sonhando, escrevendo e imaginando

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Leva-me a passear...


Leva-me a passear…
Leva-me a Paris,
Subir a Torre Eifel…
A Itália,
Enrolar esparguete e comer piza…
Leva-me a Veneza
Andar de gondola embalada nas águas calmas…
Vamos cheirar caril a Goa,
E andar de elefante na Índia.
Atravessar os desertos da Sará montados num camelo,
Espreitar como é em cima do Empire State Building…
Viver num igloo no Polo Norte…
Vamos enfrentar as maldições dos faraós no Egipto…

Leva-me a passear…
Leva-me á minha casa…
Às minhas ruas,
Ao meu lugar.
Deixa que cheire as acácias em flor,
Deixa que rebole no capim molhado de cacimba…
Faz amor comigo no mar quente da Costa do Sol…
Vamos ver as estrelas que são diamantes
E os diamantes que são estrelas penduradas no céu da nossa terra.
Fica em silêncio…
Em chão sagrado do sentimento não se faz barulho…
E tenho tantas saudades de ouvir os grilos a cantar!...

Leva-me a passear…
Dá-me a tua mão,
Vem-me buscar.

Qual o problema se Paris for ali ao lado,
Se a Itália ficar no outro quarteirão?
Que interessa se Veneza é o lago dos peixinhos das tardes de domingo?…
O que é que tem se Goa fica na rua logo a seguir,
Se a India se instalou no bairro mais próximo?
Que importa que o Sará não vá além da areia da minha praia,
E que os Estados Unidos fiquem na outra ponta da cidade?
Quero lá saber se o Polo Norte se resumir á geada do quintal da vizinha,
E que as pirâmides do Egipto estejam á venda no balcão do café da esquina!…

Nem fico muito triste se Lourenço Marques
Se tiver mudado só para dentro do meu coração.
E se as minhas ruas,
As da minha recordação
Não passarem disso mesmo,
E não voltarem a poder estar na minha mão…

Só me leva daqui!…
Só me guarda contigo!…
O lugar não interessa,
O país não importa…
Só me vem buscar…

Encosta-me juntinho a ti...

Ficamos fora até nos dar prazer.
Mesmo que fora seja um sítio que não sabemos nomear…
Ficamos fora até se fora for cá dentro,
Até se não sairmos do mesmo lugar.
Mas, meu amor…
Deixa-me ser contigo…
Leva-me a passear.


7 comentários:

  1. ... o fascínio da aventura das memórias, do reactivar dos sentidos, na plenitude dum amor rebuscado e feliz... gostei muito! Parabéns...

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  2. Obrigada, Henrique Santos!
    As memórias sempre têm fascínio inexplicável sobre nós, as saudades e a distância deixam tudo deslumbrante, tudo encantador... E o amor, esse é o que dá sentido á vida. Sem amor, não há memória que seja gostosa, nem lugar que pareça bonito. Obrigada pelo comentário, beijinhos para ti!

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  3. Minha queria Glória desconhecia esta tua faceta. Parabén. Continua com essa veia poética e chegarás longe... Bjs
    Júlio de Jesus

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    1. Olá, Júlio De Jesus
      Obrigada!Ainda bem que gostaste! Fico muito feliz em saber! Beijinhos!

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  4. As memorias dos sentidos, (do perdido), leva-nos tão longe e às vezes tão perto...

    Adorei Bjcas Gloria

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    1. Olá, Victor Quaresma
      E quando olhamos alguém, e o cremos perto, ali á beira, sabemos lá em que deserto de distância não está, naquele mesmo momento... sem ninguém sequer dar conta. Obrigada! Beijinhos!

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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