Só outra vela apagada


Eu não quero presentes,
Nem brilhantes cravejados de diamantes.
Mas quero sentir-me segura e protegida.

Quero que quando o mundo
Vier para me agarrar,
Eu tenha alguém nesta vida que o faça recuar.

Quero nunca mais ter frio,
Nem tremer sozinha com medo.

E vou dizer-te um segredo…
Tantas vezes fico feliz
Com um dedo a enlaçar outro dedo…

Nunca te pedi passeios prolongados,
Nem jantares sofisticados,
Nem que me levasses a sítios nunca antes visitados…

Mas pedi-te
Que não me deixasses chorar
Quando o escuro começa a chegar.

E tu escolheste ignorar.

Não é qualquer um que paga o meu preço…
Porque eu quero tanto quanto dou.
Dama da noite sem fim nem começo…
É aquilo que eu sou.

Não imagines tabela para as minhas horas,
Nem faças cálculos de quanto vale um meu dia…
Não há fortuna que chegue para comprar a minha alegria.

Se eu conseguir sobreviver até a noite estar passada,
É sinal de que posso continuar sozinha,
Sem ter que pedir nada de nada.

Se o sol nascer,
e me encontrar ainda acordada,
É porque tive em mim força para fazer
Nascer do escuro,
A mais linda madrugada.

E tu podias ter sido mais
Do que só outra vela apagada.

Podias ter sido tudo,
E ficaste sendo quase nada…

Comentários

  1. lindo ..fascinante preces de uma mulher apaixonada pela vida e não pela riquesa mas sim o que a vida tem de sublime ...AMOR ...TERNURA ...E...CARINHO

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    1. Obrigada, Antonio Candido Pinto. Tantas coisas bonitas na vida, tanta gente a querer colocar preço em tudo...Será possível negociar com diferentes moedas de pagamento? Beijinhos.

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    1. Que bom que gostaste, Antonio. Quase tudo passa a quase nada, num instante. Mas a mesma aragem que sopra para apagar, pode servir também para incendiar.Beijinho para ti

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  3. Serei bem simples,aliás como os versos que embora tocantes e reais de uma mulher que busca ...e que aparentemente não o encontra,tem-no absolutamente ao seu alcance,busca-o mesmo.Vc.tem muito para dar,achei bonito e mais tão gostoso porque tens para dar e receber.

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    1. Obrigada, José Rui. A estrada da busca já é antigo caminho meu. Já bati, e percorri, essa estrada de cima abaixo nem sei quantas vezes. De vez em quando meto por um atalho, por uma ruela... mas volto. Acabo sempre por voltar à estrada principal:)) Beijinhos, obrigada pelo comentário!

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  4. Podias ter sido tudo,
    E ficaste sendo quase nada…

    Coitado não sabe o que perdeu... bjinhos

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    1. E talvez não tenha perdido... só é nosso o que para nós tem que ser. Talvez sejamos miragens emprestadas na vida de quem não pertencemos... Talvez...
      Beijinhos da menina bonita para ti, Henrique! Obrigada pelo comentário.

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