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A mostrar mensagens de 2013

Amores simples, paixões verdadeiras

Pessoas simples. Quero pessoas simples. Amores simples. Paixões verdadeiras.
Cansei de complicações, De profundidades, De confusões.
Não consigo acabar com os problemas de ninguém. Não sou bálsamo para os traumas de ninguém. Nem sei resolver os meus também.
Cansei.
Pessoas simples. Quero pessoas simples.
Sorrisos de manhã. Caricias de tarde. Amor de noite.
Sem lágrimas, Sem depressões.
Amores simples. Paixões verdadeiras.
Não quero promessas. Não quero ilusões. Não me compram com tentações.
Cansei.
Se for para ser, Se tiver que ser, Então que seja com uma pessoa simples.
Olhos nos olhos, Mão na mão. Nada de engano, De segunda intenção.
Bolas, caramba! Um amor simples para variar…

- Que fazes tu?

-Tu, anda cá!... Fazes tudo?
Encostada contra a parede, Em qualquer vão de escada… -Não. Não faço nada. Sou miragem inventada.
Que importa o que faça? Que interessa o que finja fazer? Cega é a besta que compra prazer.
Um carneiro, dois carneiros, uma estrela, duas estrelas… Mulheres até apagadas são belas.
- Andas muito por aqui? - Desde o princípio do mundo… -Estranho, nunca te vi… -Vi eu milhares iguais a ti.
Se ele gostar, volta. Cliente satisfeito volta mais vezes. Venha este, ou aquele… Vida fácil? Fácil nem no nome. Misturada de silabas sem sentido… Nome mais comprido!... Prostituição… Vadia no corpo, donzela no coração.
- És bonita… Como vieste aqui parar? - Só paro se deixar de andar. - Olha para ela! E sabe falar!!...
- Podias ser a rainha das noites. Quem quer ser isso? Rainha de micróbios patológicos. Imperatriz de vermes asquerosos. Senhora de todos os passos perdidos.
- Acendes-me um cigarro? O fumo sai quente pelas narinas. - Linda menina!
Lembranças que o vento traz, Durante o tempo que custa um abraço.
-…

Luzes de Natal...

Olhos na janela. Janela com luzes. Luzes de Natal…
E estava frio na rua!...
Lembras? O banco de jardim… Quantos anos? Há quantos Natais? Vinte e cinco talvez, ou mais.
Não tínhamos nada de nosso. Nem casa, Nem dinheiro, Nem luzes para o Natal. Um dia… Um dia vamos ter uma janela assim! E quem passar na rua vai parar e olhar…
Frio! Estava muito frio naquele ano!
Cumprimos e tivemos. Tivemos luzes com pinheiro enfeitado. E mesa grande com fritinhos de canela. E bolos… Tantos bolos!
Lembras? Quando juntávamos moedas E a senhora das batatas refilava por ter de as contar… O que nós passámos! Tanto que passámos, meu Deus!...
E agora já não temos árvore de Natal montada. Menino Jesus, Será que não podes fazer nada?
Não precisamos de viver juntos, nós. Nem de nos darmos como uma mulher e um homem se dão. Mas queria tanto que ainda conseguíssemos ter Uma janela iluminada!... Já fomos o mundo todo. Não podemos não ser nada.
Lembras? O banco de jardim… Foi há tantos anos!
Que foi feito de ti, e de mim?...

O que arde cura...

Sal nas minhas feridas…
Eu rio e tu vês os meus olhos a brilhar. Não sabes mas tenho vontade de chorar. Ardem-me cicatrizes antigas… Obscenas velhas amigas…
Afagas-me e eu suspiro. A tua mão incendeia lembranças perdidas.
Vejo tantas sombras e escuto tantos ruídos enquanto te olho calmamente… E sinto a cabeça a perder-se no vazio a cada instante.
Sal nas minhas feridas…
De noite quando te sinto quente dentro de mim… Tanto medo! De que percebas, de que me desvendes…
Paz… Queres paz. E eu sou uma miséria de guerra e de dor. Não tenho mais para ti, a não ser o meu amor.
Tão tranquilo é o teu dormir… Tão tormentoso é o meu velar…
Não acordes agora. Deixa que eu me dilua no silêncio do nosso quarto. Deixa que me iluda e me sinta como quase normal. Só assim, sem sombra de mal.
Um pouquinho mais…
És como sal nas minhas feridas… O que arde cura.
Dentro do meu peito, loucura pura.

