sonhando, escrevendo e imaginando

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Nada está garantido


Cresci como toda a gente.
Rodeada de coisas que iriam ser minhas.

Minhas as ruas,
Minhas as tias e primas…
Minhas, tão minhas, para sempre.
Coisas simples, pequeninas…

Como as bonecas antigas da sala
Que também eram minhas.

O mundo todo à minha frente
Ordenado e estruturado.
Todo um futuro adivinhado…
Escola, amigos, um dia um namorado…

A princesa do papá numa terra que me queria.
Certeza tranquila num mar raso de calmaria.

Mas nada é de ninguém,
Nem as coisas,
Nem as pessoas,
Nem a vida também.

E nada está garantido,
Tudo muda de mãos, tudo perde o sentido.

Perdeu-se no ar.
Mais depressa do que me consigo lembrar.
E não sobrou nada do tudo que era para ficar.

Sem chão, sem lugar.
O mar deixou de estar ao fundo de cada rua…
O mar escondeu-se de mim…
Menos estrelas, pálida a lua…

Aonde estão todas as pessoas que faziam os meus dias?
Para que lugar do mundo a vida nos atirou?
Qual o nome do Deus que nos abandonou?

Vou de férias à terra…
E eu nem terra já tinha…
Vou de férias à terra…
E eu fiquei sem a minha.

Um dia havemos de voltar.
E ele acreditava quando dizia.
Ou fingia…

Voltar ao tempo em que as coisas eram eternas… eu queria…

2 comentários:

  1. Respostas
    1. ...tantas e tantas, que mal cabem no peito. Um dia, se voltarmos, vamos ser tantos que teremos de ir pendurados nas asas dos aviões:)) Era o que o meu pai dizia...
      Beijinho, Henrique! Obrigada!

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