... meio enigma, que não se compreende

Nunca vais conhecer tudo de mim.
Há uma parte minha escondida, a coberto do sol, do vento…

Por muito que eu me explique, te mostre e me desvende,
Vou ser sempre meio enigma que não se compreende.

Tenho nevoeiro que, em certas manhãs, não deixa o sol passar.

Aceita-me como sou, porque eu não consigo mudar.

Os meus olhos têm sombras de abismos escuros por atravessar.
Tu, meu amor, consegues pô-los a brilhar.

E carrego cicatrizes que teimam em não sarar.

Não perguntes em que guerras lutei, em que lugar distante…
Acordei, e estava assim, foi obra de instante.
Não me peças para lembrar, não te sei explicar.
Só me abraça e me guarda em ti,
Não me faças chorar.

Não digas que sou crescida…

Eu sei que pareço valente, destemida,
Descarada,
Sabida…

Mas também sou uma criança perdida.

E tenho medo do escuro que está em baixo da cama.

Acredito em contos de fadas. E acredito em criaturas de florestas encantadas.

Não sei como sou.
Às vezes sou tudo, e às vezes sou um triste lamento cheio de nada.

Posso ser uma mulher feliz, de noite,
E ser outra completamente diferente, na madrugada.

Só sei que te amo.
Amo-te quando sou fêmea ardente de paixão.
E amo-te quando sou menina, carente de protecção.

Amo-te quando me acaricias, e me fazes gemer de prazer,
E amo-te quando me cuidas, para maldade nenhuma me acontecer.

És a única certeza na tormenta da minha vida.
Perto de ti reúno os meus pedaços soltos, e sinto-me menos dividida.


Meu chão, minha luz proibida… meu amor do coração.

Comentários

  1. Respostas
    1. Obrigada, Ricardo! Que bom que gostou!
      Beijinhos, uma semana cheia de alegrias!

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  2. Respostas
    1. E eu fico muito feliz por teres gostado! Beijinho da menina bonita, Henrique:) Obrigada!

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