sonhando, escrevendo e imaginando

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Seja.


Perco-me de vez em quando.

Reconheço os sinais.
Quando começam a ser iguais,
É porque me afastei demais.

Nem sempre me contento com o que há.
Muitas vezes,
Quase todo o tempo,
Preciso de cenários irreais.

Preciso de mais.
De muito mais.

Paisagens pardacentas
Ou luzes barulhentas.

Pessoas,
Ou quase ninguém.

Gosto do que me sabe bem.

Loucura,
Disparate.
Falta de senso pura.

Seja.

Quem quer morrer ajuizada,
Viver enjoada.
Ser gente disfarçada?

Não é que não ame o que tenho.
É que preciso de voar.

Mesmo que voar seja abrir e fechar os braços,
Sem chegar a decolar.

Mesmo que sejam dois passos para lá,
E vir no vento, de novo para cá.

Existe em mim uma tristeza que não consigo mitigar…
Melhora muito quando estou a voar.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

"Góta mim?"...

Não.
Não é o todo em si.
São os pormenores,
Os detalhes.

Não é que me lembre bem dos grandes planos.

Flashes…
Só flashes.

Risos soltos…
Uma caricia inventada…
Certa roupa,
Certas palavras…

Góta mim?

Canções…

A tortura do pensamento!
Sons dela que vêm no vento.
Que duram mais do que o tempo…

Perdoa…

Tentei.
Como, só eu sei.
Que se danem os que não sabem.
Os que se acham melhores do que eu.

Minha princesa…

Só quero que não sofras,
Que não chores.
A cor dos teus olhos mistura-se á névoa dos meus dias.
Atrapalhada…
Aos poucos…
Atrapalhada, como vivias.

Góta mim?
Gosto sim. Gosto muito.

Porque mandam os céus anjos,
A quem não sabe rezar?


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Anjos

E por duas vezes me foi mandado um anjo.
Em cada uma das vezes, um anjo diferente…

Pessoas comuns não distinguem anjos da outra gente.

Se fui eu que aceitei,
Fi-lo como não sei…

Anjos.
Anjos que gostavam de mim.

Não uma,
Mas duas vezes.
Não se pode dizer que Ele lá de cima
Tenha desistido facilmente.

Vinte que fossem
E eu não daria por eles.
Não daria realmente.

Resta-me um consolo,
Uma certeza…
Se eram anjos não tinham a alma presa.
Se eram anjos não sofreram.

Só eu,
Desgraçada.
Mas o meu sofrimento mereço-o,
O meu sofrimento não é nada.

Mais nenhum, por favor.
Recolhe as tuas hostes.
Nem anjos, nem mais nada.

Deixa-me só,
Como só me puseste na estrada.

Não percas mais tempo comigo,
Triste ovelha desgarrada.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

"Cuida bem de mim"

Há muito tempo ninguém cuidava de mim...

Cresci no meio a dramas sem fim.
Fui rainha de histórias de arrepiar.
Fui mendiga rota de banco de jardim…

Percebes porque é tão difícil acreditar?

Acreditar que tu és assim,
Que és só porque sim…
Que não vais mudar…

Tenho medo de me magoar.

Sou muito sozinha no mundo.
Foram-se quase todos a quem sabia gostar.
Sou faminta de amor.
Sou fácil de levar.

Tu pareces, mas não sei se és.
Pareces uma luz a brilhar.
Um anjo para me guardar.
Um homem a quem posso amar…

Se eu for por ti,
E outra vez me enganar,
Não há coragem para mais caminhar…

Não sou fria.
Não sou de gelo.
Mas tenho medo de me entregar…
De me render, de capitular.

Que amas tu em mim?
Quem eu sou,

Ou a luta que tens que travar?