sonhando, escrevendo e imaginando

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Amores simples, paixões verdadeiras

Pessoas simples.
Quero pessoas simples.
Amores simples.
Paixões verdadeiras.

Cansei de complicações,
De profundidades,
De confusões.

Não consigo acabar com os problemas de ninguém.
Não sou bálsamo para os traumas de ninguém.
Nem sei resolver os meus também.

Cansei.

Pessoas simples.
Quero pessoas simples.

Sorrisos de manhã.
Caricias de tarde.
Amor de noite.

Sem lágrimas,
Sem depressões.

Amores simples.
Paixões verdadeiras.

Não quero promessas.
Não quero ilusões.
Não me compram com tentações.

Cansei.

Se for para ser,
Se tiver que ser,
Então que seja com uma pessoa simples.

Olhos nos olhos,
Mão na mão.
Nada de engano,
De segunda intenção.

Bolas, caramba!
Um amor simples para variar…


sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

- Que fazes tu?

-Tu, anda cá!... Fazes tudo?

Encostada contra a parede,
Em qualquer vão de escada…
-Não. Não faço nada.
Sou miragem inventada.

Que importa o que faça?
Que interessa o que finja fazer?
Cega é a besta que compra prazer.

Um carneiro, dois carneiros, uma estrela, duas estrelas…
Mulheres até apagadas são belas.

- Andas muito por aqui?
- Desde o princípio do mundo…
-Estranho, nunca te vi…
-Vi eu milhares iguais a ti.

Se ele gostar, volta.
Cliente satisfeito volta mais vezes.
Venha este, ou aquele…
Vida fácil?
Fácil nem no nome.
Misturada de silabas sem sentido…
Nome mais comprido!...
Prostituição…
Vadia no corpo, donzela no coração.

- És bonita… Como vieste aqui parar?
- Só paro se deixar de andar.
- Olha para ela! E sabe falar!!...

- Podias ser a rainha das noites.
Quem quer ser isso?
Rainha de micróbios patológicos.
Imperatriz de vermes asquerosos.
Senhora de todos os passos perdidos.

- Acendes-me um cigarro?
O fumo sai quente pelas narinas.
- Linda menina!

Lembranças que o vento traz,
Durante o tempo que custa um abraço.

- Que fazes tu?
- Que te importa o que eu faço?


quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Luzes de Natal...

Olhos na janela.
Janela com luzes.
Luzes de Natal…

E estava frio na rua!...

Lembras?
O banco de jardim…
Quantos anos?
Há quantos Natais?
Vinte e cinco talvez, ou mais.

Não tínhamos nada de nosso.
Nem casa,
Nem dinheiro,
Nem luzes para o Natal.
Um dia…
Um dia vamos ter uma janela assim!
E quem passar na rua vai parar e olhar…

Frio!
Estava muito frio naquele ano!

Cumprimos e tivemos.
Tivemos luzes com pinheiro enfeitado.
E mesa grande com fritinhos de canela.
E bolos…
Tantos bolos!

Lembras?
Quando juntávamos moedas
E a senhora das batatas refilava por ter de as contar…
O que nós passámos!
Tanto que passámos, meu Deus!...

E agora já não temos árvore de Natal montada.
Menino Jesus,
Será que não podes fazer nada?

Não precisamos de viver juntos, nós.
Nem de nos darmos como uma mulher e um homem se dão.
Mas queria tanto que ainda conseguíssemos ter
Uma janela iluminada!...
Já fomos o mundo todo.
Não podemos não ser nada.

Lembras?
O banco de jardim…
Foi há tantos anos!

Que foi feito de ti, e de mim?...

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

O que arde cura...

Sal nas minhas feridas…

Eu rio e tu vês os meus olhos a brilhar.
Não sabes mas tenho vontade de chorar.
Ardem-me cicatrizes antigas…
Obscenas velhas amigas…

Afagas-me e eu suspiro.
A tua mão incendeia lembranças perdidas.

Vejo tantas sombras e escuto tantos ruídos enquanto te olho calmamente…
E sinto a cabeça a perder-se no vazio a cada instante.

Sal nas minhas feridas…

De noite quando te sinto quente dentro de mim…
Tanto medo!
De que percebas, de que me desvendes…

Paz…
Queres paz.
E eu sou uma miséria de guerra e de dor.
Não tenho mais para ti, a não ser o meu amor.

Tão tranquilo é o teu dormir…
Tão tormentoso é o meu velar…

Não acordes agora.
Deixa que eu me dilua no silêncio do nosso quarto.
Deixa que me iluda e me sinta como quase normal.
Só assim, sem sombra de mal.

Um pouquinho mais…

És como sal nas minhas feridas…
 O que arde cura.

Dentro do meu peito, loucura pura.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Todo o mundo é pouco



Todo o mundo é pouco,
Porque meus já tinham sido os céus e os ares.
Minhas foram as ruas do mundo para andar.
Ninguém pode voltar a ter mais.

E os meus olhos têm todo o sal do mar.

Se fores minha, faço de ti uma rainha.

Quem quer reinar?
Só se vive de respirar,
Sentir,
Seguir sem saber aonde ir.

