o que faço...

Sou um fogo sem fim a arder, Aonde os outros são pequena fogueira… Sou uma tempestade que vem e que arrasa, Que destrói estátuas, Que rasga bandeiras…
Perco-me sem pé no espaço, Caio num fim sem rede, Ainda que me ponham a mão por baixo, Mesmo que não me encostem á parede…
É como sou… É o que faço.
“O que faz na vida?” E rio-me e não respondo…
Não faço nada. Não sou nada. Sou centelha de luz perdida… De coito danado nascida. Existo entre a noite e o dia, O meu lugar é a realidade fingida…
Como vão perceber? Como vou explicar? Se viver É tudo o que faço na vida…
Dizem que não chega, Que é pouco… Precisa fazer planos, Estabelecer metas, Traçar objectivos… Ver passar os anos, Seguir linhas rectas, Sonhar sonhos vivos…
Ná, não sou assim!
Os meus planos, São os que me nascem a cada dia, As minhas metas são as que me apetecem atingir. E os meus objectivos são só meus, E mais ninguém os quer… Porque eu sonho em ser feliz E chego lá por caminhos Que só eu me atrevo a escolher.
Porque vou pelo que vier, Por onde mais ninguém mais que…

Não me prendas as asas...

Não me prendas as asas, Não me impeças de voar. Tu não sabes o que pedes, Quando me pedes para ficar…
Sou feiticeira Que corre a terra inteira. Pobre sem eira nem beira… Imaginação traiçoeira… Por que me queres para companheira?
Não tenho muito para dar. Sou igual a um violão cansado de tocar. Como uma história que já não sabe encantar. Boca seca de tanto beijar.
Julgas que consegues. Achas-te capaz de tentar. Não és o primeiro que percebe, Que por trás do meu riso eu estou a chorar…
Mas isso não faz com que consigas aguentar…
Beija-me, Tem-me, Fica perto, não vás. Isso podemos, Isso eu sou capaz…
Mas mais… Define mais para mim! Define o que está para lá do fim!
Com que abraços lá chegar? Com que caricias lá tocar?
Tenho medo. Muito medo de arriscar. Sigo sozinha há tanto tempo… Para que me queres acompanhar? Não sei acertar o meu passo com outro caminhar…
E se também tu não fores a sério… E se também tu fores a brincar… Se fores mais uma miragem das que vejo no deserto, Se fores mais uma aragem das que desaparecem no a…

Criaturas iguais, almas antigas...

Cruzámo-nos, Cheirámo-nos, Reconhecemo-nos…
Podíamos estar os dois perdidos num milhão, Ainda assim nos íamos distinguir na multidão, Ainda assim eu ia sentir a tua mão.
Porque eu posso parecer um anjo, E tu podes parecer uma perdição, Eu posso ser cor de laranja, E tu negro de escuridão, Mas nenhum de nós jamais será cinzento… E ambos somos senhores do jogo da sedução…
E a tua pele clara Faz contraste com a minha pele morena, E os teus olhos azuis frios completam os meus, Castanhos, ardentes… E tu és alto, forte e inteligente, E eu sou pequenina, impetuosa e feita só de sentimento…
E eu vivo num mundo de risos e festas, E tu vens da calada do desconhecido, E eu faço amor com o sol e a areia da praia, E tu gozas no silêncio e na quietude das sombras…
E o prazer que temos é tão intenso que faz chorar, Tão forte que não dá para acreditar…
Não podíamos ser mais diferentes nós dois! Tão distintos e tão afastados, Que nos tocamos nos extremos que nos separam, E que são afinal os elos que nos mantêm ligados…
E eu sou …