sonhando, escrevendo e imaginando

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Nosso o mundo todo para andar

Eu tinha dezasseis anos.
Ele, vinte e quatro.

Hoje não sei que nome feio lhe dão…
Naquele tempo,
No tempo do nosso tempo, chamávamos-lhe paixão.

Eu levava os livros da escola em baixo do braço,
Como era moda fazer-se então.
E tinha hora certa para estar em casa depois das aulas.

Ele levava um mundo de sonhos e de raiva no peito,
E tinha caracóis ruivos que dançavam quando sorria.
O dia e a noite eram todos dele.
Era dele tudo o que queria.

Eu estudava, e era menina do papá.
Ele era rei num mundo que eu só suspeitava que existia.

Três anos…
Íamos e vínhamos como as ondas do mar.

Os dois selvagens demais para nos deixarmos domar.
Nosso o mundo todo para andar.

Deixá-lo ir foi uma das coisas que mais me doeram na vida.

Já se passaram quase trinta anos, e nunca mais o voltei a ver.
Quando algum amigo antigo me diz que talvez ele já não esteja,
Já não seja,
Eu digo que não.
Porque sei.

Sei que ele não ia embora sem encontrar forma de me dizer.
Que eu havia de sentir quando estivesse a acontecer.

Ele não partia sem me avisar.
Deve estar bem, em algum lugar.
Bem, como eu estou agora.
Quanto mundo o nosso caminho andou, desde aquela hora!...

Talvez ele sorria com caracóis brancos, no mesmo cabelo indomado…
Talvez seja muito feliz.
Talvez continue a correr tudo que é lado, atrás da liberdade que sempre quis.



“Lembro-me. Éramos todos muito jovens”

Os eucaliptos estão bonitos agora, diferentes… arranjados de novo…

6 comentários:

  1. Bom dia, Glória

    Que de nós não tem recordações de um grande amor da juventude que por esta ou aquela razão não deu certo? Porventura, ninguém

    Por vezes faz bem à alma recordar...coisas boas que nos aconteceram na adolescência...
    Fique feliz
    *************************
    Gostava que me visitasse(m)

    http://pensamentosedevaneiosdoaguialivre.blogspot.pt/

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    1. Olá, Ricardo. Boa noite!
      É verdade. Quase todos nós temos a sorte de ter recordações bonitas de um grande amor da juventude. Sabe muito bem, é muito agradável lembrarmos, especularmos, fantasiarmos... Este meu amor acabou por ficar pelo caminho. E se na altura precisei de muita coragem para abrir mão dele, hoje vejo que foi a atitude mais acertada a tomar. A não ser assim, não estaria hoje tão feliz quanto estou, com a pessoa com quem estou:) Possivelmente nem estaria aqui a escrever sequer... sabe-se lá por onde andaria...
      Obrigada pelo comentário! Beijinhos e bom fim de semana!

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  2. Bom dia, Gloria

    Que bom é recordar o que "nos fez feliz" não é verdade?
    Adorei ler.

    Bom fim de semana
    beijo
    http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

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    1. Boa noite, Cidália:)
      É sim! Muito bom recordarmos pessoas que nos fizeram felizes, que foram a nossa vida em certas alturas do caminho. Recordarmos de nós naquele tempo, de todos os sonhos, esperanças... E sabermos que hoje só somos o que somos, para o bem e para o mal, porque vivemos o que vivemos, e porque amámos quem amámos. Isso faz com que valorizemos mais o presente, e os amores que temos hoje.
      Beijinho, feliz fim de semana e obrigada!

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  3. Respostas
    1. Obrigada, Henrique! Já estava com saudades tuas! Está tudo bem, não está?
      Um beijinho muito grande da menina bonita para ti.

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