Todo o mundo é pouco

"Madrugada sem fim"...

Suspirou. Um suspiro misto de ternura e desejo… E ele olhou-a com olhos de quem tem a fome do mundo dentro do peito.
Ela suspirou como se fosse tomar a vida no colo, Como se fosse entregar o coração junto com o corpo.
Mãos sôfregas… O obstáculo da roupa… Sempre que a tomava, ele ardia em pressa…
Os olhos dela eram lá longe, E o pensamento voava nas nuvens de um céu em fogo…
O peito arfava.
Cedeu, Ele sentiu que ela cedeu, Quando o recebeu. Quando húmida se deu.
Estava á procura, ela vivia á procura, Sem sair do lugar.
Amar… O que é amar? Seja o que for, amar é querer amor.
Quando ele a abraçou E a aconchegou, cansado, ao peito, Ela refugiou-se nele como gaivota num rochedo.
Pegou-lhe na mão e apertou, Sentia-se tão sozinha, com tanto medo! Lá fora a madrugada desenrolava-se em segredo.
Ele desviou os olhos encadeados pela luz do sol. E a imagem dela desfez-se na bruma do fim sabe-se lá de quê.
Ele não sabia que fizera amor com uma estrela do céu. Mas sabia que ela se dava como uma bacante louca, envolta em timide…

A alma a sorrir…

Ser feliz é um estado de alma. Estar feliz é obra de um momento. Sou feliz. Estou tão feliz!
Alegre, Divertida, Isso quase sempre fui.
Esperançosa, Optimista, Corajosa…
Mas feliz não tinha ainda sido.
Horas, Minutos de felicidade, Cheguei a ter.
Mas feliz de manhã á noite E no dia seguinte, E no dia a seguir a este dia… Não sabia que podia acontecer.
Acordar de noite com a certeza gostosa de que está tudo bem. E levantar de manhã com o coração a cantar, A alma a sorrir… Nem imaginava que pudesse existir!
Estou feliz.
Uma rosa branca para ti, papá. Uma rosa branca para ti, mamã. Vocês estavam enganados os dois, Bem me queria parecer.
O mundo pode ser um lugar delicioso para se viver. Somos felizes quando acreditamos que o podemos ser.
De vez em quando a tristeza vem ainda ter comigo, Naquele toque lascivo de caso antigo. Com os seus dedos trementes de prazer e agonia. E por breves momentos quase me tento a ir na sua companhia. Mas orgasmo chorado sei que não demora, e mando a tristeza embora.
Não é que seja cor de lara…

Um dó li tá...

Faz de conta… Pense depois, seja feliz primeiro.
Real. Imaginação. Anani, ananão… Um do li tá…
Faz de conta. Como num labirinto de espelhos. Imagens perdidas das suas imagens. Pessoas á procura de onde estão. Aquela sou eu, a outra não.
E se nenhuma delas for a minha versão? Nem a mais gorda, nem a mais magra, Nem a que melhor me fala ao coração…
E se eu for como os vampiros? Se não aparecer nos espelhos… Cara de amendoá… Quem está livre, livre está.
A quem amas na escuridão? Eu, ou imaginação?
Se a vida estiver dentro de um espelho...
Não me procures no reflexo que não sou eu. Encontra-me dentro daquilo que é meu. Mal-me-quer, bem-me-quer… Só mulher.
Faz de conta. E eu, como sei se és? Um aviãozinho militar atirou uma bomba ao ar… Em qual de ti foi parar? Como posso acreditar?
O mundo de mentira é mais bonito do que o verdadeiro...
Pares trocados… realidade invertida. Imaginação de faz de conta vestida. Amas o que pensas que sou. E eu amo a tua imagem reflectida.
Agora eu era o herói, e o meu cavalo só falava inglês…
F…

