sonhando, escrevendo e imaginando

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Quem é ela?







Quem é ela?
A mulher que olha pela janela,
Sorriso distante…
O que a trouxe aqui?
Para aonde vai?
Que pensamentos a fazem sorrir assim?

Veio de longe,
De tão longe que já perdeu a memória do quão importante é lembrar as raízes.
Ou talvez não tenha perdido a memória…
Talvez sorria porque se recorda de tempos que já não são daqui.
Talvez…
Cabelo frisado, Pele morena.
Veio de outros lugares,
Veio sim.

Quem é ela?
A mulher que olha pela janela.

O comboio segue num andar que não tem fim.
Ela dormita ou parece que dorme enquanto sorri.
Sem aliança nem anel de comprometida.
Livre.
Livre também porque é distante e porque não tem nada que a prenda aqui.
Nem sacos de compras,
Nem telefone a tocar,
Nem pessoa ao lado com quem falar.

Se quiser pode sair.
Pode ir embora,
Pode levantar.
Bem feita de corpo…
Roupa destinada a realçar.
Sorri porque se sabe bonita.
Ou é bonita porque sabe que a estou a olhar?

Veio de longe a mulher na janela.
E não tem companhia para viajar.
Nem ninguém a quem telefonar.
Distante…
Interessante…
Talvez espere que a vá cumprimentar…
Não parece daquelas que se vá escandalizar.
Habituada.
É isso.
Está habituada a brilhar.

Como se chega àquela idade tão bela?
Porque já não é adolescente a mulher na janela.
Nem tem idade certa agora que olho melhor para ela.
Filhos?
Não me parece.
Serena e intocada como um sol na tela.

Sorri.
Sorri distante,
E aqueço a alma no sorriso quente dela.

O comboio chega ao fim da linha.
Paragem terminal,diz a voz no autofalante.
Um homem espera lá fora.

Mas não é dele nem minha a mulher que sorria na janela.
Ele não sabe, não viu.

O sorriso é dela, só dela.