sonhando, escrevendo e imaginando

segunda-feira, 4 de março de 2013

Minha cidade bonita...


Era a cor do sol que queimava,
Ou era o céu que de tão azul ofuscava?…
Era um tudo que parecia nada…
Era a minha cidade bonita que eu amava.

Parecia que tudo era para sempre,
E parecia que o tempo não mudava…
Lembro-me de andar pelas ruas com o meu pai ,de mão dada.
Numa conversa só nossa que nunca acabava.

O cheiro…
O cheiro a terra molhada.
O som á noite dos grilos numa sinfonia inacabada…
Para onde foi tudo o que era para sempre,
No tempo em que o sempre ainda tardava?…

Minha cidade bonita!…
Enfeitada de acácias encarnadas…
Milhões de diamantes em estrelas penduradas.

Uma terra que era minha…
Um lugar que era minha casa.

Ainda não voltei, papá.
E o nosso Scala já não está lá.
A tua Fazenda já não é mais Fazenda.
O Marialva mudou o nome…
Deitaram abaixo o Dragão de Ouro…
Fecharam o Costa do Sol…
A marginal aonde passeávamos está muito estragada…

Mas eu sei que de onde estás,
Tu vês as mesmas ruas,
As mesmas estrelas e a mesma cacimba da madrugada.
Porque o Homem pode mudar todas as coisas que são suas,
Mas dentro do nosso coração
O Homem não consegue mudar nada.

Leva-me contigo ao café aonde íamos…
Vamos os dois a pé como fazíamos,
No tempo em que o tempo andava, e nós não sabíamos…
Não dávamos por nada.
Eu pequena, tu grande, os dois de mão dada.

“Para mim uma coca-cola e uma arrufada…”
Para ti um beijo maior do que qualquer estrada…
E olhamos os dois a nossa cidade bonita…
Perdidos no calor da nossa terra amada.

            Um dia… um sorriso por cada lembrança guardada…

2 comentários:



  1. Um dia… um sorriso por cada lembrança guardada…

    Bonito, bjinhos

    ResponderEliminar
  2. Beijinhos, Henrique! Obrigada! Ainda bem que gostaste!

    ResponderEliminar