sonhando, escrevendo e imaginando

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Cidade de pedra fria


Quinze ou dezasseis?...
Vinte e nove ou trinta?...
Ultimamente não vinha muito ali.
Mas pensava que reconhecia o lugar pela ausência de flores.
Esta não,
Aquela não…
Aqui, deve ser aqui.
Rosas brancas.
Verdura.
Nem a chave já tinha…
Mesmo que não fosse aquele o lugar sabia que eles viam.
Eles viam e desculpavam.
Sempre souberam que ela era meio maluquinha…
Invejava a quietude de fim de dia,
A ausência de barulhos e de conflitos.
Só assim para não discutirem.
Pacíficos finalmente.
E ela tão perdida quanto eles sempre previram.
As rosas eram compridas demais
Mas quebrou-lhes os pés.
Desembaraçou-se.
Colou a cuspo como sempre fazia.
Tudo o que sobrara deles era ela.
Bela porcaria.
Coito danado,
Mais um pecado original bem vingado.
Tão tranquilo aquele lugar.
Será que a deixavam ficar?
Afinal a casa dos pais é a morada dos filhos.
Não, ainda não podia.
Tinha que procurar, continuar a procurar.
Rezou ao Deus do seu coração.
E foi-se.
Tatá, beijinhos meus queridos, até um dia.


Sem comentários:

Enviar um comentário