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A mostrar mensagens de Abril, 2014

Com "ses" é que não...

Se… Se… Se… Tanta condição!
Se, nada. Se, á fava!
Porque sim, Porque é bom. Ou porque não. Mas sem ses pelo meio. Sem algema na mão.
Sem ses de perneio.
Quando me dizem sim, mas se… Pronto, já era! Se, tira a beleza a quase tudo. Se, é limite de humana servidão.
Viver é ser, sem haver mas. Viver é andar sem fronteira no chão.
Não! Nada de ses daqui em frente. Nada de abrir uma, mas fechar a outra mão.
Se, é rede de proteção. Tira o gozo, Tira a emoção. Tiraniza, Escraviza, Acorrenta o nosso pé ao chão.
Inteira. Toda. Enquanto for eternamente. Mas com ses é que não!

Velha que chora

Tenho em mim uma velha esfarrapada. As unhas crescem-lhe como garras descarnadas. Os cabelos são farripas dependuradas.
Veste uma coisa que foi roupa, Mas que há muito perdeu a cor. Os pés estão descalços e são grotescos.
Não sei se é alta, Se é de baixa estatura. Passa o tempo encolhida, Não tem ancas, nem peitos, Não tem cintura.
Pode ser que seja negra, amarela, vermelha, Ou branca talvez. A pele não se distingue no meio do cinzento da tez.
Chora e grita sempre. Grita e chora a toda a hora. Não percebo o que diz. Só sei que é muito infeliz.
Tem medo. Está sempre com medo. Medo que dêem por ela, que a mandem embora.
Foge da luz, Porque os olhos estão cegos, E o seu reino é o da escuridão.
Arrasta-se e geme, Rasteja no chão.
Sei quem ela é. Está em mim desde sempre. Veio comigo de longe.
Tenho pena dela. Sofre.
Não sei se ela é deste, Se é de outro mundo. Ou se é fruto da minha imaginação.
Sei que quando ela chora, Sangra o meu coração.
Só não consigo ouvi-la quando me falas ao ouvido. Por me protegeres dela, obrigada, …

Até a madrugada passar

Não me acordes de noite…
Não faças barulho a levantar, Não me toques ainda que devagar.
Tu não sabes por onde ando, Em que mundos me deito a vaguear.
Pensas que está na tua mão o meu despertar.
Não podes nem imaginar…
Quando durmo, eu viajo. Quando durmo, estou sem estar.
Não se desperta quem dorme. Pode a pessoa perder-se ao regressar.
Nem todos os lugares que visito, Que costumo frequentar, São lugares para onde te possa convidar…
Não me acordes de noite.

Espera até por mim… até a madrugada passar.