sonhando, escrevendo e imaginando

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Feras mansas

De repente o dia abre-se num sorriso,
E lembro o porquê de gostar de viver!

As trevas recuam,
O sol avança…
O mal parece fera mansa,
Deitada aos pés de uma criança.

Quem faz mal a uma criança?
Nem as feras ousam.
Cheiram, rugem um pouco,
E descansam.

Quando estamos felizes,
Somos como crianças.
Tornamos as feras mansas.
Quase nos esquecem,
Quase não nos fazem maldades.

Tão bons esses momentos de encantamento!
Tão bom quando o dia se abre!

Por esses instantes de puro prazer,
Ainda que fosse só por eles, já valeria a pena viver.

Dura enquanto somos como crianças,
E enquanto as feras ficam mansas,
Sem peito para nos atacar.

Dura a alegria às vezes menos que um dia.
Voltam depois as trevas, e a par delas a fantasia
De podermos ser crianças sem medo de crescer,
Ou quiçá adultos sem medo de morrer.


Que tudo se resuma a feras que conseguimos amansar.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Sei lá

Mas então e porquê?
Sei lá…
Porque o rio corre deitado.
Porque é coisa de sol viver iluminado.
Porque um sorriso é um beijo disfarçado.

Não sei porquê.

Espírito cansado.
Ou desinteressado.

É só o que sei.

E falou-me de objectivos…
Objectivos… é preciso
Como algo tão palpável e tão definido?
Como, se até as paredes de casa
Parecem braços para me sufocar?

Porquê?
Sei lá…

Cresci gente grande, quando ainda era pequenina.
Cresci erva daninha que se cria sozinha.

Sair, sair daqui…
Ir ao outro lado do mundo.
Ir.
Passar o arco-íris….
Eu sei que tem que existir!

Às vezes não acredito em nada.
Ou não consigo acreditar.
Comigo só esta mágoa,
Dói tanto,
Que não consigo explicar!

Porquê?
Não sei…
Sei lá….

Pelo menos na rua…
Por aí…

Deitar-me a perder a andar!!