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A mostrar mensagens de Dezembro, 2016

Quase um Conto de Natal

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A Eduarda era um misto de loucura, e de sanidade doseadas de forma estranha. Ria e chorava quando menos se esperava, e tanto aquecia o mundo, como o gelava em duas estocadas simples. Tinham-lhe dito que isso era normal, e que algumas pessoas são mesmo assim. São pessoas com comportamentos “fora do comum”. Mas o que a Eduarda sabia é que ser assim, doía demais.
Por vezes apetecia-lhe fazer as malas e desaparecer. Não saberia dizer para onde queria ir, apenas queria ir. E sufocava no peito uma vontade aflita de correr, abrir a porta sumir. Noutras vezes, ao contrário, sonhava em ser parte de algo, viver em alguém. E em ambos os casos ficava triste, porque a intensidade com que desejava fosse o que fosse, lhe fazia estalar os nervos da carne, e lhe dilacerava os ossos. A Eduarda não se lembrava de ter sido feliz.
Era bonita, simpática, apetecida. Tinha embarcado, naufragado e dado à costa em mais amores do que era capaz de se lembrar. Vinham-lhe à memória nomes, rostos, formas de tocar, ca…