Boneca morta pode ser guardada numa prateleira.
Mulher viva não se consegue amestrar.

Ficas e posso confiar?

Como posso prometer o que não sei como dar?
Vazio, vazio dentro de tudo o que vejo.
Para onde foram as almas que não consigo encontrar?

Às vezes sinto que voltei só para as buscar…

Vê-me como sou, assustada e louca.
Pode ser este o verdadeiro strip, meu amor.
Aquele em que dispo a alma e me podes avaliar.

Seios bonitos, cintura marcada e ancas redondas…
Mais todo o resto que já te consegui mostrar.

Não tenhas medo de mim quando não me reconheces.
Não te limites á minha imagem nua.
Por baixo da pele, está a mulher que pode vir a ser tua.

Se é que tenho o direito de te pedir para ficar…

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

"Madrugada sem fim"...

Suspirou.
Um suspiro misto de ternura e desejo…
E ele olhou-a com olhos de quem tem a fome do mundo dentro do peito.

Ela suspirou como se fosse tomar a vida no colo,
Como se fosse entregar o coração junto com o corpo.

Mãos sôfregas…
O obstáculo da roupa…
Sempre que a tomava, ele ardia em pressa…

Os olhos dela eram lá longe,
E o pensamento voava nas nuvens de um céu em fogo…

O peito arfava.

Cedeu,
Ele sentiu que ela cedeu,
Quando o recebeu.
Quando húmida se deu.

Estava á procura, ela vivia á procura,
Sem sair do lugar.

Amar…
O que é amar?
Seja o que for, amar é querer amor.

Quando ele a abraçou
E a aconchegou, cansado, ao peito,
Ela refugiou-se nele como gaivota num rochedo.

Pegou-lhe na mão e apertou,
Sentia-se tão sozinha, com tanto medo!
Lá fora a madrugada desenrolava-se em segredo.

Ele desviou os olhos encadeados pela luz do sol.
E a imagem dela desfez-se na bruma do fim sabe-se lá de quê.

Ele não sabia que fizera amor com uma estrela do céu.
Mas sabia que ela se dava como uma bacante louca, envolta em timidez.

Fugiu outra vez.

O lugar dela na cama estava quente, e o lençol molhado.
Ele sorriu orgulhoso, sem saber que ela tinha chorado.

Madrugada sem fim…
É a noite que não termina, ou é o dia que não começa?...


quarta-feira, 23 de outubro de 2013

A alma a sorrir…

Ser feliz é um estado de alma.
Estar feliz é obra de um momento.
Sou feliz.
Estou tão feliz!

Alegre,
Divertida,
Isso quase sempre fui.

Esperançosa,
Optimista,
Corajosa…

Mas feliz não tinha ainda sido.

Horas,
Minutos de felicidade,
Cheguei a ter.

Mas feliz de manhã á noite
E no dia seguinte,
E no dia a seguir a este dia…
Não sabia que podia acontecer.

Acordar de noite com a certeza gostosa de que está tudo bem.
E levantar de manhã com o coração a cantar,
A alma a sorrir…
Nem imaginava que pudesse existir!

Estou feliz.

Uma rosa branca para ti, papá.
Uma rosa branca para ti, mamã.
Vocês estavam enganados os dois,
Bem me queria parecer.

O mundo pode ser um lugar delicioso para se viver.
Somos felizes quando acreditamos que o podemos ser.

De vez em quando a tristeza vem ainda ter comigo,
Naquele toque lascivo de caso antigo.
Com os seus dedos trementes de prazer e agonia.
E por breves momentos quase me tento a ir na sua companhia.
Mas orgasmo chorado sei que não demora, e mando a tristeza embora.

Não é que seja cor de laranja o tempo todo,
Mas é verde esperança a quase toda a hora.

Mamã, podias ser uma velhinha feliz agora…
Se ao menos tivesses notado o arco-íris…esteve sempre lá fora.


terça-feira, 24 de setembro de 2013

Um dó li tá...

Faz de conta…
Pense depois, seja feliz primeiro.

Real.
Imaginação.
Anani, ananão…
Um do li tá…

Faz de conta.
Como num labirinto de espelhos.
Imagens perdidas das suas imagens.
Pessoas á procura de onde estão.
Aquela sou eu, a outra não.

E se nenhuma delas for a minha versão?
Nem a mais gorda, nem a mais magra,
Nem a que melhor me fala ao coração…

E se eu for como os vampiros?
Se não aparecer nos espelhos…
Cara de amendoá…
Quem está livre, livre está.

A quem amas na escuridão?
Eu, ou imaginação?

Se a vida estiver dentro de um espelho...

Não me procures no reflexo que não sou eu.
Encontra-me dentro daquilo que é meu.
Mal-me-quer, bem-me-quer…
Só mulher.

Faz de conta.
E eu, como sei se és?
Um aviãozinho militar atirou uma bomba ao ar…
Em qual de ti foi parar?
Como posso acreditar?

O mundo de mentira é mais bonito do que o verdadeiro...

