sonhando, escrevendo e imaginando

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Como se faz?

Estou presa em mim.
Não consigo perder-me de mim.
Experimentei todas as artimanhas,
Aprendi todas as manhas…
Nunca saí de mim.

Nem o sono, nem a fome, nem o álcool…
Como uma maldição nada me leva daqui.

Tenho sempre a noção do que está a acontecer.
Consigo sempre controlar o que estou a dizer.

Queria tanto a liberdade da insensatez!
Como desejava a loucura inconsequente pelo menos uma vez!

Ter depois a desculpa velhinha
E lavar uma culpa que não seria minha.

Não sabia o que estava a fazer…

Mas não.
Os meus flancos sentem sempre as esporas,
Mesmo quando me montam em pelo e não usam arreios.

Como se faz?
Aonde se vai quando não se consegue perder os sentidos?
Baile de máscaras, Carnaval da vida,
Sair sem pagar a conta.
Chutar a bola para fora de campo...
Atirar a toalha antes que o sangue nos tape os olhos.


Juízo é jugo e cabresto,
É limite,
É um quero mais mas não lá chego.


Sem comentários:

Enviar um comentário