sonhando, escrevendo e imaginando

terça-feira, 23 de julho de 2013

Eu não era eu, se não tivesse um "antes"

Encontrei de novo aquela coisa boa…
Vontade de rir á toa…

Tão bom estar contente!
De bem com toda a gente!

E as pessoas lá fora
Notam que estou bem agora.
Vêem-me sorrir…

Como quem está a fazer amor no coração.
Com paz no espírito, e o corpo a queimar de tesão.

Coisas gostosas são coisas simples.
Paixões boas são as que nos acariciam, que nos fazem suspirar.
As que nos incendeiam ao tocar, ao pensar.

E eu estou bem.
Estava com saudades!...

Até o Sol parece mais quente.

Encontrei de novo…

E não lamento nada de antes.
Eu não era eu, se não tivesse um antes.

Nem os meus beijos tinham o mesmo sabor,
Nem o meu corpo tinha o mesmo ardor,
Se não tivessem havido outros, antes deste amor.

Lágrimas,
Esperanças,
Alegrias e decepções torneiam a nossa alma.

Fazem com que passemos a saber gostar com calma.

Não estaria aqui se não tivesse passado por ali.
Tinha seguido para outros lugares.

Não me sujei, não me estraguei.
Só amadureci, para mais doce, me tomares.

Estás a ser o mais delicioso amor que já fiz.
O melhor aconchego que já quis…

Estou muito, muito feliz.

Beijinho de esquimó, beijinho com o nariz

sábado, 20 de julho de 2013

Não vou ficar assim.

Não quero ficar assim!

Mulheres tristes, enrugadas, pesadas…
Cabelos entrançados em farripas complicadas…

Não vou ficar assim!

Falam das doenças em comum, dos remédios a tomar…
E comparam receitas que têm para aviar.
Conhecem pelo nome todos os médicos, que têm a infelicidade de as aturar…

Eu não vou ficar assim!

Desanimadas, sem graça.
Os olhos sem brilhar.
Para onde foram as gargalhadas, os risos?
Que Génio lhes guardou as almas numa lâmpada por esfregar?

Têm barrigas enormes de uma prenhez que não quer acabar.
E têm seios gordos aonde cabem litros de leite, pendurados a abanar…
Porque não querem já saber.
Mal se conseguem olhar.

Não. Nunca vou ser assim!

Espiam de lado quem levanta vento ao caminhar…

E à noite, não têm desejo. Têm sempre mau-estar que vai passar.
E ignoram os maridos como se eles fossem sombras a estorvar.
Admiram-se depois quando eles vão embora.
Ou quando eles ficam, mas ficam sem lá estar.

Não dão pela vida a rolar.

Ah, mas não vou mesmo ser assim!

Usam bata de andar por casa, durante toda a semana…
E de manhã cedo compram o pão ainda de pijama…

E não são felizes, fazem parte de um rebanho que só reclama.

Os anos hão-de passar também por mim, de forma igual.
Não há retrato de Dorian Gray na vida real…
Mas não hei-de ser um fóssil com movimento.
Nem vou deixar perder o bom de cada momento…

Mesmo muito velhinha, vou ser sempre igual a mim.
Cheia de sonhos e de alegrias, e de loucuras sem fim.

Nunca vou ser como elas, triste, sem brilho nos olhos, assim!

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Estou a gostar de ti...

De olhos marotos…
Que me pareciam tristes quando eu não os olhava de perto…

De barba grisalha…
Que adivinhei macia ao toque, gostosa entre os dedos.

Sorriso…
Meigo sorriso.
Maneiras…
Brandas maneiras…

Charmoso.

A farda
Eu gosto da farda, que nem farda é.
Cresci com uma assim ao pé.

Gosto…
Do fato completo, da camisa engomada, da gravata…
De quando tiras a gravata…

É bom quando pões junto do meu, o teu rosto…

Estou a gostar de ti…

Sabe bem quando me abraças.
E sabe bem quando me beijas.
Sabe bem vestir-me só de mim, para que me vejas.

Moreno...
Como é moreno o sangue quente de sol que trago em mim.

Fazes-me feliz a cada vez que penso em ti…

Não desistas de me gostar.
Não me percas de vista.

Admiro quem tem ousadia de ir à conquista.
Quem não fica só a desejar, nas sombras a cobiçar…

Dá-me prazer ver um homem com coragem.
Coragem de ir buscar para si, a mulher que quer.
Coragem de se chegar, de lhe falar abertamente na rua.
De a fazer sentir-se rendida, sua.

Sem truques, sem complicações.
Sem manipulações, nem ocultas intenções.

