sonhando, escrevendo e imaginando

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Vindo de longe

O homem teria entre quarenta a cinquenta anos,
Não sei bem…
Trazia uma mochila cheia sabe-se lá de quê.
As roupas não tinham estação, e estava triste.
Como é que sei que estava triste?
Hum…
Cheiro, coisa de pele.
Sei lá…
A gente sempre dá uns pelos outros.

Sentou-se.
Os olhos perdidos na areia dourada,
Afogados na imensidão do mar sem fim.
Errante…
Vagabundo…
Sem abrigo?
Vindo.
Foi o que me pareceu.
Vindo.

Eu se voltasse um dia de longe,
Também viria ali.
Embebedar os olhos de praia.
Minha praia!
Minha como não o é de mais ninguém.
Dele talvez, também.

Por cima do livro eu observava-o,
E ele a mim.
Se não me olhasse tão fixamente…
Tolice minha.
Medo porquê?
Não sou de ter medo.

Receio de um dia estar como ele.
Idade indefinida,
Mochila enrolada, perdida.
Pavor de ter saudades da vida.

Peguei no meu disfarce de veraneante normal
E mudei de lugar no areal.
Que ele me perdoe,
Que eu não fiz por mal.

Quanta pancada antes de podermos voltar?
Quanto a sofrer até sermos no nosso lugar?


Fazes muitas perguntas menina.

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