sonhando, escrevendo e imaginando

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Vê aquilo que não queres ver

Lê nas entrelinhas…
Não é o que parece ser.
Vê!
Vê aquilo que não queres ver.

Se eu fosse livre
Tu fugias de mim.

Sou-te querida
Porque te estou perdida.

É isso de que gostas.
Saber que não posso ser tua.

Vê o que não queres ver…

Não descobriste que gostas de mim.
Sentiste sim que não há perigo de eu voltar.

Se eu te chamasse,
Se batesse à tua porta…
Deixavas-me entrar?
Ou tapavas outra vez os ouvidos e soltavas de novo os crocodilos
Para eu não poder passar?

Em tempos fiz de ti o azul da minha vida.
E ainda guardas o céu no bonito dos teus olhos.
Ainda te busco e te peço guarida.

Mas não te enganes nem me enganes.
Tu não me queres.

Tu amas a ilusão de me poder querer.
Amas acreditar que se eu quisesse nós podíamos acontecer.
Porque isso faz de ti o que pensas que devias ser.

Mas não.
Vê!
Vê o que não queres ver!

Talvez eu também te procure
Porque ambos teimamos em não perceber.

“Mal daqueles que como nós, não têm vocação para viver…”
Qual foi o Deus perverso que não nos deixou apenas ser?


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