sonhando, escrevendo e imaginando

sábado, 31 de agosto de 2013

Podem quase tudo

Podem invadir a nossa casa,
Revirar os nossos armários.
Desarrumar a nossa mobília e confiscar o que quiserem.

Podem levar o nosso automóvel
E requisitá-lo para serviço do que bem entenderem.
E podemos vê-lo depois passar com outra gente lá dentro.

Podem congelar o nosso dinheiro no banco,
Mudá-lo de dono e de nome.
Deixar-nos pobres como Jó num só segundo de tempo.

Conseguem arrancar-nos dos nossos terrenos,
Despojar-nos das nossas habitações.
Tirar-nos para fora do nosso país.
Podem tornar-nos apátridas indesejados nesse grande mundo.
E mudar os nomes antigos e dizer que o que houve nunca existiu.

E podem bater no nosso corpo e torturá-lo.
Obrigar-nos a confessar tudo o que nem sonhámos nunca fazer,
Qual Winston de 84, numa ficção real a acontecer.

E violar as nossas carnes,
E fazerem-nos aceitar em nós o que nem nome pode ter.
Podem excitar o nosso sexo até nos inventarem prazer,
E dizerem ainda depois que estávamos a querer.

E podem num requinte de malvadez atar as nossas mãos,
Prender as nossas pernas e deixar-nos colados á força neste chão.
Negar-nos o ultimo consolo dos que estão exaustos de sofrer.

Podem.
Podem quase tudo.
Já vi acontecer.

Mas não conseguem mexer na nossa alma.
Não conseguem tocar a parte não tocável do nosso coração.
Não nos obrigam a gostar do que não gostamos,
Nem a acreditar no que não acreditamos.

Isso não podem não!

Somos mais do que um corpo indefeso.
Somos mais do que um saco de ossos cobertos de músculo e pele.
Só dispõem de pequena parte de nós.

E enquanto tolos, se banqueteiam com a nossa rendição
Mal sabem que já escapámos da sua mão.
Estamos no outro lado secreto de nós,

Naquele lugar para onde fugimos quando estamos sós.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

No sangue quente, de quem é louca gente

Há muito tempo que estava guardada, de mim arredada.
Escondida, arquivada.

Pensei que nunca mais…
É como reencontrar uma velha amiga, irmã de sangue.

A loucura. Minha loucura.

Fugi dela há tanto tempo!
Quis fazer de pessoa ajuizada.
E quase conseguia, quase parecia curada.

250 g de açúcar, 250 g de farinha
1 colher de fermento pequenina…
Uma pitada de deixa ser,
Um cheirinho de bom que é viver

Quis crescer e quis parecer ser como os demais. Pessoas normais.
Mas fui tão mais feliz nos loucos dias!… Tão mais!
Loucura…
Por ande andaste?
Ao veres-te sem mim, por quem me trocaste?

Bom! Tão bom!...
Chega perto,
Encosta,
Vem…
Não esqueci como ser louca sabe bem!

Está no sangue. No sangue quente de quem é louca gente.

Louco é quem acredita em ser feliz.
Quem pensa o que o coração diz…
Abençoada insanidade que está na minha raiz.
Nem irascível, nem dura.
Doidice pura.

Alguma fada, quando nasci, me dotou com a benesse da loucura.

   Quem me dera que me ames, quando me conheceres um pouquinho mais.
   Que não te assustes, que não naufragues nos meus temporais.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Só de vez em quando...

Vem-me uma certa tristeza.
Vem.
Claro que vem.
Quando vejo todos com companhia no domingo,
E eu sem ninguém.

Até o meu amor, é pertença de outro alguém.

Casais sozinhos,
Famílias.

Tal como eu já fui um dia.

Fugi disso tudo.
Ou tudo isso fugiu de mim
Quando acabou o pó de magia enganada,
E ficou só poeira suja de beira de estrada.

