sonhando, escrevendo e imaginando

terça-feira, 2 de julho de 2013

Conversas em Família- I

Perdoa. Não tinha como saber.
Certas coisas sabemos sem nos aperceber.

A desordem, o caos, as lágrimas…
Entendes agora que não era por mal?
Não era porque eu gostasse de ser assim.

A vontade de morrer…
O desespero de não querer saber.
Não era nunca contra ti.

Naquela tarde quando acabaste por adormecer…
Já não conseguia mais viver.
Nunca houve nada que pudesses fazer.

Aonde estás, estás bem?
Tu sonhaste comigo, não lembras?

Não quero lembrar…
Não parti em paz.

E agora? Passaram mais de trinta anos…
Agora tanto faz.

Eu lembro-me de ser pequenina,
E que houve um tempo em que eu era a tua princesinha…
A minha primeira menina…
Contava-te histórias de fadas e princesas…

E escondias-me os livros de romance, para eu não ler…
E dizias que não há amor que valha a pena conhecer.

E sabes porque me consegues agora perceber?
Porque às vezes vejo o escuro, como tu costumavas ver.

A luz foge, não é?
Não faz mal, mamã. Fica aqui ao pé…

E de que te serve a minha companhia?
Vamos velar as duas até ser dia.

Os meus olhos estão cegos, para mim é sempre escuridão.
Eu levo-te comigo pela mão.

Sempre a mesma patetinha… eu já não tenho mão.
Tens sim! E vai correr tudo bem no fim!

Não estou aqui a sério. Só na tua imaginação.
Pensas tu! Nunca deixei de te ouvir no meu coração.

Agora pouco barulho. Vamos embora do escuro, quer queiras, quer não.

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