sonhando, escrevendo e imaginando

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Diferente de todas as mães...


Ontem estive lá…
Na Mata de Benfica.

Sempre que vou lá, é como se estivesses ainda.

Aquela rua muito inclinada, que subíamos devagarinho…
Lá ao fundo as mesas de pedra…
Essa não, a outra mais abrigada…
Chapéus nas cabeças, meninas!
Não vos quero afastadas!

Estava tudo vazio, mamã.
Nem famílias, nem namorados,
Nem jovens encostados…
Como havia no nosso tempo…
No tempo em que eu era menina.
Toma conta da tua irmã pequenina…

Lembro-me tão bem!...
Frango assado,
Arroz de chouriço,
Batatas fritas, pão… claro, pão!
Tu adoravas pão…
E melão.
Sempre levavas melão.
Sumo em pó misturado em água semi-gelada…
Um banquete!
Tanta conversa inacabada…
Um dia de fome adiada.

Ensinaste-me a sonhar.

Ensinaste-me que o bolor de quatro paredes quase arruinadas,
Não é o suficiente para nos manter fechadas.
Mostraste que podemos lutar,
Que podemos não aceitar.
Mesmo que seja só fazendo um piquenique na mata.
Vale mais um dia de bem comer,
Do que uma semana só a sobreviver…

E se hoje sou essa mistura louca
De mulher crescida e menina de cabeça oca,
É porque te tive na minha vida,
Mamã querida.

Tão diferente de todas as mães!
Tão diferente de qualquer mulher que já conheci…

Deixei o chapéu voar…
Olhei para te ver, já não te vi…

7 comentários:

  1. Deixei o chapéu voar…

    Olhei para te ver, já não te vi…

    ... eu ofereço-te um chapéu.... bjinhos

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    1. Oferece sim, Henrique... como os da minha infância. Com uma fita larga a toda a volta, de palha... alguns tinham uma rosa de plástico. Pena... sempre me voaram os chapéus.
      Beijinho muito grande para ti, da menina bonita. Obrigada!

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  2. Lindo poema.fantastico gostei muito...

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    1. Obrigada, Victohyper! Beijinho para si:)

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  3. Devemos ter brincado juntas, de certeza... tantas vezes que lá ía com os meus pais! E que saudades tenho... da mata, de brincar, de voar nos baloiços, de atirar pão aos patos, de ser criança e ainda ter os meus pais!!!

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    1. Devemos ter brincado juntas, sim, São... A Mata está quase na mesma. Mesmas as árvores, mesmas as ruas, só as pessoas são diferentes. Vazio, tudo tão vazio! Aonde parará a juventude de hoje em dia? Lembras-te do drugstore, aquele do salão de jogos? A quantidade de pessoal encostado nas montras da Nilo? Os pátios dos prédios, os bancos de todos os jardins... Vazio... tudo vazio. Acho que Benfica perdeu a graça quando crescemos...

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  4. Também já reparei nesse deserto de gente! Aqui há uns anos, juntou-se um grupo de amigos, mais a criançada e fomos fazer um piquenique na Mata... correu mal: devem estar tão pouco habituados a ter lá gente que trancaram os portões connosco lá dentro e foi um sarilho conseguirmos sair! Aquilo foi polícia, gente da Junta, tudo em busca de uma chave misteriosa que abriria o portão dos fundos!!!

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