sonhando, escrevendo e imaginando

sexta-feira, 28 de junho de 2013

E agora...

Oito horas da manhã e eu ia a caminho da praia.

E já o mundo tinha acabado para alguém.

Na estrada,
Caído,
Desamparado..

Sem perna,
Sem braços…
O sol da manhã morto nos olhos baços…

Quantas palavras deixou por dizer,
quantas coisas ainda por fazer…

Inerte, sem se mexer.

Talvez para o ano faça…
Talvez para próxima vá ver…
Agora não posso.
Tenho compromissos,
Horários,
Problemas por resolver.

Quantas mulheres deixou por beijar,
Quantas loucuras por realizar,
Porque não era o mais adequado.
Porque gente crescida tem o futuro planeado.

E agora…

Todo arrebentado.
Pedaços de carne vermelha por todo o lado.
O trânsito horrorizado, parado!

E ele com todo o tempo do mundo, quieto num vazio profundo…

Sem capacete, sem sapato, sem nada.
Como um pobre bicho vadio esborrachado na estrada.

É para isto que temos tanto cuidado?
Tanto juízo, tanto sizo, tanto sonho adiado?…

Se ele tivesse sabido antes de sair…

Ah, se a minha avó soubesse, ainda hoje era viva!...

Viva também não digo.

Mas mais feliz sim… isso tinha sido!

6 comentários:

  1. Bom dia...

    Um texto emocionante que diz grandes verdades. A estrada hoje em dia é um perigo permanente.
    Acidentes graves, mortes, pessoas estropiadas, tudo acontece por desleixo de quem conduz, sinalização, cansaço, entre outros factores

    Fique feliz
    ********************************
    Gostava que me visitasse(m)

    http://pensamentosedevaneiosdoaguialivre.blogspot.pt/

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    1. Boa noite, Ricardo
      É assim mesmo como diz. Tantas são as causas que determinam os acidentes, e tão imprevisíveis eles são, que o melhor que podemos fazer é ir aproveitado a vida enquanto estamos bem, e de saúde:)
      Obrigada, e fique feliz o Ricardo também! Beijinhos!

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  2. Olá.
    Profundo, e uma realidade de vida.
    Emocionou-me.
    Beijinho

    Visite-me:http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/2013/06/passear-pela-natureza.html#comment-form

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    1. Beijinho, Cidalia!
      Obrigada pelo comentário! É uma realidade bem triste, mas não há como fugir dela, de facto.

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  3. Respostas
    1. fiquei tão triste naquele dia, Henrique!... fez uma pena tão grande ele ali deitado no chão.. Era meu vizinho. Soube dias depois, deixou duas filhas pequeninas, mulher... tinha 32 anos. Morreu, claro.
      Beijinho grande para ti, da menina bonita. E obrigada <3

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