sonhando, escrevendo e imaginando

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Só para nós, eles são especiais...

Se ele cair,
Não corras logo a apanhá-lo do chão…
Não o faças apoiar-se na tua mão…
Deixa que aprenda a levantar-se sozinho.

Para o mundo, ele é só mais um menino.

Como vai ele fazer para se erguer,
Quando não estiveres mais para o socorrer?

Beija-o e mima-o,
Isso pode ser.
Mas nunca o impeças de voltar a correr.

Se resvalar e esfolar um pedacinho da alma,
Aquela alma que ajudaste a formar,
Não corras logo para o resgatar.
Ele tem que saber que decisões tomar.
Tem que ser ele a escolher por qual caminho optar

Amar não é impedir de viver.
Amar é proteger,
Mas é também deixar acontecer.

Não penses que ele vai compreender,
Que te vai agradecer.

Ele vai é crescer!

E não vai caber mais no teu colo protector…

Deixa que lide com a raiva e com o amor.
Deixa que gema de prazer, e que gema de dor.

Não vai morrer se chorar um bocadinho…

Para os outros, ele não passa de mais um menino.

Só para nós, eles são especiais,
Para o resto do mundo, são como os demais.

E toda a gente chora,
Toda a gente tropeça e cai.
E a vida não pára, a vida vai.

Deixa que ele aprenda como se levantar.

E toma tu conta do teu próprio caminhar…

terça-feira, 28 de maio de 2013

Saudades de ti...

Sabes de que tenho saudades?
De quando conversávamos até de madrugada…
Conversas a sério…
Não estas brincadeiras que fazemos agora
De tu dizeres uma coisa e eu outra em resposta.

Foi assim que comecei a gostar de ti…

Sabes de que tenho saudades?
De quando me acontecia alguma maldade
E o mundo me fazia chorar,
E eu te mandava uma mensagem
E tu respondias com um beijo…

E bastava para doer menos…

Parece que foi há cem anos!
Tempo demais!

E fazias-me rir, e fazias-me sonhar.
E perdia-me na vontade de te beijar…

Até quase o dia começar…
De telemóvel na mão…
O coração a palpitar
Quero lá saber se para ti não era namorar…

Nomes são palavras,
E palavras são quase nada.

Sabes de que tenho saudades?
De ti.
De quem imaginei que fosses.
De mim…
De mim quando acreditava que eras o que eu sonhava…

De nós.
Nós, que nunca chegámos a ser nós…
Nós, que foi só uma miragem no deserto da minha solidão…
E no da tua solidão…

Não quero trocar meia dúzia de disparates com uma imagem que ri para mim.
Não tenho que provar que sou ardente,
Fogosa…

Quero de volta o que éramos
Quando não me sentia um macaco a pedir amendoins…

Sabes de que tenho saudades?

De quando comecei a gostar de ti…

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Aquela sensação...


Sempre em busca da sensação da primeira vez…
Doce, selvagem, profunda embriaguez…

A comparar…
Não compares!
Não é justo…

Coisa gostosa que enchia o corpo,
Que atravessava a mente,
Que deixava um torpor delicioso no coração…

Ninguém precisava saber que eu era de alguém.
Sentia-se ao longe.

Estás feliz!

Lia-se no brilho dos meus olhos.
Via-se na forma como o meu peito subia, e descia…
Subia e descia…
Adivinhava-se na dança balançada do meu caminhar…

É isso que busco.

Aquela sensação…
Chamem-lhe Amor, chamem-lhe Paixão…

Gosto saboroso de ter.
De ser.
De pertencer.

Experimento.
Tento.

Sempre tento.

E nunca é igual.

O mal não está no produto,
Diriam amigos meus que o tempo levou, mas não fez esquecer…
O mal está em quem consome,
Em quem se deixa agarrar sem perceber.

Culpa de quem me deu o paraíso e mo obrigou a devolver.

Porque eu não sabia que existia.
Não sabia que era isso que eu queria…
Até me ser dado a conhecer.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Quero que estejas bem...


Quero que estejas bem.
Que estejas tranquila, serena e em paz.

Em mim ardem todos os vulcões do mundo.
Como posso acalmá-los? Como se faz?

Quando é que vais perceber que me gostas assim?

Tu amas a loucura com que atravesso os meus vendavais.

Amas os meus beijos que não sabem aos demais,
E amas as minhas caricias que são viciantes, que excitam mais.

O que te fascinou foi aquilo que eu sou.

Selvagem e abandonada…
Coquete dama da noite, doce virgem intocada.
Sedutora e provocante, inocente menina assustada…
Como uma história que nunca tens toda contada.

Foi isso que gostaste em mim.

