sonhando, escrevendo e imaginando

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Anjos

E por duas vezes me foi mandado um anjo.
Em cada uma das vezes, um anjo diferente…

Pessoas comuns não distinguem anjos da outra gente.

Se fui eu que aceitei,
Fi-lo como não sei…

Anjos.
Anjos que gostavam de mim.

Não uma,
Mas duas vezes.
Não se pode dizer que Ele lá de cima
Tenha desistido facilmente.

Vinte que fossem
E eu não daria por eles.
Não daria realmente.

Resta-me um consolo,
Uma certeza…
Se eram anjos não tinham a alma presa.
Se eram anjos não sofreram.

Só eu,
Desgraçada.
Mas o meu sofrimento mereço-o,
O meu sofrimento não é nada.

Mais nenhum, por favor.
Recolhe as tuas hostes.
Nem anjos, nem mais nada.

Deixa-me só,
Como só me puseste na estrada.

Não percas mais tempo comigo,
Triste ovelha desgarrada.

4 comentários:

  1. Deus não abandona os Seus filhos.Não, não desiste de ti. Abre os olhos e encara a Vida. A sina tem de cumprir-se. Pobre avezinha ferida. Sorri, sorri sempre. Pior que um sorriso triste é a tristeza de não saber sorrir... Continua a segurar o sol com os dentes, a agarrar os sonhos com ambas as mãos. Olha confiante a tua estrela, mas assenta bem os pés no chão. Felicidades, amiga. Beijinhos.

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    1. Passei grande parte da minha vida a lutar contra a sina, contra o destino, Milly. Nunca me conformei com o que parecia inevitável. Desde muito menina que tenho este feitio "do contra", como dizia a minha mãe:)) Como se ela não fosse a melhor professora na arte do ser do contra:)) Mas numa coisa difiro dela... nunca deixei de sorrir. De acreditar e de ter esperança. E de sonhar:)) Sem ter os pés no chão, é verdade... Sem rede por baixo, sem nada além de uma certeza mágica de que no fim tudo acaba por se resolver. Acho que vou ser assim até ao fim dos meus dias...
      Felicidades muitas para ti também, Milly! Obrigada pelo teu comentário bonito, e sê muito feliz. Se for preciso, tira os pés do chão... a gente levita quando quer levitar...

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  2. "Tenho uma amiga que quando percebe que eu estou triste costuma perguntar-me quem roubou a minha caixa de lápis de cor.
    Tem vez que nem pergunta, apenas comenta:
    “- Poxa, dessa vez levaram as cores que você mais gosta!”

    (...) Algumas vezes, quando eu choro diante dessa indagação, não é pelas cores que não encontro na caixa nem por lembrar de quem supostamente as roubou.
    Choro por perceber que ainda dou aos outros o poder de roubá-las.
    Por notar que, no fim das contas, quem rouba os meus lápis de cor preferidos
    sou eu."

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    1. "A vida a cores tem outro sabor..."
      Somos quase sempre nós, é verdade. Cherchez la femme:)) Tanto nos queremos proteger, prevenir, escudar, que acabamos por dar poder a tudo aquilo que mais tememos. O escuro alimenta-se dos nossos receios, das nossas lágrimas. Lápis de cor bem garridos afastam as sombras. Vale a pena lutar por eles, pelas cores, pelo sol na nossa vida:)
      Beijinhos, Eduardo! Gostei muito desse texto!

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