Mas ás vezes sinto-me desanimada.
Parece que cheguei a meio da vida,
Sem nada.

Nem companhia para as compras aborrecidas da semana…
Nem tão pouco compras para fazer,
Porque desisti de comprar coisas por fazer.
Compro tudo feito…
Como diriam os meus amigos da juventude…

Mentira:)) Não é em tira. É tudo inteiro:))
Já soube, e já me esqueci que sei…

Ecos…
Ecos, só.

Nem eles estão,
Nem eu sei mais quem sou.

Aonde estou…

Mas sou livre.
E não tenho horas de entrar, nem sair.
À noite já não preciso ter medo de dormir…

Painha vs Lacarrilha…

Cigana sedentária meio perdida.
Alma foragida nos dois lados da vida.


domingo, 25 de agosto de 2013

Pedia... a ver se acontecia

Tira-me daqui, tira-me daqui!

Não queria estar na escola dos meninos pequeninos.
Tinha saudades das minhas bonecas, do meu cantinho.
De ver a vida pendurada no muro da varanda do meu quarto.

Faz-te bem! Para não seres tão bicho-do-mato…

Casa nova, escola nova, tudo novo.
Se pudesse ter embarcado fugida,
Tinha voltado escondida para a minha terra perdida…

Vivia a contar os anos até ser gente crescida…

As horas batiam numa angústia de dar medo.
E com o passar das horas vinha a manhã sempre cedo.
Quase dia… a noite é um segredo.

Tira-me daqui, tira-me daqui!

Eu sabia.
Mas ainda assim pedia… a ver se acontecia…

A principio com esperança,
Porque tinha coração de criança.
Portas-te bem e vais para o Céu…
O Inferno…
Esse é um lugar terreno que fica perto.
Minha mãe, o inferno é um deserto.

Tira-me daqui, tira-me daqui.

Não sei para onde, nem quero saber.
Só quero encostar a cabeça e esquecer.
Ficar em paz…
Mas não sei como se faz.

Não está na mão de ninguém resolver a minha solidão.

Só fica comigo, meu amor, pelo tempo que possa ser.
Deixa-me fechar os olhos e adormecer.
Não tens como saber, mas eu tenho medo do escuro,
Continuo a ter…


Vela por mim, até o sol nascer.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Nosso o mundo todo para andar

Eu tinha dezasseis anos.
Ele, vinte e quatro.

Hoje não sei que nome feio lhe dão…
Naquele tempo,
No tempo do nosso tempo, chamávamos-lhe paixão.

Eu levava os livros da escola em baixo do braço,
Como era moda fazer-se então.
E tinha hora certa para estar em casa depois das aulas.

Ele levava um mundo de sonhos e de raiva no peito,
E tinha caracóis ruivos que dançavam quando sorria.
O dia e a noite eram todos dele.
Era dele tudo o que queria.

Eu estudava, e era menina do papá.
Ele era rei num mundo que eu só suspeitava que existia.

Três anos…
Íamos e vínhamos como as ondas do mar.

Os dois selvagens demais para nos deixarmos domar.
Nosso o mundo todo para andar.

Deixá-lo ir foi uma das coisas que mais me doeram na vida.

Já se passaram quase trinta anos, e nunca mais o voltei a ver.
Quando algum amigo antigo me diz que talvez ele já não esteja,
Já não seja,
Eu digo que não.
Porque sei.

Sei que ele não ia embora sem encontrar forma de me dizer.
Que eu havia de sentir quando estivesse a acontecer.

Ele não partia sem me avisar.
Deve estar bem, em algum lugar.
Bem, como eu estou agora.
Quanto mundo o nosso caminho andou, desde aquela hora!...

Talvez ele sorria com caracóis brancos, no mesmo cabelo indomado…
Talvez seja muito feliz.
Talvez continue a correr tudo que é lado, atrás da liberdade que sempre quis.



