sonhando, escrevendo e imaginando

sexta-feira, 8 de março de 2013

Esperança da madrugada


Não me chames,
Não me prendas,
Não digas nada.
Só te deixa ficar perto,
Para quando a tempestade estiver passada.

Eu estou acostumada.

Não tenhas pena dos meus gritos,
Nem te condoas com os meus ais…
Se nunca desceste aos infernos para ver os aflitos
Agora comigo vais.

Depois foge, não voltes lá nunca mais.

Quando eu tropeçar,
Deixa-me cair.
Quando eu chorar,
Deixa o meu choro sair.
Não sintas por mim o que é costume sentir.

Eu aguento o chicote que vai e torna a vir.

Fica comigo mesmo quando eu te mandar embora.
Fica á minha espera do outro lado da porta,
Senta… às vezes demora.

Esquece o relógio, esquece a hora.

Não sou filha do tempo,
Nem sou herdeira de nada.
Sou viajante perdida
Que entrou na madrugada.
Não tenhas pena de mim.
Espera-me só…
Mais nada.

Quando passaste por mim na rua,
E me viste de cara lavada,
Não tinhas como saber que estou sempre maquilhada.

Não sou só alegria,
Não sou só obra acabada.
Fico triste como a anoite
Sem precisar de quase nada.

Se mesmo assim me queres,
Espera por mim até a noite estar passada.

A única coisa que tenho para te dar, é a esperança da madrugada…

2 comentários:

  1. Não sou só alegria,
    Não sou só obra acabada.
    Fico triste como a anoite
    Sem precisar de quase nada.
    Se mesmo assim me queres,
    Espera por mim até a noite estar passada.
    A única coisa que tenho para te dar, é a esperança da madrugada

    Lindo, e dar esperança da madrugada é belo e profundo... bjinhos

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    1. É a única coisa que realmente se pode prometer a alguém... esperança de que a noite vá passar, e de que chegue a madrugada. Esperança, só, sem certezas, sem prazos, sem mais nada. Obrigada, Henrique! Beijinho da menina bonita:))

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