sonhando, escrevendo e imaginando

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

A tua casa sou eu...

Vi o mar ao fundo.
Mar da minha vida.
E soube que estava em casa.

Um fiapo de azul,
Espuma que se vem em mim.
Procurei o mar ao fundo,
Desde que vim.

Dobrava as esquinas em todas as avenidas,
E descia as ladeiras de todos os lugares…
-E o mar, papá?
-Aqui não se vê o mar, minha filha.

Quando cresci namorei na areia,
E rebolei em dunas sem fim.
Queria o gosto da maresia,
Queria o oceano para mim.

Procurei debalde em loucas cidades.
Naufraguei em inexplorados lençóis,
Acostei em anónimos abraços.
Olhei o fundo do copo em tantos bares!
Reflexos.
E só encontrei reflexos.

Ao fundo da rua…
Nunca mais o tinha visto assim.

-Do outro lado tens a costa de África.

Do outro lado já nada há para mim.
Só saudades e reflexos,
E fantasmas dos que se foram para longe sem fim.

A busca que fiz trouxe-me até aqui.
O que eu procurava ao fundo de cada rua,
Era a alegria perdida de quando conhecia a minha vida.
E de quando tudo em volta eram certezas e calmarias.

Mar azul da minha cidade bonita.
Casa…
Minha casa agora é quem me trouxe a ver o mar.
Minha casa agora é quem gosta de mim.

Junto todas as ruas do mundo numa só,
E junto todos os mares num oceano que não tem mais fim.

-A tua casa sou eu.

…E nunca me disseram nada tão bonito.

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