“Lembro-me. Éramos todos muito jovens”

Os eucaliptos estão bonitos agora, diferentes… arranjados de novo…

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Conversas de uma tarde de praia

-Tu não usas a praia como as outras pessoas, pois não?
Levantei os olhos do livro, e vi que ele olhava divertido.

- Claro que uso! Que queres dizer com isso?
- Não sei… Qualquer coisa que não me parece igual…

- Diz lá o que falta? Toalha, bikini, livro… tudo aqui.
- Não falta nada. Mas está alguma coisa que não é suposto estar.

- Ah, bem... Se não te explicas melhor, não te percebo.
- Tu estás disfarçada de veraneante…

-Disfarçada? Como assim?
- As outras pessoas vêm cá porque está calor e sol.

- Então, e eu também!
- Aposto que não. Aposto que estás por aqui até quando é Inverno.

- E daí?
- Daí que não vens cá. Pertences aqui.

-À praia?
- A isto tudo… céu, mar, sol, vento. Até quando chove tu vens, não vens?

- Não sou a única.
- Os outros vêm pescar. Sentes-te em casa aqui?

- Via muito o mar quando estava em casa.
- Porque não és destas bandas… Esse jeitinho, o estares a falar sem me conheceres…

- Sou bem-educada. Respondo quando falam simpaticamente comigo.
- Por isso digo, não és daqui, e não usas a praia como os outros usam.

- Admitindo que tens razão, que tem isso de mal?
- Nada. De vez em quando conheço pessoas assim. Diferentes…

- Diferentes todos somos.
- Tu percebeste-me. Poetas... És poeta também tu, não és?

- Ora define lá poesia…
- Quando olhamos e vemos o que mais ninguém vê.

- Isso é problema de visão, trata-se  com uma ida ao oftalmologista.
- Quando vais lá para o fundo, já te vi sorrir…

- Sim? Pois eu nunca tinha dado por ti.
- Olhas as arribas, e as marés e sorris. Dá gozo ver tanta coisa bonita!

(…)

sábado, 17 de agosto de 2013

Meu amor...

Obrigada, amor.

Por não teres fugido de mim.
Por teres ficado mesmo quando surgiram complicações.
Por me quereres e gostares assim.

Não imagino a minha vida sem ti.

Quando rimos, ou brincamos juntos,
O sol fica mais brilhante do que nunca foi.
E quando me olhas e me beijas,
É como se o relógio do tempo parasse, e eu voltasse a ser menina.

Pura,
Intocada,
Sonhadora.

Como se nunca nada de mau me tivesse acontecido.
Como se parte do meu mundo não tivesse morrido.

Obrigada, meu amor.

Tão bom que é saber que neste momento, tu pensas em mim!
Que me gostas de verdade.
Sem me quereres usar, nem me quereres mostrar.
Que ficas feliz, só por me veres também ficar.

Sem inseguranças.
Sem medos.
Nem madrugadas cheias de segredos.

Só porque sim. Amo-te, amo-te tanto por tu seres assim!

Meu.
Porque não precisas ser meu em nenhum papel
Para seres como és, meu.
Pele da minha pele.

Sangue que aquece o meu sangue.
Saliva que deixa húmida a minha boca,
Mais do que a boca…

Meu amor.

Obrigada por existires na minha vida.
E por me fazeres sentir que em ti não estou mais perdida.

Meu homem… aquele que me faz sentir querida.

Obrigada também, porque visto de novo calções:))

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Alguém que faz os outros sorrir

Ele ia à minha frente na estrada.
Montava uma motorizada barulhenta, mal pintada.

Dizia adeus a todos com quem se cruzava.
E as pessoas respondiam-lhe de volta enquanto ele passava.

E eu pensava que pessoa seria aquela a quem todos conheciam e falavam…

Acenos para a direita,
Acenos para a esquerda…

Parou para o sinal mudar.
E eu naturalmente tive que o ultrapassar.

E então vi-o.

Rosto velhinho banhado por oceanos de alegria.