Há muito tempo não tinha um amor assim…

Só de nós dois, coisa entre ti e mim.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Como um troféu

Como um troféu.

Que se ergue, que se mostra
Como símbolo da conquista.

Uma medalha,
Ou uma taça… um prémio.

A prova de que afinal não havia pecado.
Inocente de tudo o que era pensado.

Não gosto.

Gosto de brilhar.
E gosto de ser vista,
Porque sou vaidosa, às vezes tola, ás vezes arisca…

Mas não gosto de ser exibida.
Nem mostrada,
Muito menos usada.

Tudo que parece bom demais para ser verdade,
Quase sempre é bom demais para ser verdade.
E tudo o que é exagerado,
Costuma ser falso, mentiroso e inventado.

Sentimentos não são gigantes que se vangloriam.
Bem-querer não é algo de que nos gabemos todo o dia.

Amor é sem razão,
Sem planos.
Paixão é a qualquer hora,
Mesmo que fora do palco da vida.
Mesmo que sem ninguém para olhar e comentar.

E o que fazemos quando gostamos de alguém,
Fazemos porque sabe bem.
Não nos lembramos depois,
Nem apresentamos facturas que não se conseguem pagar.

Cada qual tem o seu jeito de amar…

Mas há quem busque algo que não tem nome para chamar.
E há quem procure por coisas que não está na mão de ninguém dar.

A vida é como um jogo de que nem sempre sabemos as regras.
Entre duas pessoas adultas não tem que haver limites, nem barreiras.
Mas é preciso que os dois vejam o jogo da mesma maneira.

E é preciso que os dois queiram jogar.

sábado, 13 de julho de 2013

Tudo o que sempre quis!

È disto que eu gosto!
Esta sensação quente, sem nome, sem rosto.
É isto que me faz feliz!
A cada dia a magia do toque, o inebriar do cheiro.
Inventar uma nova forma de amar.
É tudo o que sempre quis.

Que importa se depois acabar, mudar?
Este formigar na alma,
Este braseiro no corpo que faz suspirar…
Não há nada no mundo que faça apagar.
Mágoa nenhuma que venha, mo pode roubar.

É tão bom! Sabe tão bem!

É esperança, é alegria, é tesão.
É um orgasmo crescente de euforia e paixão.

Que se dane tudo!

Eu gosto é deste sentir sem explicação.
Gosto deste bem-querer que me rouba a noção.
Que me deixa rendida, sem chão…

Vontade de cantar, de dançar na rua!
Venham de lá etiquetas, ou regras sociais
Que me deixem assim,
Leve, quase nua!..

Olhem de lado, olhem…
Moralistas, beatas patéticas.
E resmunguem sozinhas no vosso leito frio.
Fêmeas tristes sem ninguém que vos cubra o cio.
Bondade não mora entre as pernas, debaixo das saias.
Nem é grande feito ser-se virtuosa,
Quando nem se consegue ser tentada.
Façam a barba, rapem o bigode!
Talvez assim alguém vos queira, e vejam a vida de forma mais animada.

Houve um tempo em que eu queria saber se isto que tenho é amor!
Hoje sei que o que importa é o que sinto, e que esse é o bem maior.
O que importa é este prazer alegre que enche a minha vida de cor.

E que é tão bom, sabe tão bem, seja lá aquilo que for!...

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Cuidado, cuidado...

É só uma sensação…
Como que um aviso…

Cuidado, cuidado!
Ouve o que te digo…

Mas porquê?
Quem pode saber?...
Intuição…
Impressão…
Como se fosse acontecer.

Certas pessoas deixam-nos de pé atrás.

E se quisermos explicar a razão…
Talvez um recado vindo do coração.

Visão de areias movediças.
Pernas enterradas no lodo.
O corpo rijo com um todo.

É o jeito de caminhar,
É a forma velada de falar…

Parece tudo certo, tudo correcto…
Mas há aquele calafrio de momento!
Que dói como se nos açoitassem com vento!

Mistério na alma.
Anúncio de morte calma.

Quando o vi, senti assim…
Como um sopro frio que passou por mim.

As primeiras impressões são as mais correctas.
Não sei… comigo costumam ser certas.

Olhar estranho carregado de nevoeiro sem tamanho…

Alguma coisa me faz ficar de sobreaviso.
Como se ele fosse gente do perigo.
Como se o escuro viesse nele para medir forças comigo.

Se lhe der a mão só vou agarrar a minha solidão.

Coisas da imaginação…

Ou talvez não…

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Quem eu quero bem, está sempre junto comigo

Quem é alguém?
O que importa aquilo que nos dizem alguém ser?
Cada qual é o que é quando está connosco,
Ainda que seja mil pessoas diferentes que não conseguimos ver.

