sonhando, escrevendo e imaginando

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Conversas sem juízo

E porque nunca me conheceu
Olhou para mim e achou-me bem.
Declarou-me calma e equilibrada.

Bem se vê que não percebe nada!

E disse notar perfeitamente
Que eu tinha progredido,
Evoluído.

Via tudo claramente.

Está o mesmo escuro de sempre.

Os mesmos temporais.
Vento forte demais!
Cada vez mais…

Ondas de chuva,
Bofetadas com luva.

Tranquila.
Quem? Eu?

Incompetente!

Por mais que tente,
Por mais que aguente…

Nada à roda de mim.
Nada e este gosto ruim.
Este gosto azedo de medo na boca.

Não. Já não está louca.

Louca é a senhora sua mãe.
Ser louca é coisa tão pouca!

Não é o cérebro que se engasga,
É a alma que estica e se rasga.

Não sei que livros leu.
Não sei nada do que aprendeu.


Mas declarou-me boa e nunca me conheceu.

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