sonhando, escrevendo e imaginando

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Mania de acreditar...


Seria um dia igual a qualquer outro dia,
Se não fosse mais um dia em que ele tinha combinado aparecer…

Desde cedo, ela o esperava.
Lavada, perfumada, a mais bonita roupa vestida.
Já não era a primeira vez… e mesmo assim ela esperava…
Ele hesitava, vinha e não vinha.
Prometia e desistia, ganhava coragem e recuava.
Como um menino assustado que tem medo de atravessar a estrada.
Ela esperava.
Como sempre, acreditava

E as horas passavam num desdobrar preguiçoso de tarde que nada tem para oferecer.
E os longos cabelos molhados da manhã estavam secos agora.
E o cheiro a lavado de sabão fresco, perdia-se no tempo que deslizava.

Ele tinha dito que vinha.
Ela esperava.

Outra fosse, e há muito que o tinha posto com caminho.
Que o tinha despachado, deixado a falar sozinho.
Outra fosse que mesmo que ele a quisesse agora, dela só encontrava o lugar, e a saudade na boca. 
E o amargo no coração, de a ter deixado ir embora.
Outra fosse, que não ela…
Porque ela esperava.

E insistia, e perguntava, e confiava.

E a cada pergunta que ela lhe fazia, e que ele não respondia,
mais certo era já que não vinha.
Que nalgum recanto do mundo, estava escondido com medo, enrolado em segredo.
A odiar cada segundo…
A odiá-la a ela que perguntava,
Que o atormentava.

Porque pior ainda do que ele saber que não tinha coragem,
Era aquela certeza, assim, escarrada,
De que ela ainda estava lá.
De que não era zangada…

Porque era tão mais fácil se ela o insultasse, se não lhe falasse!…
E assim ele podia dizer, como costumava fazer,
que a culpa era da vida, do que tinha que ser…
Que se fosse para ser, tinha acabado por acontecer.

Como era bom se pudesse ele ter esse sossego, esse descanso!
Mas não!
Ela esperava!
Malvada, ela! E chamava!
Pior ainda… acreditava!…

Porque carga de água a vida tinha que lhe ser tão madrasta?
Porque é que ela não era só mais uma mulher igual às suas outras,
Que se iam caladas, amuadas,
Que o deixavam em paz,
Às voltas com os seus fantasmas?

E quando a noite caísse,
Ele voltava a procura-la…
Num desejo de paixão
Que não controlava.

Ela ouvia tocar o telefone, e hesitava…
Do outro lado da linha, aceso e quente, agora ele esperava…

2 comentários:

  1. Olá, intenso e ... faz pensar... bjinhos

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    1. Olá, Henrique! Faz pensar,sim... quem amamos nós afinal? Porque temos tanto medo de sermos felizes?
      Obrigada pelo comentário! Beijinho da menina bonita para ti

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