Não me compete condenar, nem querer saber.
Um é aquilo que sempre me mostrou ser.

Por baixo do dourado da superfície,
Nenhum de nós é perfeito.
Mas gostamos de acreditar que quem amamos não tem defeito…

De vez em quando sei de alguma coisa menos bonita sobre alguém de quem gosto.
Porque as más notícias voam, não nos chegam com calma.
E há pessoas que sentem prazer em espalhar o veneno que trazem na alma.

Certificado de santidade não faz de alguém melhor do que ninguém.

Importante é o que cada um é para mim.
A forma como me trata,
Como fica na minha vida.

A marca de carinho que deixa no meu coração.

O resto é resto. E o resto é ilusão.

Tomara eu que aqueles a quem amo, não me julguem pelo que sabem de mim.
Que não me desprezem pelo que venham um dia a saber.

Se fulano, ou beltrano, errou,
Se era só mais um humano, cheio de falhas, de defeitos e de omissões, paciência!
Que interessa isso, se era alguém de quem eu gostava e que me gostava também?

O tempo tem adoçado o meu espírito, e limado as minhas arestas.
Tem-me tirado um bocadinho do orgulho estúpido e emproado com que nasci…

Já não olho de alto, nem aponto o dedo.
Nem me arrependo de ter confiado.
Somos todos a mesma gente. Tosco produto inacabado.

Pessoas comuns que vão passando lado a lado.
Cada um, dono de mistérios e de abismos sem fim…
Sorte a minha se mesmo assim, alguém ainda gostar de mim!

Quem eu quero bem, está sempre junto comigo.
Seja lá qual for o inferno que traz consigo.


O meu coração é chão sagrado, com direito a asilo garantido.

sábado, 6 de julho de 2013

Não tenho nada que as formigas queiram

- Não tenho nada que as formigas queiram.
E sentou-se descontraidamente sobre a folhagem seca.
Sorriu porque pensou que toda a vida dela tinha sido assim.

- Não tenho nada que ninguém queira roubar.
E a mochila ficava num abandono inocente no pátio da escola.
E as portas de casa, anos depois, por trancar.

- E aqui está muito melhor do que lá em baixo.
Reflectiu satisfeita enquanto saboreava o fresco das árvores frondosas.
Chegava até ela o clamor da multidão na praia.

- Luta? Não preciso aprender. Pessoa nenhuma me faz mal.
E seguia confiante por ruas e becos mal-afamados.
E convivia de braço dado com tudo aquilo que deixava o mundo desconfiado.

- Cansei de tanto sol.
Tão facilmente como amava disparatadamente, assim se fartava.
Não queria saber. Mulher de paixões. De ocasiões.

As formigas invadiam em paz todo o chão por baixo dela.
Assim como os cadernos da mochila abriam com o vento, e se ficavam num desfolhar manso de páginas escritas.
Assim como quem passava espreitava para dentro, numa vontade de ver o que não costuma ser mostrado.
E a multidão castigada pelo calor ria histericamente na praia…
E as ruas e becos que metiam medo, quedavam-se inanimados aos pés de quem ousava atravessá-los.
E as pessoas em quem não se confia, essas sorriam, porque sabiam que nada é tão feio como se imagina.

- Hoje fico por aqui, e quero lá saber.
Cria rotinas para depois poderes mudá-las, tinham-lhe dito um dia.
Ainda numa outra vida.
Quando ela fazia festas e tinha dias especiais, e era tão sozinha como não podia ser mais.

- Agora só vou embora quando me der na gana.
Que não era palavreado bonito, isso ela sabia… Se a ouvisse alguma tia!...
Todas mortas, todas desaparecidas. Regras e leis inúteis e perdidas…
Ninguém ali, além dela e das formigas.

- E lá ao fundo o mar.
Estando o mar, estava o mundo todo bem.
Porque o mar fazia parte das coisas antigas.

- Não tenho nada que as formigas queiram.
E elas pareciam que a ouviam. Paravam, seguiam…

Quanto mais a gente foge, mais aquilo vem atrás…

terça-feira, 2 de julho de 2013

Conversas em Família- I

Perdoa. Não tinha como saber.
Certas coisas sabemos sem nos aperceber.

A desordem, o caos, as lágrimas…
Entendes agora que não era por mal?
Não era porque eu gostasse de ser assim.

A vontade de morrer…
O desespero de não querer saber.
Não era nunca contra ti.

