Aprende a esperar


Falta muito para o Natal? Falta?
Aprende a esperar, filha…

Ecos…
Vindos de longe,
De dentro de outro tempo…

Quantos dias? Quantas noites?
E se eu fechar os olhos e acordar lá?

Posso adiantar o relógio?
Riscar os dias no calendário? Posso? Posso?

Nada disso trará o Natal mais depressa.

Existem coisas no mundo
Que não consegues influenciar…
O caminho da vida só se faz a andar.

Mas e se toda a gente julgasse que agora é Natal?...

O fumo volteava no ar, em forma de espiral,
A brasa vermelha chupada alargava, morria, crescia…
Aquele cheiro gostoso de tabaco de pai!…

Ainda que todos cressem ser Natal, ainda assim não o seria.
Só quando chegar o dia.

E eu cá de baixo pensava que ele podia.
Podia fazer chegar tudo o que queria.
Se perdesse aquela sensatez,
A tal compostura que sempre lhe via.

Caramba! Tanto que eu queria!!

Nunca encontrei tamanha calmaria.
Nunca aprendi a esperar o que seria…

Ah, se eu pudesse!

Entrava no castelo encantado do tempo,
Abanava-o pelas bases e depois logo via…
Natal, felicidade, amor, tudo viria!

Aprende a esperar, filha
Tudo vem quando chegar o dia.

            Saudades, papá, da tua companhia…

Comentários

  1. Bonito, sentimental mas verdadeiramente amoroso!!! Bjinhos

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    1. Obrigada, Henrique! Que bom que gostaste! beijinhos!

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  2. Que lindas poesias, andei dando uma passeada por teus versos e estão verdadeiramente belíssimos, nesta última, assim como as outras, lembra-me muito uma poetisa brasileira que amo muito, Cecília Meireles, conheces? Pertenceu ao movimento modernista do Brasil, mas os versos traziam no fundo um romantismo e nostalgia que mais lembravam a escola romântica...
    Realmente nasceste para escrever.Beijos, Cristina.

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    1. Olá, querida Cristina!
      Fico muito contente por teres gostado, minha leitora mais antiga!... Não conheço a obra de Cecília Meireles, se bem que o nome não me é nada estranho. Devo ter lido aqui e ali alguma coisa dela... Vou ver se descubro mais. Depois digo-te alguma coisa!
      Um beijinho muito grande para ti, e que esteja tudo a correr muito bem!

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  3. E com esta também me fizeste lembrar do meu pai (não que eu me esqueça muito dele) e meteste-me de lágrimas nos olhos e de saudade apertada!

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    1. E naquela altura parecia que eles iam durar a vida toda! E parecia que o mundo ia ser sempre assim, um lugar aonde nos iam proteger e cuidar... Nem imaginas a quantidade de vezes que me lembro do meu pai, São! A falta que ele me tem feito...

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  4. Também o meu... quando as minhas filhas nasceram então... mas com ambas fiz o mesmo: à noite peguei nelas, levei-as à janela e, uma sob um céu gelado de Inverno, a outra sob as estrelas do Verão, apresentei-as ao avô! Algo me diz que ele as viu... :)

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