sonhando, escrevendo e imaginando

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Não digo nada

-Porque choras?
E eu nada.

-Porque choras?
E eu calada.

Para que queres saber de mim?
Quem se importa não faz perguntas a quem chora.
Não é de perguntas que careço,
nem de conselhos que não têm preço,
ou que têm preço.
No final todos os conselhos acabam por ter preço.

Não choro.
Nunca choro.
Ou pelo menos não é qualquer um que me vê chorar.

Se te importas comigo
não me faças perguntas,
não me dês conselhos.

O que estás à espera para me vir buscar?

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Alguém que me goste...

Quero alguém que me goste
Como o sol faz à madrugada…
Aquece mas não mata.

Quero alguém que me goste
Como o mar faz à praia…
Rodopia sem que caia.

Quero alguém que me goste
Que me goste de forma delicada.
Quero que me envolva,
Que me aperte
Que me solte,
Que me leve.

Quero que a eternidade seja breve.

Alguém que me goste
Como ninguém gosta de ninguém…

Alguém que tenha paciência por eu ser assim…

Quero alguém que me goste
Que tanto me goste
E que me queira como não sei querer a mim.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Coisas antigas que eram de mim

Faz parte das coisas antigas…
Algumas coisas fazem parte do sempre,
E sempre é algo que levaram de mim há muito tempo.

Levaram tanto do que era para ser eternamente
Que hoje me agarro a tudo que pareçam raízes.
Mesmo que não sejam raízes.
Mesmo que sejam só arremedos do que podiam ser,
Ou do que podiam um dia ter sido.

Coisas antigas agora são
As que estiveram desde que me lembro de as ter inventado.
Porque as outras,
As que estiveram realmente
Essas foram-se e foram embora para não sei que lado.

Agora só imagino.
Imagino que estão comigo e que são ainda.
Fantasias das coisas que queria antigas.
E que não são antigas porque não tiveram tempo.

E perco-me nas memórias que criei e que coloquei no lugar das que eram minhas.
Porque as minhas essas perdi-as assim
Que fiquei sem elas há muito tempo.

Queria a minha rua e queria o meu jardim.
E queria a minha mãe e queria o meu pai que também roubaram de mim
Quando tiraram as coisas antigas.
Quando o para sempre teve fim.

O mar…
O mar faz parte das coisas antigas.

E o sol…
O sol, a areia e o café.
Coisas novas que tapam a falta das antigas.
Que só não são mais novas porque são minhas amigas

E são minhas amigas porque estão comigo desde sempre.