sonhando, escrevendo e imaginando

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Eu volto qualquer dia


Volta depressa, ele pediu…Volta depressa…
E ela assentiu, distraidamente. Claro, depressa…

Todos os dias ele colava os olhos e as esperanças na janela.
No toque desejado da campainha…
E a ideia sempre à espera dela,
E ela nunca vinha!…

Porque o tempo não passa à mesma velocidade para quem tem mais idade.

Volta depressa…
Ou posso já cá não estar.
Teria gostado de acrescentar.
Impediu-o um assomo de dignidade, de orgulho…
Mendigar carinho, não!
Esperar…

E já não espreitava á janela.
Já nem o deixavam levantar da cama!...
Aonde estava, quando viria ela?

Então, será hoje?
Perguntavam carinhosamente.
Que sabiam deles aquela gente?
Não foram eles que a cuidaram,
Nem sabem o quanto passaram!
Hoje ou amanhã, que importa?
É certo que vou tê-la ali a entrar a porta.

Que não o olhassem!
Que não o lamentassem!
Toda a vida fora assim.
Orgulhosamente de nariz no ar.
Ser velho não é que o ia mudar.

Ela má? Não é que fosse má...
Era jovem.
Tantos planos que mal cabiam na vida…
Tanta coisa nova a ser vivida.

Ele é rijo, dizia ela a quem a ouvia.
Está para durar, e mal ela sabia.

E finalmente voltou.
Esperou por si tanto quanto podia…

Volta depressa…
Eu volto qualquer dia…

Porque nunca sabemos quando é a última vez…

2 comentários:

  1. Respostas
    1. Beijinhos para ti também, Henrique! E muito obrigada pelo comentário!

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