sonhando, escrevendo e imaginando

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Paz, amor e flores...

Já fizemos tantas coisas!
E já se passaram tantos anos!
Queriam os grandes que tivéssemos planos….
Nenhuns planos.
Nunca fizemos planos.

Só prometemos.
Nunca desistir,
Não deixar a vida fugir…

Tantas noites!
Tantas horas!
Para onde foram dias, semanas?

Que importa, não é?
Nada afinal importa.

Viver é tudo que se tem.
Apenas.

Fomos nós que vagueámos em círculos,
Ou foi a nossa estrada que nunca teve norte?

Desnorteados…
Engraçado, porque não nos sinto desnorteados.
Somos loucos, tresloucados.

Já fizemos tantas coisas!
E já se passaram tantos anos!

Agora são outros os lugares e outras as horas…
Outras as pessoas…
Porque choras?

Não chores.
Não vale a pena chorar.
Nada vale a pena,
Tudo tanto faz.


E já não escrevemos nas calças de ganga.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Só porque sim

Estupidamente feliz!..

Valeu a pena!
Todas as contas por pagar,
Tudo o que tive que abandonar.
Todas as preocupações.
Todas as noites mal passadas.
Guerras travadas.

Valeu tanto a pena,
Para poder estar agora aqui.
Vontade de me beijar por tudo o que fiz…

Tão bom!
Sensação gostosa!
O vento a tocar,
A lamber o meu ouvido,
A levantar o meu vestido.
Subindo pelas pernas…

O céu!
Azul,
Tão azul!
Que bom!
Como um braço em volta de mim.
Como uma mão a acariciar o meu seio.

O calor do sol na minha pele…
Cada poro a abrir-se,
A espreguiçar-se…
Humidade gostosa a alastrar.

A minha sede sem fim a ser saciada.
Só porque sim,
Sem precisar de mais nada.

Como sabe bem a vida!
Como é bonito este nosso mundo!

Há dias assim.
Dias em que estou como sempre quis.

Estupidamente feliz.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Vindo de longe

O homem teria entre quarenta a cinquenta anos,
Não sei bem…
Trazia uma mochila cheia sabe-se lá de quê.
As roupas não tinham estação, e estava triste.
Como é que sei que estava triste?
Hum…
Cheiro, coisa de pele.
Sei lá…
A gente sempre dá uns pelos outros.

Sentou-se.
Os olhos perdidos na areia dourada,
Afogados na imensidão do mar sem fim.
Errante…
Vagabundo…
Sem abrigo?
Vindo.
Foi o que me pareceu.
Vindo.

Eu se voltasse um dia de longe,
Também viria ali.
Embebedar os olhos de praia.
Minha praia!
Minha como não o é de mais ninguém.
Dele talvez, também.

Por cima do livro eu observava-o,
E ele a mim.
Se não me olhasse tão fixamente…
Tolice minha.
Medo porquê?
Não sou de ter medo.

Receio de um dia estar como ele.
Idade indefinida,
Mochila enrolada, perdida.
Pavor de ter saudades da vida.

Peguei no meu disfarce de veraneante normal
E mudei de lugar no areal.
Que ele me perdoe,
Que eu não fiz por mal.

Quanta pancada antes de podermos voltar?
Quanto a sofrer até sermos no nosso lugar?


Fazes muitas perguntas menina.