Pares trocados… realidade invertida.
Imaginação de faz de conta vestida.
Amas o que pensas que sou.
E eu amo a tua imagem reflectida.

Agora eu era o herói, e o meu cavalo só falava inglês…

Faz de conta uma, outra, e mais outra vez.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O outro lado do meu arco-íris

Reúne nele o melhor de cada amor que já tive…

A irreverência dos 16 anos.
O toque de rebeldia, de inconformismo.
O olhar maroto.
Palavras que soam familiares de séculos para mim.

O carinho meigo e amigo,
O gentil cuidado comigo.
A forma doce de me dar a mão, de me abraçar.
A ternura no estar.
Tive amores parecidos em tempos idos.

Toque quente,
Beijos gostosos.
Caricias escaldantes…
Vontade de fechar os olhos,
De sentir a vida toda num segundo…
Houve também quem me desse isso,
E nisso estivesse contido todo o mundo.

Tenho vontade de passar horas a ouvi-lo falar para mim.
Só meu pai sabia tantas coisas assim.
E a voz dos dois, às vezes, soa a voz parecida…
E tenho a mesma sensação boa de me saber protegida.

Toca-me, e derreto-me como gelado de chocolate ao sol de Verão.
Encosta-se, e encontro-me no bater apressado do seu coração.

Como se estivesse a fazer amor com o melhor de cada um dos meus amores.

Mas é diferente de todos, é especial.
Tem algo que mais ninguém tem igual.
Junta nele tudo o que quero, amo e preciso.
Mas tem aroma único, e sabor exclusivo.

E quando me dou a ele, sinto que é meu o mundo inteiro,
E que amá-lo é comungar com o universo.
Rima solta em cada verso.
A vida colocou no mesmo homem todos os tesouros que eu quis.


Mil cores numa só… o outro lado do meu arco-íris.

sábado, 31 de agosto de 2013

Podem quase tudo

Podem invadir a nossa casa,
Revirar os nossos armários.
Desarrumar a nossa mobília e confiscar o que quiserem.

Podem levar o nosso automóvel
E requisitá-lo para serviço do que bem entenderem.
E podemos vê-lo depois passar com outra gente lá dentro.

Podem congelar o nosso dinheiro no banco,
Mudá-lo de dono e de nome.
Deixar-nos pobres como Jó num só segundo de tempo.

Conseguem arrancar-nos dos nossos terrenos,
Despojar-nos das nossas habitações.
Tirar-nos para fora do nosso país.
Podem tornar-nos apátridas indesejados nesse grande mundo.
E mudar os nomes antigos e dizer que o que houve nunca existiu.

E podem bater no nosso corpo e torturá-lo.
Obrigar-nos a confessar tudo o que nem sonhámos nunca fazer,
Qual Winston de 84, numa ficção real a acontecer.

E violar as nossas carnes,
E fazerem-nos aceitar em nós o que nem nome pode ter.
Podem excitar o nosso sexo até nos inventarem prazer,
E dizerem ainda depois que estávamos a querer.

E podem num requinte de malvadez atar as nossas mãos,
Prender as nossas pernas e deixar-nos colados á força neste chão.
Negar-nos o ultimo consolo dos que estão exaustos de sofrer.

Podem.
Podem quase tudo.
Já vi acontecer.

Mas não conseguem mexer na nossa alma.
Não conseguem tocar a parte não tocável do nosso coração.
Não nos obrigam a gostar do que não gostamos,
Nem a acreditar no que não acreditamos.

Isso não podem não!

Somos mais do que um corpo indefeso.
Somos mais do que um saco de ossos cobertos de músculo e pele.
Só dispõem de pequena parte de nós.

E enquanto tolos, se banqueteiam com a nossa rendição
Mal sabem que já escapámos da sua mão.
Estamos no outro lado secreto de nós,

Naquele lugar para onde fugimos quando estamos sós.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

No sangue quente, de quem é louca gente

Há muito tempo que estava guardada, de mim arredada.
Escondida, arquivada.

Pensei que nunca mais…
É como reencontrar uma velha amiga, irmã de sangue.

A loucura. Minha loucura.

Fugi dela há tanto tempo!
Quis fazer de pessoa ajuizada.
E quase conseguia, quase parecia curada.

250 g de açúcar, 250 g de farinha
1 colher de fermento pequenina…
Uma pitada de deixa ser,
Um cheirinho de bom que é viver

Quis crescer e quis parecer ser como os demais. Pessoas normais.
Mas fui tão mais feliz nos loucos dias!… Tão mais!
Loucura…
Por ande andaste?
Ao veres-te sem mim, por quem me trocaste?

Bom! Tão bom!...
Chega perto,
Encosta,
Vem…
Não esqueci como ser louca sabe bem!

Está no sangue. No sangue quente de quem é louca gente.

Louco é quem acredita em ser feliz.
Quem pensa o que o coração diz…
Abençoada insanidade que está na minha raiz.
Nem irascível, nem dura.
Doidice pura.

Alguma fada, quando nasci, me dotou com a benesse da loucura.

   Quem me dera que me ames, quando me conheceres um pouquinho mais.
   Que não te assustes, que não naufragues nos meus temporais.