Descobri a resposta ao que queria, quando ele sorriu para mim,
E me acenou com vontade. Gostoso e quente como o sol num jardim!...

Afinal não conhecia ninguém.
Ninguém o conhecia a ele…
Oferecia um cumprimento e um sorriso, a todos, porque sim.

Quando lhe respondi com um adeus e um beijinho na ponta dos dedos,
O meu filho perguntou quem era.

-Alguém bonito, que faz os outros sorrir.

E a minha manhã ficou mais feliz naquele instante.

Bem hajam todos os que nos sorriem sem nos conhecer.
E nos mostram como afinal pode ser tão simples,
Tão gostoso viver!

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

A que horas vou para casa?...

- Depois eu ligo-te para o fixo. A que horas vais para casa?
...Casa…

Às vezes acordo no escuro, de noite e não sei aonde estou.
E tenho medo de abrir os olhos porque não reconheço as sombras, os cheiros.

Nem a almofada me é familiar, nem os lençóis, nem nada.
E encolho-me porque se ficar pequenina, fico mais disfarçada.

Os lugares confundem-se e misturam-se na minha mente.
A casa de lá, de além-mar.
Antes dela, outras de que recordo contornos mal definidos.
Lembranças feitas de ecos de rumores antigos.

Cá…
A caverna, plena de bolor e encharcada de humidade.
A caverna que foi demolida, mas que vive nos meus sonhos, nos meus pesadelos.
As escadas da rua, a cortina do quarto, as camas amontoadas…

Todas são parecidas no escuro, as casas.

A outra… a casa do tanque que foi minha casa de três anos.
O frio e os ratos…
Sacos de plástico atados, cheios de trapos…

Casas, só casas.
Amontoados de tijolos ou de caliça.
Sem a poesia romântica que lhes emprestam os livros.

Estas duas últimas em que vivi… Esta em que vivo…
Paredes cheias de palavras e de segredos,
De pequenas alegrias e grandes medos.

Iguais, todas iguais. Casas…

-A que horas vou para casa?...

Minha casa tem sido o meu carro.
E apetece-me dizer na brincadeira que moro no carro.
Mas seria brincar, sem ter graça.
Porque só são bonitas as brincadeiras que fazem sorrir.

Casa é aonde somos felizes.
Dou por mim a pensar no quarto de motel, e a achar que é a minha casa.
E rio com vontade de chorar, porque ninguém vive num motel.

Casa pode ser uma pessoa?
Podemos fazer de alguém a nossa morada?…
Meu amor, minha casa… 

- Não sei quando chego a casa.
Nem sequer sei aonde estou, em qual dos pesadelos vou acordar.

- Ligo-te para o telemóvel então.

- Sim faz isso. Com esse durmo na mão.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

O meu filho não sabe, não tem como saber

O meu filho não sabe.
Não percebe como eu consigo ter carinho pelo pai dele depois de tudo.

Ele não pode saber.
Não estava lá…

Não nos viu aos dois, quase miúdos.
Cheio de sonhos, de fantasias.

Não viu quando ficámos na rua a dormir, porque não tínhamos para onde ir…
Morremos de frio, descongelámos ao sol, passeámos na chuva…

Fizemos tantos planos, tantos e tantos mais!
Nós dois contra um mundo sempre bravo demais.

Tivemos medo, muito medo!
O escuro rondou a nossa porta, calado, em segredo…
Festejámos alegrias
Em dias bonitos, que não foram muitos dias.…

Ele nem sempre foi assim, do jeito que é hoje.
E alguma da culpa também foi minha.
Esperei demais, sonhei demais…

O meu filho não sabe.

Compaixão…
Vontade de pedir perdão…

Perdão porque tudo falhou.
E ninguém falha sozinho.

Saudade de nós dois quase meninos!

