sonhando, escrevendo e imaginando

quarta-feira, 19 de março de 2014

Vivo nos dois lados do espelho

Tenho duas vidas, eu…
Em cada uma delas
Existo de forma diferente.

Qual das duas será permanente?
Em qual delas serei para sempre?

Numa vida minha
Sou feliz, tranquila.
Vejo o mundo doce com olhos de menina…

Na outra vida, que também me pertence,
Luto contra dragões e esconjuro feitiços.
Atravesso fossos pendurada em passadiços.

Ai de mim!

Ou me arrasto em lugar de terramotos,
E vegeto em planaltos remotos,
E me perco em descampados mortos.
Assombrando palácios em ruínas, tortos…

Ou me dou em jardins de beleza sem fim…
E mil sois encarnados se põem em mim.
E me cubro de estrelas num céu de cetim,
Deixo-me ir num escandaloso frenesim…
O mundo todo como gostoso festim.

Vivo nos dois lados do espelho…
Espelhos são ladrões que roubam a alma.
Misturam a raiva, misturam a calma.

Partir espelhos dá azar…
Só ouso tocar.

Guarida,
Asilo,
Solo sagrado…
Deste, do outro lado…

Contigo tudo é bonito!…
Não importa o lado da vida aonde eu fico,
Não importa o lugar aonde eu for.
Aonde tu estiveres, está o meu amor.


sexta-feira, 14 de março de 2014

O mundo não tem artes de me segurar

Os meus exageros…

305.000… mais ou menos.
Não interessam os mais.
Não interessam os menos

Seis sandes pequeninas até ao fim do dia?
Comer todas de uma vez…

Poder ficar toda a tarde,
Quer dizer ficar até de noite.
Quer dizer ficar um mês.

Uma colher de xarope?
São logo duas ou três, para curar de vez.

Raio de vida de pequenez!

Aos bochechos,
Aos arrancos.
Sem paciência para viver assim.
Pisar em ovos até ao fim.

Lume brando?
Não cozinho em brandos lumes.
Calor no máximo e vamos ver.

Instruções são receitas feitas
Por quem tem medo de comer.

Só para dar uma cor rosada…
Ou carvão de bronze ou nada.

Eu sei que não vou criar teias de aranha neste lugar.
Sei que o mundo não tem artes de me segurar.
E eu não tenho paciência para esperar.

Tem que dar até ao fim do mês!
Dá até aonde o fio esticar.
Ah, e depois?
Depois quero lá pensar!

Seca!
Seca de vida!
Se molha, molha.
Se molha que seja bom a molhar.
Seca logo se não sabe queimar!

Não há pachorra para demolhar.