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A mostrar mensagens de Maio, 2014

O tempo em que mudávamos o mundo

Lembro-me do tempo em que mudávamos o mundo… Em que nenhuma dificuldade era mais forte do que a nossa vontade de viver. Se não havia dinheiro para comer, inventávamos comida. Se não tínhamos casa, brincávamos ao faz-de-conta que esta casa é nossa. Lembro-me… O mundo rugia para nos assustar, e respondíamos com gargalhadas... Até as lágrimas não pareciam como hoje parecem, não tão salgadas. Nada era impossível então para nós. Nada! Quando alguém pensava que não íamos conseguir, largávamos a rir. Eles nem sabiam o que diziam. Derrotávamos o universo e ainda respondíamos em verso. Lembro-me dos problemas que nasciam como cogumelos em terra farta. E vencíamos. Sempre vencíamos! Aparecia uma solução de onde menos esperávamos. E quando não aparecia, éramos nós que a fabricávamos. Improvisávamos. Remediávamos. Inventávamos. Atravessámos anos assim… Tantos anos que o tempo se enroscou em mim… Ainda hoje, Ainda hoje quando a vida me faz chorar, dá-me uma vontade tão grande daquele tempo! Daquele tempo que não sei ol…

Não tenhas pena de mim

Se eu morrer antes de ficar velhinha, Meu filho, não tenhas pena de mim. Talvez seja melhor assim. Eu não ia aguentar estar presa. Não ia suportar, com toda a certeza. Iam dizer para me portar bem, Porque se for uma menina linda, o seu filho vem E iam dizer para eu comer a papinha toda, Quem come tudo volta para casa mais depressa. Não, muito obrigada! E eu ia ser linda, e tu não vinhas nunca, E eu comia tudo e não voltava para casa nada. Mesmo que quisesses, Pudesses, Não ias conseguir tomar conta de mim. Velhinhos não comem sozinhos. Velhinhos precisam de quem lhes acenda o lume. Que lindo dia está para passear. E “passear” seria ir ao fundo do quintal e voltar. E o portão havia de ter chave, E a chave não tinha ordem de rodar. Não, não!
Se eu morrer antes de ficar velhinha, Meu filho, não tenhas pena de mim. Talvez seja melhor assim. Antes quero ir embora enquanto sou bonita. Enquanto tenho as ruas todas para andar, As praias todas para me deitar, Enquanto bebo café aonde me apetece parar. E sou livre. Livre at…