Já te perdeste noutros gemidos,
E já gozaste nos braços de outras mulheres.
És charmoso e bonito,
Podes ter as paixões que quiseres…

Mas como eu assim?
Ah, podes procurar,
Que só me vais ter a mim!

Mulheres insonsas e enjoadas
Existem em mil formas variadas.
Mulheres que dizem o que queres ouvir,
Que vão embora quando as mandas ir.

Mulher que fique e te deixe ficar,
Que te dê o céu e o inferno no mesmo beijar,
Tem que ser como eu,
Sem paz no olhar.
Sem serenidade no amar.

Quando é que vais perceber que gostas de mim? E por eu ser assim.

Quero que estejas bem.
Estou.
Vem…

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Nada está garantido


Cresci como toda a gente.
Rodeada de coisas que iriam ser minhas.

Minhas as ruas,
Minhas as tias e primas…
Minhas, tão minhas, para sempre.
Coisas simples, pequeninas…

Como as bonecas antigas da sala
Que também eram minhas.

O mundo todo à minha frente
Ordenado e estruturado.
Todo um futuro adivinhado…
Escola, amigos, um dia um namorado…

A princesa do papá numa terra que me queria.
Certeza tranquila num mar raso de calmaria.

Mas nada é de ninguém,
Nem as coisas,
Nem as pessoas,
Nem a vida também.

E nada está garantido,
Tudo muda de mãos, tudo perde o sentido.

Perdeu-se no ar.
Mais depressa do que me consigo lembrar.
E não sobrou nada do tudo que era para ficar.

Sem chão, sem lugar.
O mar deixou de estar ao fundo de cada rua…
O mar escondeu-se de mim…
Menos estrelas, pálida a lua…

Aonde estão todas as pessoas que faziam os meus dias?
Para que lugar do mundo a vida nos atirou?
Qual o nome do Deus que nos abandonou?

Vou de férias à terra…
E eu nem terra já tinha…
Vou de férias à terra…
E eu fiquei sem a minha.

Um dia havemos de voltar.
E ele acreditava quando dizia.
Ou fingia…

Voltar ao tempo em que as coisas eram eternas… eu queria…

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Não me peças para escolher cortinas!


E pediu-me para escolher cortinas…

Já escolhi!

Cortinas, tapetes, adereços completos.
Já pendurei candeeiros brilhantes nos tectos.

Vivi a história de amor dos cinemas,
Que começa quando o filme acaba.

Casei e fui feliz.
Nem sempre feliz.
Nem tão feliz assim.

Mas já escolhi cortinas.

Agora quero outro sonho que seja diferente.
Não quero os mesmos sonhos de adolescente.

Ainda quero um amor que fique comigo para sempre.
Mas só enquanto for um amor gostoso e quente.

Sonhos de mocinha, vivi-os todos.
Todos quantos quis!

Agora só quero é ser feliz.

Não sou a mesma mulher que fui aos dezanove anos.
Não me satisfaz o conforto dos panos…

Nem tapetes, nem lençóis de cama.
Nada disso é preciso quando se ama.

Aprendi a amar a claridade que entra pelas janelas sem cortinas.
E descobri que vida sem aventura,
É Carnaval triste brincado sem serpentinas.

No meio do meu nada ter,
Já não tenho receio de morrer,
Sem ter algum dia voltado a viver…
Do jeito que é só meu,
Que só eu sei fazer.

Não trocava um dos meus dias inseguros de agora,
Aonde o amanhã está sempre envolto em incerteza,
Por um ano dos de antes…
Quando estava garantida, resolvida,
Mas perdida de mim, mergulhada em tristeza.

E não me peças para escolher cortinas!

sábado, 11 de maio de 2013

Eu não quero morrer velhinha


Eu não quero partir muito tarde.
Não quero morrer velhinha.

Não quero que me ponham na janela a ver o mundo passar,
A espreitar as ruas aonde fui rainha,
A recordar uma vida que foi minha.

Não quero olhar o sol através de vidros fechados.
E queimar com o seu ardor,
Mas não poder tocar no calor.

E não quero ouvir o tique-taque das horas a passarem devagar.
E sentir o barulho que fazem os dias a rolar.
Nem que me dêem comer por uma palhinha
Nem que me digam porte-se como uma linda menina…

Não quero os olhares de piedade
De enfado ou de cansaço.
Quero ser livre em qualquer idade.
Quero ser dona de qualquer abraço.
E por cada lugar que passo
Deixar uma flor para depois levar no meu regaço.

Eu não quero partir muito tarde.
Não quero morrer velhinha.

Nem quero que me vistam de trapos esfarrapados,
Porque já não tenho força para remendá-los.
Nem que me calcem de chinelos porque me incham os tornozelos

Não.
Prefiro ir enquanto puder levar lembranças gostosas da vida.
Prefiro ir enquanto vou recordar o sol, o vento, o mar.
Antes quero ir enquanto me sabe bem ficar.

