sonhando, escrevendo e imaginando

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Varre bem, vassourinha

“Varre, varre vassourinha.
Varre bem esta casinha.
Se varreres bem,
Dou-te um vintém.
Se varreres mal,
Dou-te um real.”

Varre vassourinha, varre.
Não te queixes,
Não te descanses.

Começa de manhã.
Labuta até á noite.

“Quanto maior fosse o dia,
Maior era a romaria.”

Varre, varre bem.

Lembras-te dos cadernos de apontamentos
Cheios de letras lá dentro?
Aprendeste a lição a contento.
Entraste no mundo pela porta que te era destinada.

Varre, varre vassourinha.
Varre tudo,
Não deixes nada.

Varre bem,
Não varras mal.
Dão-te um vintém,
Dão-te um real.

Estás a ficar careca, vassoura…

Varre sem parar!
Para trás,
Para a frente.
Não tem como enganar.

Não se te pede pensamento,
Nem entendimento
Que vá além daquilo que podes ganhar.

Morta estás tu já, vassourinha.
Só não deste conta ainda…

Para que queres tu afinal viver?

É assim tão bom passar a vida a varrer?

2 comentários:

  1. É a vida de quase todos nós, infelizmente. Tanta luta, tanta labuta para podermos apenas passar o resto dos nossos dias a varrer... Obrigada, beijinho, Carlos.

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