sonhando, escrevendo e imaginando

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Em vez do que eu queria

Cada dia que passa
É uma cor a menos na paleta dos meus sonhos.
E cada cor perdida é um valor que tiro à vida.

Tudo o que eu queria,
Não passa de fantasia.

O meu pai bem me dizia!…
Grande homem o meu pai…
Sábio aquele meu pai já comido pelos vermes e que sabia
Que céu e inferno se masturbam na mesma porcaria.

O que existe é cada qual a servir-se do seu próximo,
As relações a terem que provar utilidade,
O amor a não passar de um jogo de vontades,
E o mais forte sempre a comer o mais fraco.

O que existe é cuspo em vez de excitação,
Vaselina em vez de tesão.
Onde está tudo o que eu pensava que havia?

Agradecer a quem nos fez?
Mas o que há para agradecer?...
O que há para além deste deserto vazio
Aonde se morre de frio?

Eu queria era o meu mundo bonito de volta,
O mundo que eu via pela varanda da cozinha...

Tudo é só mentira.
Não acredito nem volto a acreditar
E recuso-me a ser assim.

Um dia, papá, vou fugir daqui.
Lembras-te? Como eu corria!...

      A professora gordinha não me apanhou
      Apesar de eu ser tão pequenina.
      Foi a primeira vez em que fugi.

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