Naquela tarde quando acabaste por adormecer…
Já não conseguia mais viver.
Nunca houve nada que pudesses fazer.

Aonde estás, estás bem?
Tu sonhaste comigo, não lembras?

Não quero lembrar…
Não parti em paz.

E agora? Passaram mais de trinta anos…
Agora tanto faz.

Eu lembro-me de ser pequenina,
E que houve um tempo em que eu era a tua princesinha…
A minha primeira menina…
Contava-te histórias de fadas e princesas…

E escondias-me os livros de romance, para eu não ler…
E dizias que não há amor que valha a pena conhecer.

E sabes porque me consegues agora perceber?
Porque às vezes vejo o escuro, como tu costumavas ver.

A luz foge, não é?
Não faz mal, mamã. Fica aqui ao pé…

E de que te serve a minha companhia?
Vamos velar as duas até ser dia.

Os meus olhos estão cegos, para mim é sempre escuridão.
Eu levo-te comigo pela mão.

Sempre a mesma patetinha… eu já não tenho mão.
Tens sim! E vai correr tudo bem no fim!

Não estou aqui a sério. Só na tua imaginação.
Pensas tu! Nunca deixei de te ouvir no meu coração.

Agora pouco barulho. Vamos embora do escuro, quer queiras, quer não.

Conversas em Família- II

Disseste que voltavas para contar…
Lá estás tu… Ainda não aprendeste a esperar.

Tenho saudades de ti, sabias?
A tua mãe bem dizia, sempre te mimei demais…

Lembras dos filmes de detectives?
E de como querias, porque querias, saber como era o final…

Os livros de cowboys…
Os pistoleiros,, os xerifes… a rapariga que ficava por casar…

O Scala…
Sorvete de chocolate, e mil horas a falar…

O colega-chefe…
Isso era na Fazenda… depois íamos á marginal ver a tarde acabar…

Levavas-me pela mão para atravessar…
Depois cresceste, e acertavas o passo para me acompanhar.

Fiquei grande e continuei a gostar de ir contigo passear.
Mas acabaste por optar…

Ainda estás de mal comigo…
Não te disse que vou ser sempre teu amigo?

Aonde tens estado que não me ouves chamar?
Fui para onde não te pude levar.

E esqueceste de mim…
És uma senhora agora. Não faças assim!...

Não me levas outra vez para andar?
E trazes-me o chapéu, trazes-me os cigarros para eu fumar?

Como dantes!… E espero-te á porta para te ver chegar.
Aonde querias que te levasse?

Queria nós quatro, como éramos antes de tudo acabar.
Apesar de tudo?

Apesar.

Mas sabes que do que aconteceu, nada podias mudar.
Ainda assim, queria poder voltar.

Lembras do que eu dizia naquela altura?
Tanta coisa, nem sei já…Diz tu, vá...

Podes vir a ser feliz, um dia. Mas até lá, a vida é muito dura.

Conversas em Família- III

Puxo-te os tótós…
Olha quem fala! Agora usas um também…

De lado! Não daqueles que fazia a nossa mãe…
Não… Com ganchinhos de joaninhas vermelhas nas pontas…

Escondias-te no quarto para não apanhar…
A mãe ficava brava com pouca coisa… Ao pai bastava olhar…

E fazíamos desenhos em papéis amarrotados…
Enquanto o mundo lá dentro caia aos bocados.

Roubei-te um namorado…
Sempre foste assim, sempre gostaste de brincar.

Íamos à missa ao Domingo, lembras?
Claro, a mãe dizia que era coisa de meninas de bem…

E esticávamos o caminho até voltar.
Tu esticavas! Eu não me queria era atrasar!…

Disse-te logo, ele era muito mais velho do que tu…
Tinhas grande moral para me avisar!…

Tu tinhas juízo… Contigo podia ter sido diferente.
Nós sempre fomos diferentes do resto de toda a gente…

Sempre.

Menina, que saudades!. Minha maninha pequenina
Já há algum tempo que… Mas sabemos. Não precisamos de...

De salamaleques, como dizia a mãe… Não, não precisamos.
A gente sempre se entendeu no olhar, sem precisar falar.

Aprendemos a não ter que falar.
Estamos longe, mas tão perto quanto podemos estar.

Já estivemos mais longe, nós duas.
E nem assim… Nunca nos conseguiram separar.

Sabes que estou a ficar cansada?
Estás há muito tempo longe de casa…

Já não sei aonde isso é…
Constrói uma, num lugar especial…

Prefiro deixar os sapatinhos á beira da chaminé…
Tu ainda acreditas no Pai Natal!...
À minha maneira maluca, nunca deixei de ter fé.