sonhando, escrevendo e imaginando

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

"Madrugada sem fim"...

Suspirou.
Um suspiro misto de ternura e desejo…
E ele olhou-a com olhos de quem tem a fome do mundo dentro do peito.

Ela suspirou como se fosse tomar a vida no colo,
Como se fosse entregar o coração junto com o corpo.

Mãos sôfregas…
O obstáculo da roupa…
Sempre que a tomava, ele ardia em pressa…

Os olhos dela eram lá longe,
E o pensamento voava nas nuvens de um céu em fogo…

O peito arfava.

Cedeu,
Ele sentiu que ela cedeu,
Quando o recebeu.
Quando húmida se deu.

Estava á procura, ela vivia á procura,
Sem sair do lugar.

Amar…
O que é amar?
Seja o que for, amar é querer amor.

Quando ele a abraçou
E a aconchegou, cansado, ao peito,
Ela refugiou-se nele como gaivota num rochedo.

Pegou-lhe na mão e apertou,
Sentia-se tão sozinha, com tanto medo!
Lá fora a madrugada desenrolava-se em segredo.

Ele desviou os olhos encadeados pela luz do sol.
E a imagem dela desfez-se na bruma do fim sabe-se lá de quê.

Ele não sabia que fizera amor com uma estrela do céu.
Mas sabia que ela se dava como uma bacante louca, envolta em timidez.

Fugiu outra vez.

O lugar dela na cama estava quente, e o lençol molhado.
Ele sorriu orgulhoso, sem saber que ela tinha chorado.

Madrugada sem fim…
É a noite que não termina, ou é o dia que não começa?...


4 comentários:

  1. Respostas
    1. Olá, Cidalia!
      Obrigada! Que bom que gostaste! Tem uma semana nova cheia de horas felizes, e de dias bonitos! Beijinho grande para ti:)

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  2. Belíssimo Glória, adorei! Um dia destes vou pedir autorização para roubar e aliciar alguns amigos à leitura dos teus belos poemas, tanta mística e ao mesmo tempo tanta verdade. Bjns

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    1. Nada me daria mais prazer, Quim. Faz isso, sim, que vou adorar. Um beijinho muito grande para ti, e obrigada por teres gostado.

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