Por isso não me chores,
Não me lamentes
Se ela me vier buscar.
Talvez seja uma escolha minha…

Eu não quero morrer velhinha.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Escolhe um homem...


Escolhe um homem.
E eu escolhi.

Um que me pareceu atrevido e valente.
E amei-o pelo que tinha de ousado, de aventureiro.
Amei-o porque me levava a cavalgar o vento…

Escolhi depois um doce e meigo.
E gostei dele porque tinha a serenidade das marés em dias de calmaria.
Porque me descansava de perigos e correrias…

E entre um e outro
Fui tomando os escolhidos.
Alguns porque eram proibidos.
Uns pela curiosidade,
Outros, porque me deu vontade.

Escolhe um homem.
E eu escolhi.

E ele veio.
Inteligente, sedutor, cheio de sol e de vida.
E foi mais forte do que tudo tinha sido.
Amei-o porque me recordou que o amor existia,
Numa altura em que eu já nem de mim sabia.

Paixões, desejos…
Misturas confusas de emoções.

Quem tem culpa é aquela parte malandra de mim.
Eu nos meus melhores dias.
Eu quando gosto de fazer ousadias…

Escolhe um homem.
E eu escolhi.

Mas já me calhava bem parar de escolher…
Porque até os potros selvagens cansam de correr…

Montada em pelo.
A crina rebelde num novelo.
Sem rédeas nem esporas para me parar…

Se eu desistir de correr,
Tu tens coragem para me vir buscar?
E levas-me para ti assim como sou…

Aceitas-me sem me quereres domar?

Não respondas com sensatez, não desta vez! 

quinta-feira, 2 de maio de 2013

O inferno no coração


Bonita…
Não sei…
Mas diferente, sim.

Apetitosa aos olhos,
Tentadora para as mãos…

Com o inferno no coração.

De vez em quando acredita, esquece a profecia maldita.
E deixa o sol entrar…

Porque apesar de tudo, nunca deixou de sonhar.

Nalgum lado do mundo tem que estar escondido
Tudo aquilo que foi prometido.
Se fores uma menina linda, se te souberes comportar…

A vida deu-lhe essa estranha mania de confiar.

Como um cãozinho perdido que vai atrás de quem não o desanca á paulada.
Que julga ter encontrado um abrigo em cada pedacinho de pão.
E depois percebe que afinal não encontrou nada.

Bonita?
Não sei…

Mulher bonita não transporta o inferno no coração.

Mulher bonita sabe sempre quando dizer sim, quando dizer não.
Sem medo de magoar,
Não é este lixo ambulante que vive a hesitar.

Ficou escuro de repente na sala da minha alma.

E tenho medo.

Fecharam-se as portas e desapareceram as saídas de emergência.
Não eram saídas a sério, oh cabecinha tonta!
Era tudo só imaginação.
Lá fora ninguém quer saber se escapas ou não…

Bem no cantinho da parede,
Escorrego sobre mim mesma e deixo-me chorar.
Isso não te serve de nada, vais ter que te levantar.

Se não se acenderem as luzes, não sabem aonde me encontrar.
“Quando a bola não ressalta, não se pode jogar.”

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Diferente de todas as mães...


Ontem estive lá…
Na Mata de Benfica.

Sempre que vou lá, é como se estivesses ainda.

Aquela rua muito inclinada, que subíamos devagarinho…
Lá ao fundo as mesas de pedra…
Essa não, a outra mais abrigada…
Chapéus nas cabeças, meninas!
Não vos quero afastadas!

Estava tudo vazio, mamã.
Nem famílias, nem namorados,
Nem jovens encostados…
Como havia no nosso tempo…
No tempo em que eu era menina.
Toma conta da tua irmã pequenina…

Lembro-me tão bem!...
Frango assado,
Arroz de chouriço,
Batatas fritas, pão… claro, pão!
Tu adoravas pão…
E melão.
Sempre levavas melão.
Sumo em pó misturado em água semi-gelada…
Um banquete!
Tanta conversa inacabada…
Um dia de fome adiada.

Ensinaste-me a sonhar.

Ensinaste-me que o bolor de quatro paredes quase arruinadas,
Não é o suficiente para nos manter fechadas.
Mostraste que podemos lutar,
Que podemos não aceitar.
Mesmo que seja só fazendo um piquenique na mata.
Vale mais um dia de bem comer,
Do que uma semana só a sobreviver…

E se hoje sou essa mistura louca
De mulher crescida e menina de cabeça oca,
É porque te tive na minha vida,
Mamã querida.

Tão diferente de todas as mães!
Tão diferente de qualquer mulher que já conheci…

Deixei o chapéu voar…
Olhei para te ver, já não te vi…