sonhando, escrevendo e imaginando

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Criaturas iguais, almas antigas...


Cruzámo-nos,
Cheirámo-nos,
Reconhecemo-nos…

Podíamos estar os dois perdidos num milhão,
Ainda assim nos íamos distinguir na multidão,
Ainda assim eu ia sentir a tua mão.

Porque eu posso parecer um anjo,
E tu podes parecer uma perdição,
Eu posso ser cor de laranja,
E tu negro de escuridão,
Mas nenhum de nós jamais será cinzento…
E ambos somos senhores do jogo da sedução…

E a tua pele clara
Faz contraste com a minha pele morena,
E os teus olhos azuis frios completam os meus,
Castanhos, ardentes…
E tu és alto, forte e inteligente,
E eu sou pequenina, impetuosa e feita só de sentimento…

E eu vivo num mundo de risos e festas,
E tu vens da calada do desconhecido,
E eu faço amor com o sol e a areia da praia,
E tu gozas no silêncio e na quietude das sombras…

E o prazer que temos é tão intenso que faz chorar,
Tão forte que não dá para acreditar…

Não podíamos ser mais diferentes nós dois!
Tão distintos e tão afastados,
Que nos tocamos nos extremos que nos separam,
E que são afinal os elos que nos mantêm ligados…

E eu sou tua enquanto o sol não se põe,
E tu entras em mim, antes da lua ir dormir…
Em breves momentos que fundem os nossos dois universos,
E que são explosões de prazer e de paixão,
Orgasmos febris que só nos deixam
Esgotados, mas nunca saciados…

Criaturas diferentes das demais…

Quem pode dizer aonde começa o paraíso?
Quem pode dizer aonde acaba o Inferno?
O que separa as criaturas de luz,
Daquelas que vivem nas trevas?
Quem sabe distinguir o bom do mau?

Somos como almas antigas,
Velhas de séculos,
Que vagueiam perdidas…

Mau? Não, tu não és mau!
Nem eu sou boa, perfeita!
Tu tens o mesmo frio na alma que eu trago comigo.
Tentas cobri-lo com carinho que não sabes devolver,
E eu tento cobrir o meu frio,
Com amor que não sei receber.

Iguais no fundo,
Criaturas de tempo sem fim, almas parecidas,
Diferentes das outras,
Sofridas…
Perdidas…

Que deus cruel se esqueceu de nós dois no limbo?
Tu perdoaste-O, eu não…

Por tudo isso te reclamo como meu,
E me dou como tua.
E sinto o teu corpo em mim, muito depois de teres saído.
E procuro o teu calor em todos os abraços,
Em todos os beijos.

Por isso tu não te perdes de mim,
Por isso ficas sempre por perto,
Agonizamos, mas nunca temos fim…

E ficamos os dois em extremos afastados,
Sem conseguirmos ir para longe,
Mas sempre separados.
Numa dança doentia de desejo, loucura e fantasia.

Por isso te amo, meu homem complicado.

Porque nos cruzámos,
Nos cheirámos e nos reconhecemos.
Criaturas diferentes das outras,
Seres perdidos durante milénios…

            Relação saudável…. Isso não foi feito a pensar em nós…


2 comentários:

  1. Sonhando, escrevendo e imaginando! Achei óptimo o teu trabalho Glória e aposto que vou lendo suas publicações neste blog e direi alguma coisa minha amiga.Beijinhos!

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  2. Obrigada, José Manuel Meque! Ainda bem que gostaste, fico muito feliz! Lê sim, e diz qualquer coisa. Fico á espera. Beijinhos!

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