sonhando, escrevendo e imaginando

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Senti o toque dela no meu respirar


Olhei e vi que ela estava a representar.
Vi a forma como colocava a cabeça, de lado, estranhamente…
Vi os cabelos compridos, repletos de cachos bailantes…
Reparei na forma como ria.
Não era ela.

Quis dizer-lhe para se sentar direita, para não cruzar as pernas daquela forma provocante.
Apeteceu-me perguntar pela corda de saltar, pelo pião e pelo elástico.
Mas os joelhos dela não estavam mais esfolados como dantes!
E certamente com aqueles sapatos esquisitos pouco saberia correr…

Notei como os homens babavam quando ela andava.
E que balançar era aquele que lhe ondulava as ancas?
As soquetes…
Aonde estavam as soquetes dobradas direitinhas pelo ortelho?...

O peito subia e descia quando ela respirava.
Credo! Que peito grande ela tinha!

Estava quase a puxar-lhe pela bainha do vestido pequenino que estava em lugar do bibe colorido.
Estava quase a pendurar-me na mão dela de unhas pintadas e brilhantes.

Olha... Olha para mim!
Porque é que estás assim?

Mas ela sorriu e tocou-me sem se encostar.
E eu senti o toque dela no meu respirar.
Podia não ser mais a mesma menina mas cumpriu a promessa.
Voltou. Voltou para me vir buscar.


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