Olho para ele e não vejo só um homem envelhecido, alcoolizado.
Vejo ainda o rapaz bem-parecido e bem-humorado,
Que andava quilómetros a pé para me vir ver…
Que me trazia latas de ração militar da tropa, escondidas, sem ninguém saber.
Que enfrentou a fúria terrível do meu pai, para não me perder.

Dividíamos os pacotes de bolacha Maria a meias, quando não tínhamos o que comer.

O meu filho não tem como saber.
Mas um dia, quando for mais velho, há-de perceber.

Há muitos anos que não amo o pai dele, como uma mulher ama um homem.
Mas no meu coração, a lembrança do que fomos, continua a viver.


E não gosto de falar nisto, caramba! Faz-me sempre chorar…

terça-feira, 6 de agosto de 2013

O Lutador

Quantas pancadas conseguimos nós apanhar,
Antes da vida nos por KO,
Nos derrubar?

No meio do ruído ensurdecedor da multidão,
Ele lutava.
Transpirado. Magoado. Cansado…

- Já teve dias melhores!
- Mais duas ou três, e está no chão.
- Deve estar cheio de dores…
- Ainda lhe falha o coração.

Um, após outro,
Os golpes sucediam-se.

E ele lutava, sem desistir.
Porque também é luta
A gente segurar-se para não cair.

- Não ataca, só se defende…

Sabem lá quanto custa estar sempre á defesa!
À espera de golpes que caem a toda a hora, vindos de qualquer lado.
Queria ver-vos fazer melhor, com o corpo todo rebentado!...

Antigo boxer, valente sem idade definida…
Nariz partido nos combates duros da vida.

- Pendura as luvas!
- Vai mas é prá cama dormir!

Não há aonde pendurar as luvas.
Nem casa, nem cama para aonde ir.

Todo o mundo dele é um ringue.
Não tem como sair.

Quantas pancadas conseguimos nós apanhar, antes de cair?
Todas aquelas que o adversário conseguir distribuir.

Toalha branca atirada, é luta inacabada.
Aguenta firme, velho lutador!
Se fugires ainda é pior.

Vão atrás de ti aonde fores.

E encontram-te aonde estiveres.
Defende-te enquanto puderes.

Batem-te na mesma, se te desafiarem, e tu não vieres.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

... meio enigma, que não se compreende

Nunca vais conhecer tudo de mim.
Há uma parte minha escondida, a coberto do sol, do vento…

Por muito que eu me explique, te mostre e me desvende,
Vou ser sempre meio enigma que não se compreende.

Tenho nevoeiro que, em certas manhãs, não deixa o sol passar.

Aceita-me como sou, porque eu não consigo mudar.

Os meus olhos têm sombras de abismos escuros por atravessar.
Tu, meu amor, consegues pô-los a brilhar.

E carrego cicatrizes que teimam em não sarar.

Não perguntes em que guerras lutei, em que lugar distante…
Acordei, e estava assim, foi obra de instante.
Não me peças para lembrar, não te sei explicar.
Só me abraça e me guarda em ti,
Não me faças chorar.

Não digas que sou crescida…

Eu sei que pareço valente, destemida,
Descarada,
Sabida…

Mas também sou uma criança perdida.

E tenho medo do escuro que está em baixo da cama.

Acredito em contos de fadas. E acredito em criaturas de florestas encantadas.

Não sei como sou.
Às vezes sou tudo, e às vezes sou um triste lamento cheio de nada.

Posso ser uma mulher feliz, de noite,
E ser outra completamente diferente, na madrugada.

Só sei que te amo.
Amo-te quando sou fêmea ardente de paixão.
E amo-te quando sou menina, carente de protecção.

Amo-te quando me acaricias, e me fazes gemer de prazer,
E amo-te quando me cuidas, para maldade nenhuma me acontecer.

És a única certeza na tormenta da minha vida.
Perto de ti reúno os meus pedaços soltos, e sinto-me menos dividida.


Meu chão, minha luz proibida… meu amor do coração.