O outro lado do meu arco-íris

Reúne nele o melhor de cada amor que já tive…
A irreverência dos 16 anos. O toque de rebeldia, de inconformismo. O olhar maroto. Palavras que soam familiares de séculos para mim.
O carinho meigo e amigo, O gentil cuidado comigo. A forma doce de me dar a mão, de me abraçar. A ternura no estar. Tive amores parecidos em tempos idos.
Toque quente, Beijos gostosos. Caricias escaldantes… Vontade de fechar os olhos, De sentir a vida toda num segundo… Houve também quem me desse isso, E nisso estivesse contido todo o mundo.
Tenho vontade de passar horas a ouvi-lo falar para mim. Só meu pai sabia tantas coisas assim. E a voz dos dois, às vezes, soa a voz parecida… E tenho a mesma sensação boa de me saber protegida.
Toca-me, e derreto-me como gelado de chocolate ao sol de Verão. Encosta-se, e encontro-me no bater apressado do seu coração.
Como se estivesse a fazer amor com o melhor de cada um dos meus amores.
Mas é diferente de todos, é especial. Tem algo que mais ninguém tem igual. Junta nele tudo o que quero, amo e pr…

Podem quase tudo

Podem invadir a nossa casa, Revirar os nossos armários. Desarrumar a nossa mobília e confiscar o que quiserem.
Podem levar o nosso automóvel E requisitá-lo para serviço do que bem entenderem. E podemos vê-lo depois passar com outra gente lá dentro.
Podem congelar o nosso dinheiro no banco, Mudá-lo de dono e de nome. Deixar-nos pobres como Jó num só segundo de tempo.
Conseguem arrancar-nos dos nossos terrenos, Despojar-nos das nossas habitações. Tirar-nos para fora do nosso país. Podem tornar-nos apátridas indesejados nesse grande mundo. E mudar os nomes antigos e dizer que o que houve nunca existiu.
E podem bater no nosso corpo e torturá-lo. Obrigar-nos a confessar tudo o que nem sonhámos nunca fazer, Qual Winston de 84, numa ficção real a acontecer.
E violar as nossas carnes, E fazerem-nos aceitar em nós o que nem nome pode ter. Podem excitar o nosso sexo até nos inventarem prazer, E dizerem ainda depois que estávamos a querer.
E podem num requinte de malvadez atar as nossas mãos, Prender as nossas pernas…

No sangue quente, de quem é louca gente

Há muito tempo que estava guardada, de mim arredada. Escondida, arquivada.
Pensei que nunca mais… É como reencontrar uma velha amiga, irmã de sangue.
A loucura. Minha loucura.
Fugi dela há tanto tempo! Quis fazer de pessoa ajuizada. E quase conseguia, quase parecia curada.
250 g de açúcar, 250 g de farinha 1 colher de fermento pequenina… Uma pitada de deixa ser, Um cheirinho de bom que é viver
Quis crescer e quis parecer ser como os demais. Pessoas normais. Mas fui tão mais feliz nos loucos dias!… Tão mais! Loucura… Por ande andaste? Ao veres-te sem mim, por quem me trocaste?
Bom! Tão bom!... Chega perto, Encosta, Vem… Não esqueci como ser louca sabe bem!
Está no sangue. No sangue quente de quem é louca gente.
Louco é quem acredita em ser feliz. Quem pensa o que o coração diz… Abençoada insanidade que está na minha raiz. Nem irascível, nem dura. Doidice pura.
Alguma fada, quando nasci, me dotou com a benesse da loucura.
Quem me dera que me ames, quando me conheceres um pouquinho mais.    Que não te assustes, que …