sonhando, escrevendo e imaginando

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Paz nos olhos dela

Não há paz maior do que nos olhos dela.
Todo o mundo é pequenino dentro daquele olhar.
Quando o temporal passa, e a tormenta serena,
Olhar nos seus olhos dá a certeza que o paraíso existe.

Às vezes fazia frio.
Tão frio quanto pode ser o Inverno de uma casa velha.
Ela permanecia inalterada.
Sorria.
Parecia que não sentia.
Os olhos…
Aqueles olhos serenos, orvalhados de maresia…

Em pequenita tinha febre como as crianças às vezes têm.
Mesmo a tossir, vermelha de gripe teimosa,
Olhava para mim e eu sabia…
Sabia que ia sarar.
A doença só sabia rondá-la, impotente e raivosa.

Eu ralhava com ela.
Tentava fazer que fosse uma menina igual às demais.
Ensinava, explicava, pedia…
Ela pousava o olhar tranquilo no meu universo prenhe de agonia.
Eu sentia.
Estava em paz. Tanto faz.

Papinha, minha princesinha…

Agora, que a nossa historia se resume a meia hora,
Ela olha para mim e não cobra,
Não reclama,
Não chora.
Paz.
Paz por dentro e paz por fora.

Perdoa, minha menina.

Não és tu quem precisa de me ver,
Sou eu que vejo em ti o que me falta
Para não me sentir tão mesquinha.
Para não me sentir tão malvada.


Tanto que te quis trazer para um mundo, aonde a tua paz não vale nada…

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