sonhando, escrevendo e imaginando

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Cacimba molhada

Não sei se era noite,
Ou se não era nada.
Sei que eu ia de mão dada.
E os grilos cantavam.
Isso!
Cantavam.

E havia capim à nossa frente…
Cacimba…
Caía cacimba, caía.
Eu tinha medo,
E sentia-me sozinha.

Ela não estava.

Havia já dias que não estava,
Ou então o tempo tinha alargado as medidas…
Disseram-me que andava perdida.
Mas eu sabia…

Ela estava fugida.

É triste a sensação que temos quando alguém nos foge.
Passei a vida a fugir de tudo que é lugar.
Daquela vez,
Soube o que é ficar.
Ficar é quando se vão.
Vão-se sem nos levar.

Ela voltou depois.

Antes não tivesse voltado!
Antes não tivesse sido nada assim!
Antes não houvesse ela, e não houvesse mim.

Mas ainda hoje lembro os grilos que cantavam.
O capim á frente na estrada…
A cacimba molhada…
Eu de mão dada…

Sozinha.
Não sei se de noite,
Se de dia,
Se de nada.

Só nada.

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