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A mostrar mensagens de Julho, 2016

Senti o toque dela no meu respirar

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Olhei e vi que ela estava a representar. Vi a forma como colocava a cabeça, de lado, estranhamente… Vi os cabelos compridos, repletos de cachos bailantes… Reparei na forma como ria. Não era ela.
Quis dizer-lhe para se sentar direita, para não cruzar as pernas daquela forma provocante. Apeteceu-me perguntar pela corda de saltar, pelo pião e pelo elástico. Mas os joelhos dela não estavam mais esfolados como dantes! E certamente com aqueles sapatos esquisitos pouco saberia correr…
Notei como os homens babavam quando ela andava. E que balançar era aquele que lhe ondulava as ancas? As soquetes… Aonde estavam as soquetes dobradas direitinhas pelo ortelho?...
O peito subia e descia quando ela respirava. Credo! Que peito grande ela tinha!
Estava quase a puxar-lhe pela bainha do vestido pequenino que estava em lugar do bibe colorido. Estava quase a pendurar-me na mão dela de unhas pintadas e brilhantes.
Olha... Olha para mim! Porque é que estás assim?
Mas ela sorriu e tocou-me sem se encostar. E eu senti o toque …

Nada é para sempre

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E de repente tudo se revelou aos olhos dela. Queria a mão dada. Queria o tempo em que alguém cuidava dela. Era tão bom se lhe segredassem ao ouvido “Tudo vai ficar bem. Não te preocupes.”… E desejou como nunca a sensação de se saber protegida e amada. Tantos tinham sido os homens na vida, e tanta vida tinha passado entre ela e os seus homens. Mas nunca em tempo algum voltara a sentir aquela coisa boa, formigueiro doce na alma, sorriso que acalma e diz “Eu estou aqui. Eu vou tomar conta de ti.” Não, não era a paixão que a movia. Sabia-o agora, nunca fora. Paixão, carne ardente, luxúria… Não, não era. Apenas tinha pensado que… Talvez se… Podia ser que… Nada. Fez que, se e de e nada. Olhos calmos, água que corre, aonde? Aonde? Mão protegida, ombros envolvidos, cintura enlaçada. Guarida. Porto seguro. Navegara muito por tempestades de oceanos rebeldes, levada em embarcações atadas com juncos e palhas. Confiara na desenvoltura de capitães que nem marinheiros sabiam ser. E crescera à espera d…

Mundo das gentes normais, nunca vou ser tua!

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A espreitar por detrás do avental adivinha-se uma saia larga e desajeitada. Ponta acima, ponta abaixo… Qual seria mesmo a cor? Que importa a cor de uma saia como aquela!
Chinelos… chinelos ou sandálias… Sandálias ou restos tristes de sapatos de outras eras.  Tudo igual, tudo com cheiro de miséria requentada.
Farripas desgrenhadas no lugar de cabelo. Mas não... Cabelo sim. Despenteado, desprezado, emaranhado, mas fios de cabelo.
E a pele? Curtida. Só me ocorre “curtida”. Sim, porque não são só rugas, ou vincos. São crateras de tamanho desmedido. E é uma secura de Sertão sem fim.
Credo!...
E foi bonita ela! E foi desejada. E fez palpitar corações e entesar varões. Guarda como provas os odres vazios a que chama seios, os ossos salientes dos quadris de antes. Foi a paga da normalidade decente de uma vida. Foi o resultado dos restos acumulados num prato despejado dos melhores bocados. Sim, porque os melhores bocados eram sempre para os outros. Para os filhos que cresciam, para o seu homem que trabalhava…