sonhando, escrevendo e imaginando

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Vê aquilo que não queres ver

Lê nas entrelinhas…
Não é o que parece ser.
Vê!
Vê aquilo que não queres ver.

Se eu fosse livre
Tu fugias de mim.

Sou-te querida
Porque te estou perdida.

É isso de que gostas.
Saber que não posso ser tua.

Vê o que não queres ver…

Não descobriste que gostas de mim.
Sentiste sim que não há perigo de eu voltar.

Se eu te chamasse,
Se batesse à tua porta…
Deixavas-me entrar?
Ou tapavas outra vez os ouvidos e soltavas de novo os crocodilos
Para eu não poder passar?

Em tempos fiz de ti o azul da minha vida.
E ainda guardas o céu no bonito dos teus olhos.
Ainda te busco e te peço guarida.

Mas não te enganes nem me enganes.
Tu não me queres.

Tu amas a ilusão de me poder querer.
Amas acreditar que se eu quisesse nós podíamos acontecer.
Porque isso faz de ti o que pensas que devias ser.

Mas não.
Vê!
Vê o que não queres ver!

Talvez eu também te procure
Porque ambos teimamos em não perceber.

“Mal daqueles que como nós, não têm vocação para viver…”
Qual foi o Deus perverso que não nos deixou apenas ser?


terça-feira, 18 de agosto de 2015

Meu lindo primeiro dia

Quero ficar sempre no primeiro dia.
Não quero ir mais além,
Nem saber mais nada.

Sempre no primeiro dia.

Primeiro dia de uma cidade desconhecida,
Quando todos os lugares parecem bonitos

Primeiro dia de uma casa nova,
Quando os tectos são altos e as paredes são largas.

Primeiro dia de um amor diferente,
Quando os beijos prometem o que não podem cumprir.

Não quero que o sol se ponha
Nem que a madrugada nasça
Não quero o vazio de mais um dia frio.

Ficar sempre no primeiro dia…
Porque é que não consigo?
Porque é que os dias teimam em passar?
Mesmo que não me vá deitar,
E permaneça acordada
E beba cafés
E fume cigarros,
E esvazie garrafas inúteis sem fim.

Quando dou por mim
Despenteada,
Amarrotada,
Cansada,
Já o dia seguinte veio cheio de nada.

Primeiro dia
Não passes!
Fica comigo ou leva-me contigo
Não quero mais este castigo.


Quero a eternidade contida num dia sem acabar.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Escolhe o veneno

Escolhe qual o veneno!
Para onde nos viremos não há alternativa.
Só podemos escolher qual queremos.
De que forma morremos.

Escolhe o veneno!
E como o tempo urge a urgência impõe-se.
Todos antes de nós já o fizeram.
Escolheram.

De vez em quando alguém quebra a regra.
Alguém resolve não querer saber.
Jacob…
Chamaram-lhe cobarde,
Disseram que não sabia viver.

Caminho sem volta,
Estrada sem saída.
Então mas é isto a vida?
É só isto a vida?

Taças perfiladas à espera em cada esquina.
Amargo, doce… é igual, tanto faz.
Escolhe!

Quantas mais voltas dás mais cansado ficas.
E não tens saída.
Para que lado queres cair?

Se é para isto mais valia não ter nascido.
Como se estivesse nas nossas mãos resolver!
Nascer, morrer…
Só podemos escolher o veneno.

E o mundo é uma vasta plantação de cogumelos venenosos.

“-Mas mamã, os cogumelos são aquelas coisas bonitas vermelhas com bolinhas brancas que ficam no quintal das fadas!”